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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Temer confirma: Impeachment é político. Por Jasson de Oliveira Andrade


No início de julho, escrevi: “Para mim, impeachment não é golpe, mas precisa de um motivo legal para isto. Afirmei – e repito o que disse – que houve trama de Temer com Cunha (“Centrão”), que conseguiram, nos bastidores, os votos necessários para a cassação. Isto é inegável. Portanto, houve golpe!” Agora quem confirma que não houve base legal e sim política foi o próprio Temer.

Em declaração às agências internacionais no Palácio do Planalto e transcrito pelo Estadão, o presidente interino disse: “Essa questão do impeachment no Senado não depende de nossa atuação. Depende da avaliação política (sic) – NÃO UMA AVALIAÇÃO JURÍDICA – que o Senado está fazendo”. O jornal acrescentou que Temer “ressaltou várias vezes durante a entrevista de cerca de uma hora, a boa relação que tem com o Congresso, ALGO QUE FALTAVA À PRESIDENTE AFASTADA ”. Esta declaração confirma o que afirmei em julho: ele tem os políticos sob controle. É o pensa também o jornalista Bernardo Mello Franco (Folha, 5/8): “Os piores diálogos do impeachment acontecem longe dos microfones, onde senadores negociam votos em troca de cargos, emendas e outros incentivos mais (sic)”. Já o senador Humberto Costa (PT), disse: “Querem vencer no parlamento (sic) porque não conseguem vencer nas urnas”.

Ao comentar a declaração de Temer de que o impeachment de Dilma é uma questão “política, não de avaliação jurídica deles” senadores”, o jornalista Janio de Freitas, em artigo à Folha em 4/8, afirma: “Assim tem sido de fato. Desde antes de instaurado na Câmara os procedimentos a respeito: a própria decisão de iniciá-los, devido à figura única de Eduardo Cunha, FOI POLÍTICA, ainda que por impulso pessoal. (...) Todo o processo do impeachment é, portanto, FARSANTE . Como está subtendido no que diz o principal conspirador e maior beneficiado [Temer] com o afastamento de Dilma. (...) E ninguém pagará por isso. Muito ao contrário”.

Se o impeachment é POLÍTICO e não JURÍDICO, o ato a ser votado no fim do mês ou no início de setembro é realmente GOLPE. E quem confirma isso é o presidente interino. Portanto, o golpe poderá ser concretizado em poucos dias. A CONFERIR.

BOMBA: A revista VEJA surpreendeu esta semana ao revelar, em matéria de capa, uma grave denúncia. A matéria foi manchete do Estadão (7/8): “Odebrecht diz que repassou R$ 10 mi a pedido de Temer”. Esta denúncia da VEJA vai influenciar na votação do impeachment de Dilma? Tudo indica que não! Só um milagre salva o mandato da Presidenta.

PS: Manchete na primeira página da Folha (6/8): “Rio inaugura Olimpíada com festa grandiosa e vaias a Temer”. Sem comentário...


JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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