sábado, 30 de julho de 2016

Hillary Clinton, candidata da guerra



Na convenção nacional do Partido Democrático norte-americano foi nomeada como candidata à presidência Hillary Clinton, esposa do ex-presidente Bill Clinton e Secretária de Estado durante o governo de Barack Obama.

A nomeação de Clinton mostra uma tendência à direita do imperialismo norte-americano. Ela recebeu da grande burguesia norte-americana mais de 300 milhões para derrotar a ala esquerda de seu partido nas eleições primárias. Clinton é conhecida por ser uma representante da ala direita do partido, neoliberal e pró guerra. Enquanto ela era Secretária de Estado, responsável pela política externa dos EUA, Clinton apoiou o golpe militar em Honduras dizendo que este era “constitucional”, foi ela uma das responsáveis pela invasão da Líbia que levou ao esfacelamento do País, durante seu mandato de senadora ela votou pela invasão imperialista do Iraque que resultou na efetiva destruição do Estado nacional iraquiano e na morte de milhões e se coloca abertamente em defesa do Estado de Israel no conflito e massacre do povo palestino.

A vitória de Clinton na nomeação mostra que se Clinton vencer, a política dos EUA fará uma acentuada curva à direita, ela é sem dúvida a candidata mais reacionária a concorrer pelo partido nas últimas décadas. Isso é uma amostra de que a burguesia imperialista acuada pela crise econômica e social que tomou todos os países imperialistas só vê como saída a criação de governos de choque contra as suas classes trabalhadoras e contra todos os países atrasados.

Uma presidência de Clinton vai buscar uma ataque militar contra países como Irã, Russia, China, e iria fortalecer a tendência golpista internacional que existe hoje. O Partido Democrático quer apresenta-la como grande defensora das mulheres, dos negros, dos LGBT, trabalhadores etc. O histórico e a política que ela defende mostra que ela é de fato a candidata dos bancos, dos bilionários de Wall Street, ela é a candidata que vai mandar milhões de trabalhadores americanos matar e mutilar dezenas de milhões em países como Irã, é a candidata que vai fazer de tudo para garantir o lucro das corporações parasitárias dos EUA.



Uma pesquisa de opinião divulgada essa semana, encomendada pela NBC News e pelo Wall Street Journal mostra que Hillary Clinton tem a maior rejeição entre eleitores democratas de toda a história durante a Convenção Nacional do partido. Quase tão impopular quanto ela, o único que chegou perto de ter tanta rejeição foi seu marido, Bill Clinton, que acabou revertendo o quadro e elegendo-se presidente, em 1992. A rejeição de Bill Clinton logo antes da Convenção que o nomeou candidato do Partido Democrata à presidência era de 19% dos eleitores democratas. O mais perto que chegaram da rejeição de Hillary, que é de 20%.

Hillary chegou à Convenção para ser nomeada como candidata de um partido profundamente dividido e em crise. Pouco antes da Convenção, o sítio Wikileaks revelou emails entre burocratas do partido mostrando que o aparelho dos democratas tinha trabalhado para beneficiar sua candidatura contra o pré-candidato Bernie Sanders. Durante sua fala na Convenção, Hillary foi vaiada, e Sanders foi chamado de traidor por apoiá-la.

Sanders tinha uma candidatura à esquerda de Hillary, propondo fortalecer sindicatos, aumentar o salário mínimo, saúde pública e ensino superior de graça. Enquanto Hillary é uma das candidatas mais direitistas que os democratas já lançaram, candidata do mercado, de Wall Street, e de uma política externa extremamente intervencionista. Com candidaturas tão diferentes, o partido chegou rachado à Convenção. E diante do fato de que Hillary levou a nomeação com ajuda de um golpe da direção do partido, ela chega com a maior rejeição entre os eleitores democratas da história.

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Por que Hillary Clinton é bem pior que Trump


Entrevista de Ángel Ferrero com Diana Johnstone.

Tradução: Elissandro dos Santos Santana.

N. da R.: A entrevista é de maio, mas ela continua atual.

Diana Johnstone é, talvez, uma das comentaristas da política europeia e estadunidense mais reputada na esquerda. Colaboradora, entre outros, Counterpunch, Johnstone, tornou-se conhecida na Europa por suas críticas à política ocidental durante as guerras nos Balcãs, acaba de publicar um livro sobre Hillary Clinton que tem como título “A rainha do caos”. A entrevistou para lamarea.com Ángel Ferrero.

Os meios estadunidenses têm colocado sua atenção nestas primárias em Donald Trump. Porém, em sua opinião, Hillary Clinton também deveria ser motivo de preocupação. Tem-na descrito como “a rainha do caos”. Por quê?

