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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Economista Cláudio de Moura Castro, da Veja, sobre professores, faz "contas" mandrakes e dá uma porrada de chutes errados


AS CONTAS DE MOURA CASTRO E OUTROS PALPITES

Cláudio de Moura Castro é graduado em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais, mestre pela Universidade Yale e doutor pela Universidade Vanderbilt. Mas deve ter faltado a algumas aulas do ensino fundamental, como pretendo mostrar considerando alguns números que ele apresentou em artiguinho publicado na Revista Veja de 27/7/2016

Circulam muitos protestos contra o autor, que podem ser facilmente recuperados digitando o nome dele o google.  Mas a maioria apenas rejeita suas posições contrárias aos professores. Quero mostrar um pouco de seus cálculos (já que é economista, ah! ah!).

Seu tema é o salário do professor. Discorre sobre várias questões até relevantes, como o salário e qualidade do trabalho, a estabilidade no emprego etc. Mas trata delas mais ou menos como trata uns números. O que vou mostrar.

Faz uma lista de “direitos” dos professores:

– 45 dias de férias por ano somam 37,5 meses fora das salas de aula.

– licenças prêmio somam 12 meses sem lecionar.

– 10 faltas anuais por saúde rendem 8,3 meses de folga.

Estes números representam 6,5 anos. Deles conclui que professores trabalham 19 anos (refere-se a um tempo em que a aposentadoria era aos 25 para mulheres e faz de conta, parece, que não há homens no magistério).

Tem mais:

– afastamentos para mestrado e doutorado somam 72 meses (sem dar aulas)

– 2 gestações rendem 12 meses de folga

– 4 candidaturas a vereador rendem 12 meses de licença

Somando tudo, Castro chega à conclusão de que professores podem “folgar” 13,5 anos, trabalhando apenas 11,45 anos nos 25 da carreira.

Primeiro, ele poderia ser mais cuidadoso com o elementar, os números. Não vou bater muito. Só vou lembrar um detalhe: cursar mestrado e doutorado não necessariamente tira o professor das aulas. Muitos estudam e continuam com suas aulas nas escolas (e faculdades). Ele deveria ter feito um levantamento minimamente cuidadoso antes de sair chutando.

Uma pequena “digressão”: além de mestrado e doutorada consumirem 72 meses fora das salas de aula, está demonstrado, segundo ele, que as aulas não melhoram com os títulos. Isso deveria ser demonstrado. Mas, supondo que haja algum fundamento para tal afirmação, por que haveria tanta grita pelo aumento da escolaridade? Um bom professor de ensino fundamental seria alguém que completou o ensino fundamental que apenas repita o que aprendeu?

Somar todas as oportunidades de não estar nas aulas como se elas fossem consideradas por todos os professores é falta de matemática do ensino fundamental do autor.

Durante as férias, muitos trabalham: lêem, fazem cursos e reuniões. Ou só dar é aulas é que é trabalho? Quantos são os professores que se candidatam a cargos políticos? Para Castro, parece que todos.

Quantos fazem mestrado e doutorado? Para Castro, todos (se não pensa isso, pior, porque não distingue estes dos outros em seu textinho). Seria bom que tivesse razão, mas o número é muito baixo. Todos “tiram” dias por problemas de saúde? São 10 por ano?

Quantos chutes!

Suponhamos que tenha razão em relação a um certo número de professores, aqueles que dão à luz, se candidatam, tiram licenças de saúde, façam mestrado e doutorado etc.

Este tipo de gente faz contas muito engraçadas. Há uns 30 anos, Geraldi analisou um artigo de Antonio Ermírio de Morais (ver “O texto na sala de aula”) no qual o empresário tratava da baixa produtividade do brasileiro (papo velho, como se vê). Fazia cálculos do seguinte tipo: um ano tem 52 domingos, tem igual número de sábados, o que propicia folgas de 156 dias. Somando 30 dias de férias, chega-se a apenas 209 dias de trabalho, em média. E ele esqueceu os feriados. Além disso, muitos não trabalham (os menores e os idosos), diz ele… ETC.

Só faltou dizer que, para cada 24 horas, dorme-se pelo menos durante 8, gastam-se duas para comer, umas 4 ou 5 para chegar ao trabalho e mais algum tempo para determinados folguedos que exigem estar acordado.

Segundo gente que faz este tipo de conta, somos um país que NÃO trabalha com um professorado que não vai para a sala de aula.

É verdade que Castro escreveu para Veja, uma revistinha que aceita qualquer coisa. Mas não precisava exagerar.


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