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quarta-feira, 6 de julho de 2016

Dilma não pedalou: houve golpe, por Jasson de Oliveira Andrade




Agora está provado: Dilma não pedalou. Como as pedaladas fiscais foram o principal motivo para o impeachment, como fica agora? Não muda nada: os senadores vão decidir, ou seja, será um julgamento POLÍTICO e não legal. Em fim de agosto ou setembro teremos a resposta.
Se a Dilma não pedalou, houve GOLPE? Já escrevi que sim e os fatos estão confirmando. Para mim, impeachment não é golpe, mas precisa de um motivo legal para isto. Afirmei – e repito o que disse – que houve trama de Temer com Cunha (“Centrão”), que conseguiram, nos bastidores, os votos necessários para a cassação. Isto é inegável. Portanto, houve golpe! É o que pensa também Elio Gaspari, jornalista insuspeito porque é contra o PT e um crítico ao governo Dilma. No artigo “Há golpe” (Folha, 29/6), ele escreveu: “No sábado, dia 25/6, a senadora Rose de Freitas, líder do governo de Michel Temer no Senado, disse o seguinte: “Na minha tese, NÃO TEVE ESSE NEGÓCIO DE PEDALADA (destaque meu), nada disso. O que teve foi um país paralisado, sem direção e sem base nenhuma para administrar”. (...) Na segunda feira, dia 27/6, a perícia do corpo técnico do Senado informou que Dilma Rousseff não deixou suas digitais na “pedaladas fiscais” que formam a espinha dorsal do processo de impeachment. (...) Paralisia, falta de rumo e incapacidade administrativa podem ser motivos para se desejar a deposição de um governo e milhões de pessoas foram para a rua pedindo isso, MAS SÃO INSUFICIENTES PARA INSTRUIR UM PROCESSO DE IMPEDIMENTO (destaque meu). Como diria o presidente Temer não “está no livrinho”. (O julgamento de Dilma Rousseff) não é um golpe à luz da lei, mas nele há um golpe (sic) no sentido vocabular. O verbete golpe no dicionário Houaiss tem dezenas de definições, inclusive esta: “ato pelo qual a pessoa, utilizando-se de práticas ardilosas, obtém proveitos indevidos, estratagema, ardil, trama (sic)”. Como eu já disse, ninguém pode negar que Temer e Cunha utilizaram de práticas ardilosas para TRAMAR a cassação de Dilma. Quem reconhece essa “trama”, “ardil”, “estratagema” é o PSDB. O PAINEL DA FOLHA, em 1/7/2016, noticiou: “PSDB não trabalhará para que seus deputados votem pela cassação de Eduardo Cunha – Fiel da balança na Comissão de Constituição e Justiça, o PSDB não trabalhará para que seus deputados votem pela cassação de Eduardo Cunha. Apesar do desgaste que a posição implica, o discurso é que o peemedebista prestou “serviço relevante para o país” (sic) ao dar celeridade ao impeachment de Dilma Rousseff E NÃO MERECE A CONDENAÇÃO INSTITUCIONAL DA SIGLA (destaque meu). A percepção dos tucanos é que o Planalto [Michel Temer] caminha na mesma direção: se quisesse se livrar de Cunha, já o teria feito”. Trocando em miúdo: como o presidente da Câmara ajudou a TRAMAR o impeachment merece agora esse prêmio dos tucanos, que, com a cassação, estão no Poder (três ministros)!

Apesar dessa “ajuda” do PSDB, a situação de Cunha não é nada fácil. Kennedy Alencar constatou: “A salvação de Eduardo Cunha da cassação é uma mercadoria de difícil entrega, por mais que o governo Temer, o PMDB e deputados de diversos partidos (sic) na Câmara queiram preservar o presidente afastado da Câmara. (...) O volume de acusações contra Cunha vem crescendo. (...) O potencial de dano para o PMDB e o governo Temer aumenta na medida em que Eduardo Cunha vai se complicando na Lava Jato”. Será que o PSDB não terá também dano com essa posição dúbia?

Como sempre digo: A CONFERIR.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu e lançou recentemente o livro "DEFENSORES DA DITADURA MILITAR ESTÃO NA CONTRAMÃO DA HISTÓRIA  e outros textos"


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