Trump consegue manchete por que é uma novidade, um homem midiático que diz coisas polêmicas. É visto como um intruso em um espetáculo eleitoral desenhado para transformar Clinton na “primeira mulher presidenta dos Estados Unidos”. Por que a chamo de rainha do caos? Em primeiro lugar, por causa da Líbia. Hillary foi, em grande medida, responsável pela guerra que afundou a Líbia no caos, um caos que se estende até o resto da África e, inclusive, da Europa. Tem defendido mais guerra ao Oriente Médio.

Minha opinião não é que Hillary Clinton “também deveria” ser motivo de preocupação. Ela é o principal motivo para preocupação. Clinton promete apoiar mais a Israel contra os palestinos. Está totalmente comprometida com a aliança de fato entre Arábia Saudita e Israel que tem como objetivo derrocar Assad, fragmentar Síria e destruir a aliança xiita entre Irã, Assad e o Hezbollah. Isto aumenta o risco de confronto militar com Rússia e Oriente Médio. Ao mesmo tempo, Hillary Clinton defende uma política beligerante contra Rússia na fronteira com a Ucrânia. Os meios de comunicação de massas no Ocidente se negam a dar conta que muitos observadores sérios, como, por exemplo, John Pilger e Ralph Nader, temem que Hillary Clinton nos conduza, sem adverti-los, à Terceira Guerra Mundial.

Trump não se ajusta a este modelo. Com seus comentários grosseiros, Trump se desvia, radicalmente, do padrão dos lugares comuns que ouvimos dos políticos estadunidenses. Porém, os meios de comunicação estabelecidos têm sido lentos em reconhecer que o povo estadunidense está completamente cansado de políticos que se ajustam ao padrão. Esse padrão está personificado por Hillary Clinton. Os meios de comunicação europeus têm apresentado Hillary Clinton como a alternativa sensata e moderada ao bárbaro de Trump. No entanto, Trump, o “bárbaro”, está a favor de reconstruir a infraestrutura do país em vez de gastar o dinheiro em guerras no estrangeiro. É um empresário, não um idealista.

Trump afirmou, claramente, sua intenção de por fim à perigosa demonização de Putin para desenvolver relações comerciais com Rússia, o que seria positivo para os Estados Unidos, para a Europa e para a paz mundial. Estranhamente, antes de decidir apresentar-se como republicano, para consternação dos líderes do Partido Republicano, Trump era conhecido como democrata e era a favor de políticas sociais relativamente progressistas, a esquerda dos atuais republicanos ou, inclusive, Hillary Clinton.

Trump é imprescindível. Seu recente discurso em AIPAC, o principal lobby pró-israelense, foi excessivamente hostil com o Irã, e em 2011 caiu na propaganda que conduziu à guerra contra a Líbia, inclusive, sim, agora, retrospectivamente, à crítica. É um lobo solitário e ninguém sabe quem são seus assessores políticos, porém, há esperança de que lance fora da política aos neoconservadores e intervencionistas liberais que têm dominado a política exterior estadunidense nos últimos quinze anos.

Os assessores de Clinton destacam sua experiência, em particular, como secretária de Estado. Muito se tem escrito acerca desta experiência e nem sempre de maneira positiva. Qual foi seu papel na Líbia, Síria e Honduras?

Há duas coisas para dizer sobre a famosa experiência de Hillary Clinton. A primeira é observar que sua experiência não é o motivo de sua candidatura, mas, sim, a candidatura é o motivo de sua experiência. Em outras palavras, Hillary não é candidata devido a que sua experiência maravilhosa tenha inspirado ao povo escolhê-la como aspirante à presidência. É mais correto dizer que acumulou esse currículo justamente para qualificar-se como presidente.

Durante aproximadamente 20 anos, a máquina clintonita que domina o Partido Democrata planejou para que Hillary se transformasse na “Primeira mulher presidenta dos Estados Unidos” e sua carreira foi desenhada com esse propósito: em primeiro lugar, senadora de Nova Iorque, depois, secretária de Estado.

O segundo diz respeito ao conteúdo e à qualidade dessa famosa experiência. Tem se obstinado em demonstrar que é forte, que tem potencial para ser presidenta. No Senado votou a favor da guerra do Iraque. Desenvolveu uma relação muito próxima com o intervencionista mais radical de seus colegas, o senador republicano pelo Arizona, John McCain. Uniu-se aos chauvinistas religiosos republicanos para apoiar medidas para fazer com que queimar a bandeira estadunidense fosse um crime federal. Como secretária de Estado trabalhou com “neoconservadores” e, essencialmente, adotou uma política neoconservadora utilizando o poder dos Estados Unidos para redesenhar o mundo.

No que diz respeito a Honduras, sua primeira importante tarefa como secretária de Estado foi proporcionar cobertura diplomática para o golpe militar de direitas que derrubou o presidente Manuel Zelaya. