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sábado, 2 de julho de 2016

"DEFENSORES DA DITADURA MILITAR ESTÃO NA CONTRAMÃO DA HISTÓRIA e outros textos", novo livro de Jasson de Oliveira Andrade


Oito anos após seu lançamento anterior, "Golpe de 64 em São João da Boa Vista", meu amigo e maior colaborador deste blog, o jornalista Jasson de Oliveira Andrade volta às livrarias. E, como o anterior, também este sai pela Papyrus Livraria, que fica no município paulista de São João da Boa Vista.

Em vez de tentar fazer uma resenha - sou péssimo nisso - vou transcrever, logo a seguir, a introdução da obra ( páginas 11-12 ) . Achei que o próprio autor fez uma apresentação excelente e informativa e eu não saberia fazer melhor.

Para quem ainda não o conhece, transcrevo a seguir trecho das informações impressas na quarta-capa de "DEFENSORES DA DITADURA MILITAR ESTÃO NA CONTRAMÃO DA HISTÓRIA  e outros textos":

"Jasson de Oliveira Andrade é conhecido articulista político em jornais de Mogi Guaçu e São João da Boa Vista, desde 1958. Foi uma das vítimas da ditadura militar, logo após o golpe de 64. E, por tudo que aconteceu nesse período, costuma dizer: 'A pior das democracias é melhor do que a melhor das ditaduras, sejam elas de esquerda ou de direita'."

Gostaria também de fazer uma breve explanação e, para isso, precisei recorrer a postagens da época em que Jasson lançou "Golpe de 64 em São João da Boa Vista", em meados de 2008. Essa explanação eu preferi colocar ao final do texto que apresenta o livro, como uma espécie de "nota de pé de página", que poderá ou não interessar ao público deste blog, pois tratam-se de reminiscências pessoais.

Com a palavra, o autor:

Este livro, praticamente, é a continuação de Golpe de 64 em São João da Boa Vista, tendo como foco principal. Os artigos selecionados são uma síntese do Golpe, tendo como foco principal o meu lema: Ditadura nunca mais. Outros textos são reminiscências da política de Mogi Guaçu e algumas de São João da Boa Vista. Tais escritos não é a história dessas duas cidades, mas poderão servir de fonte aos futuros historiadores.

Pretendi também homenagear, postumamente, alguns amigos: jornalista Wilson Gomes; jornalista Fausto Ratol; Wilson Alves Ferreira, ex-vereador e colega de trabalho em Mogi Guaçu; e Plínio de Arruda Sampaio, político nacional, ligado à São João da Boa Vista, casado com uma sanjoanense, Marieta, minha parente. Outra personagem, Patrícia Galvão ( a Pagu ), merecia muitos artigos, mas selecionei apenas um, que nada tem a ver com a sua luta. A cidade de São João é conhecida como terra de Guimar Novaes, notável pianista com destaque internacional. Para mim é também a terra de Pagu, minha heroína! Ela pagou caro seu ideal, conforme relatou David Nasser no livro Falta alguém em Nuremberg ( tribunal que condenou os nazistas ), à página 92: "A escritora Pagu, de São Paulo, filiara-se no Partido Comunista do Brasil. Presa, tentaram fazer com que ela denunciasse seus supostos companheiros de plano revolucionário. Utlizados os meios normais, passaram a usar os meios violentos. Posta de foram a não poder reagir, introduziram-lhe na vagina um cassetete e faziam com o mesmo movimentos vários, até que o sangue saiu em golfadas e a mulher perdeu os sentidos. Só então a abandonaram". Posteriormente, Pagu rompeu com o Partido Comunista e se filiou ao PSB ( Partido Socialista Brasileiro ) até sua morte, em Santos, em 12/12/1962, aos 52 anos. Tereza Freire, em seu livro Dos Escombros de Pagu: um recorte biográfico de Patrícia Galvão ( Edições Sesc-SP, 2008 ) explicou assim, na página 18, o motio da escolha da biografia de Pagu: "Patrícia Rehder Galvão chamou-me a atenção não só por ter sido mais uma mulher excluída dos estudos históricos da literatura, como também por sua formação artística e intelectual, por sua militância política, pela coerência - que lhe custou caro - entre o pensar e o agir, vivendo apenas, e radicalmente, de acordo com seus ideais". Uma biografia para quem queira conhecer quem foi Pagu. No cinema tivemos, em 1988, Eternamente Pagu, direção de Norma Bengell. Na música "Pagu", composta, em 2000, por Rita Lee e Zélia Duncan, e gravada por Maria Rita. Em sua memória, teve seu nome perpetuado na Biblioteca Municipal de São João da Boa Vista. Justa homenagem!

Um conhecido me falou: é fácil escrever como você. A maioria de seus artigos são transcrições de outros autores. É verdade. Como leio muito, transcrevo, em socorro de meus textos, vários jornalistas. Quero homenagear esses autores.

