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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Naquela padaria em bairro de classe-média paulistana, dois lobos sanguinários conversam sobre destinos traçados...


- Você precisa ver o que me aconteceu hoje!, diz o lobo 45

- O que foi?, pergunta o lobo 25

- Ah, um cordeirinho apareceu pra tomar água no córrego.

- Que folga! E que você fez?

- Já cheguei chegando, falei um monte!

- O que você disse?, pergunta o lobo 25. E então dirige-se ao balconista ( que é cordeiro mas pensa que é lobo também ) e pede mais dois chopes.

- Eu arreganhei os dentes e falei: "Que desaforo é esse de turvar a água que venho beber? Espere, que vou castigar tamanha má-criação!…"

- Aposto que ele se borrou todo!

- Que nada! Pelo contrário. Ele me respondeu!

- É mesmo?? Que que ele disse?

- Presta atenção. Ele falou: "Como posso turvar a água que o senhor vai beber se ela corre do senhor para mim?"

- E era verdade?

- Pior que era. Eu nem pensei antes de falar. E ele foi esperto, percebeu que eu tinha falado bobagem.

- Ahahaha te pegou direitinho. Aí você deixou ele em paz.

- Olha pra minha cara.

- É verdade. Esse nariz tão grande. Esses olhos tão grandes.

- É pra melhor cheirar e olhar esses cordeiros e essas crianças. Mas deixa eu continuar.

- Vai então. Anda logo que o chope tá esquentando.

- Tá bom. Prosseguindo...Eu disse assim: "Além disso, sei que você andou falando mal de mim o ano passado."

- Aí ele se lascou..?

- Não.

- Não? Como?

- Ele respondeu: "Como poderia falar mal do senhor o ano passado, se nasci este ano?"

- Ahahahahaha ou melhor kkkkkkkkk, já que as pessoas estão lendo isso na Internet. Te pegou de novo!

- Mano, a casa ia caindo.

- E aí?

- Eu não ia deixar barato. Tomar drible assim. Eu sou macaco velho.

- Lobo.

- Hã?

- Você não é macaco velho. Você é lobo velho.

- Foi só maneira de falar. Vai me deixar continuar?

- Fique à vontade. Olha a asinha de frango.

- Opa! Delícia. Então, aí eu voltei à carga e intimei: "Se não foi você, foi seu irmão mais velho, o que dá no mesmo."

- Aí ele não teve mais o que dizer.

- Teve.

- Ahn? Mano, você é a vergonha da classe dos lobos. Que ele disse dessa vez?

- Ele simplesmente falou: "Como poderia ser meu irmão mais velho, se sou filho único?"

- Quaquaquaqua!!!!!! Eu tô perdendo o fôlego! Eu não ficava assim desde aquele dia em que tentei derrubar a casinha de tijolos do porquinho!!!!

- Você ri porque não foi com você.

- Desculpe, rsrsrsrs, desculpe. Que comédia.

- Mas a história não terminou ali.

- Não???! Então continua que você tá me fazendo ganhar o dia.

- Grunf! Então daí eu falei: "Pois se não foi seu irmão, foi seu pai ou seu avô!"

- E ele, respondeu o quê?

- Eu não dei chance de ele abrir a boca. Meti os dentes no pescoço dele e acabei com aquele papo todo, aquela conversa toda.

- Ele devia saber que toda a argumentação certa não ia servir de nada, que o destino dele já tava escrito e o desfecho era inevitável.

- Pois é. O fim já tava escrito desde o começo.

- Hahaha foi boa essa história. Divertida. Mas vem cá.

- O quê?

- Você preparou o relatório?

- Ah, sim, já terminei.

- Como ficou?

- Ficou em 441 páginas.

- Caceta! Tudo isso?

- Ora, mas você sabe que mesmo que fosse uma página apenas, o desfecho será igual ao do carneirinho.

- Ah, sim, claro. Não tem argumento. Só faltou dizer que era golpe.

E ambos lobos sanguinários riram à beça.

O balconista ( que pensa que é lobo, mas é cordeiro ) também riu. Daí um dos lobos olha pra ele e pergunta:

- E a família? Vai bem?


FIM





...

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Golpe