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terça-feira, 16 de agosto de 2016

Quem tem medo de Cunha?, por Jasson de Oliveira Andrade





No ano passado, escrevi que a Câmara Federal dificilmente cassaria o então presidente Eduardo Cunha. Caso isto ocorresse seria pela Justiça, na qual é réu. Posteriormente, ele viu-se obrigado a renunciar a presidência. E a cassação? Esta está muito difícil, como previ há mais de um ano. É o que vamos ver.

O novo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), marcou a cassação de Cunha para 12 de setembro. Essa decisão causou estranheza. Kennedy Alencar, em seu Blog (11/8/2016) fez essa surpreendente revelação, no texto “Governo [Temer] e Câmara tentam salvar Cunha”: “Marcar a votação da cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para uma segunda-feira, dia 12 de setembro, no meio das eleições municipais, é uma clara articulação para facilitar a vida do ex-presidente da Câmara. (...) Será um escândalo realizar essa votação num dia de baixa presença no Congresso Nacional. Como são necessários 257 votos dos 513 deputados para que Cunha seja cassado, essa data é um presente para o peemedebista e um tapa na cara da sociedade diante da quantidade de acusações graves que pesam contra ele. (...) Mais: mostra que o governo [Temer] e boa parcela da Câmara TEMEM SEGREDOS que Cunha possa tornar públicos. Aprovar o impeachment de Dilma e dar a Cunha a chance de escapar confirma o uso de dois pesos e duas medidas e reforça a tese de UM GOLPE PARLAMENTAR CONTRA A PETISTA. (...) É inusual marcar a votação para uma segunda-feira, porque cassações são geralmente votadas às quartas, dia de maior quórum no Congresso. Aliás, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), está quebrando uma promessa de votar a cassação num dia de presença alta no plenário, a fim de evitar que seja responsabilizado por eventual salvação de Cunha. Maia mudou o discurso PRESSIONADO PELO GOVERNO, QUE NÃO ASSUME ISSO PUBLICAMENTE, e por líderes partidários comprometidos com os segredos que dividem com o ex-presidente da Câmara. (...) Marcar a votação da cassação para depois do impeachment de Dilma permitirá o discurso de que seria melhor deixa-lo responder às acusações da Lava Jato com o mandato de deputado federal a fim de não criar tumulto na economia. Deixar Cunha como um problema apenas do Supremo Tribunal Federal é uma covardia da Câmara dos Deputados”. Sobre a data marcada (segunda-feira), o senador Roberto Requião (PR-PR) disse: “Que sem-vergonha esta data! Espero que Cunha detone esta gente."


Depois dessa decisão do governo e de Maia, perguntamos: por que esse medo de Cunha? Quais os segredos que ele possui? Essa decisão não mostra que o governo Temer tem o rabo preso com Cunha? Não é uma confissão? Perguntar não ofende! Como costuma dizer Boris Casoy: É UMA VERGONHA!

Outra decisão que deixou o governo Temer mal. Ele, presidente interino, extinguiu o Ministério do Desenvolvimento Agrário e agora voltou atrás e vai recria-lo. O Estadão (12/8) assim noticiou esse novo recuo: “O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, anunciou ontem [11/8] que o governo vai recriar em setembro, após a conclusão do processo de impeachment (sic) da presidente afastada Dilma Rousseff, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que havia sido transformado em secretaria. É a segunda vez que o presidente em exercício Michel Temer recua (sic) e retoma uma pasta extinta.”. Segundo o Estadão, “o retorno do MDA é um gesto do Palácio do Planalto ao Solidariedade, partido do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força”, que foi um fanático defensor do Impeachment, faz parte do “Centrão” e é réu no Supremo. Para mim, isto é fisiologismo. Mais uma vez repito Boris Casoy: É UMA VERGONHA!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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