Confesso que reli, com enorme emoção, vários desses artigos. Talvez o motivo seja porque estive preso em 64, com muito sofrimento à minha família. Se você, caro leitor, também se emocionou, considero-me realizado com a publicação deste livro!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE


REMINISCÊNCIAS --------------------------------------------------------------------------------------

CARTAS PARA JORNAIS

Em primeiro lugar, embora estejamos nessa parceria e amizade há mais de dez anos, nós não nos conhecemos pessoalmente. A coisa toda começou lá por volta de 2005. Eu, cheio de ser sabidão, mandava cartas para jornais e revistas, sobretudo os paulistas, como o Estadão e a Folha.

Antes de ter computador, ou antes mesmo de ter acesso a um, eu usava carta ou fax. Isso durou uns 3 ou 4 nos. Depois alguém aqui em casa comprou um e aí facilitou minha vida. Foi quando abri minha primeira conta de email. É importante mencionar isto e já explico a razão.

Uma das minhas cartas, esta sobre a corrupção no governo FHC, saiu no Estadão, lá por novembro de 2005, sob o título "A decência de FHC".

Sabem os famosos "trolls"? Então. Já existia uma espécie de protótipo disto. Na manhã da publicação desta carta pelo jornal, fui verificar meus emails no Yahoo. Uma das primeiras mensagens - eu ainda não recebia quase nada - vinha com o titulo, EM CAIXA ALTA, e era assim "SO PODIA SER PETISTA MESMOOOO!!!!!!!!!!" Foi desta forma que soube, logo cedo, que uma de minhas cartas saíra nalgum jornal. Além da opinião e do nome do autor, os jornais publicavam também o nosso endereço de email, quando havia um.

Esta foi apenas uma das mensagens que recebi. Outras, a esmagadora maioria, viriam no mesmo tom. Afinal, conhecemos o público do Estadão - eu ainda mais, já que fui jornaleiro durante vinte anos, até recentemente. Melhor dizendo: à época eu não sabia nada disto. Não sabia que falar de FHC era o suficiente para alguém escrever uma resposta me chamando de "petista". Igual hoje em dia, né? Um rótulo e forma consagrada de desqualificar alguém, com vistas a silenciá-lo. 

Entretanto, uma delas era diferente. Assinada por um sujeito chamado Jasson de Oliveira Andrade. Era assim:

“Humberto: Subscrevo sua opinião exposta hoje no Estado, sob o título “A decência de FHC”. Aproveito a oportunidade para lhe enviar, em anexo, o meu artigo “Palocci e a Convenção tucana”. Abraços, JASSON”

E assim foi minha resposta:

“Olá, Sr. Como vai?
Desculpe a demora em responder.
Agradeço sua atenção e, lamento, ainda não consegui abrir o anexo que Vsa. enviou-me. A verdade é que não sei mexer direito em computador. E, também, não possuo um próprio.
Sabe, acho que pela primeira vez, aqueles que me escrevem por causa de uma carta minha publicada em algum jornal, não foi para me xingar ( rs ).Ah, houve um, esqueci dele.”

Este foi o início das conversas, amizade e parceria entre eu e Jasson de Oliveira Andrade. Jasson lera uma carta minha, publicada no Estadão, e comunicou-se comigo. Foi o único que não me xingou. O resto é história.

Podem crer que vários desses caras que monopoliza(va)m as seções de cartas de jornais também me contataram. Eu nunca respondi, a não ser para pedir que não me mandassem emails que eu jamais solicitara. Afinal, nunca fiz o mesmo que eles, e manitve-me respeitando suas opiniões. 

A PARCERIA

Posteriormente, fui abandonando aos poucos o hábito de enviar mensagens pros jornais e revstas - explicação a seguir - e passei a escrever em blogs. E pedi a Jasson que continuasse me enviando seus artigos, permitindo-me a publicação deles. E seu primeiro texto veio somente em Junho de 2008, sendo postado em meu finado blog "O Cata-Milho". Em seguida, mantive dois blogs ( o outro era o "ENCALHE" ); depois encerrei o "Cata-Milho" ficando apenas com o "ENCALHE"; depois criei o "Correio da Elite", ficando novamente responsável por dois blogs; para, finalmente, encerrar as atividades do "ENCALHE", em meados de 2013. Em comum, todos os blogs contaram com a generosa contribuição de Jasson, desde o começo. 

CONFRARIAS E CENSURAS

Uma das razões que me levou a deixar de enviar cartas para jornais foi a suspeita de que havia uma espécie de censura. Eu notei aos poucos que, por mais cartas que mandasse, elas simplesmente não estavam mais sendo publicadas. Como eu era jornaleiro, tinha acesso diário a leitura dos periódicos. E eu produzia bastante. Então dificilmente me passaria batido. Diariamente fazia uma consulta aos jornais.

No entanto, havia individuos que estavam sempre lá, regularemente, como se fossem colunistas dos jornais. E sempre pendendo para um lado muito específico, politicamente falando.

Aquilo que era apenas uma suspeita minha, passou a ser uma certeza, pois não passou despercebido pelo jornalista Hamilton Octávio de Souza, que assinava as colunas "Espelho da mídia" ( jornal Brasil de Fato ) e "Entrelinhas - a mídia como ela é" ( revista Caros Amigos ). Em diversas vezes ele acusou jornais de selecionarem as cartas de leitores, excluindo, por exemplo, quem criticasse os governos tucanos paulistas. Vejam um exemplo destas denuncias:

"BICADA TUCANA
O jornal Agora, filhote do grupo Folha, adota há algum tempo um método bastante democrático de selecionar cartas de leitores para publicar: a direção censura todas que contenham críticas aos governos municipal e estadual do PSDB. Os jornalistas contam histórias também de reportagens que foram "derrubadas" por ordem de José Serra e de Geraldo Alckmin. Como se pode ver, a fina flor da democracia não aceita nem crítica de jornal empresarial."
BRASIL DE FATO, 01/12/2005

Agora uma informação interessante: embora nem eu nem Jasson tenhamos um dia tocado no assunto em nossas conversas, certa vez o mesmo Hamilton de Souza escreveu o seguinte, numa edição de Caros Amigos, cuja data ou edição eu desconheço:

CARTAS CENSURADAS
Freqüentador assíduo da seção de cartas dos jornais diários, o advogado Jasson Andrade, de Mogi Guaçu, SP, protesta que teve duas cartas censuradas na Folha de São Paulo,ambas relacionadas com o senador Antonio Carlos Magalhães e o deputado federal ACM Neto, do PFL. Segundo Jasson, a mídia exerce verdadeira blindagem sobre esses personagens - nem carta de leitor passa. É o Brasil dos coronéis.

Em dois de maio de 2010, o jornal Diário de São Paulo ( antigo Diário Popular ) publicou uma matéria, à página 4, intitulada "A arte de escrever carta para jornal", sobre "leitores que se especializaram em escrever cartas para jornais".
Como vocês podem adiinhar, inteligentes que são, os personagens retratados ali são exatamente aqueles a que me referi acima, os habitués, os "assíduos". Como eles foram encontrados/recrutados pelo jornal? Oras, pela sua afinidade antipetista, antilulista, ou antiesquerdista, conforme o Diário informava:

"(...) O assunto preferido do grupo é política. O governo Lula é alvo das principais críticas, mas eles afirmam que são apartidários (...)".

Sim, os jornais escolhiam publicar suas cartas por algum tipo de sorte inexplicável. Era tanta sorte reunida que estes leitores, ainda segundo o Diário, "resolveram se reunir em uma confraria, uma sociedade nada secreta [ que ] ... se encontra uma vez por mês e contabiliza a quantidade de cartas que O GRUPO publica por dia [ e ] ... reúne apenas em São Paulo cerca de '40 escrevinhadores', que é como se autodenominam [ e ] ... desde então, os encontros acontecem uma vez ao mês, com direito a almoço, churrasco, caipirinha e JORNALISTAS CONVIDADOS..."

Acaba de me ocorrer que jamais perguntei a Jasson se ele continua enviando estas cartas, já que nunca mais li aquelas seções manipuladas. Uma pequena amostra de como se construir um consenso, correto? Nem a seção de cartas escapa. A preferência dos jornais por aqueles leitores se justificava pelo propósito de se criar uma imagem de insatisfação popular ampla e praticamente unânime contra os governos petistas ( no Brasil ) ou supostamentes esquerdistas ( Chavez ou Evo Morales, na América Latina ), e cuja prova de instatisfação estaria exatamente na manifestação via seção de cartas ( cuidadosamente selecionadas ) de leitores. Os "escolhidos", como se percebeu, eram praticamente os mesmos de todos os dias. O viés já aplicado no noticiário seria adotado ali também, com o objetivo óbvio de influenciar na percepção de outros leitores.

Voltando ao livro: vários dos artigos selecionados na produção do "Defensores" figuram aqui no blog, que são aqueles de interesse geral, abordando a politica no nível nacional ou até mesmo estadual. Basta pesquisar no campo "Busca".

O PRESENTE E O FUTURO

Enfim, cumprimento Jasson por este seu novo trabalho, desejando-lhe sorte e que obtenha o sucesso merecido. Também agradeço sua generosidade por enviar-me dezenas de artigos ao longo dos anos e, também, por me concedido a honra participar deste projeto de alguma maneira, mesmo indireta. Que bom que pegamos a época em que a censura de leitores ainda não havia se estabelecido nas redações. Graças a isso, estabelecemos nossa própria "confraria", da qual muito me orgulho.

Que sejam feitas as homenagens e o coquetel de lançamento.

E que venha o próximo livro.

...























































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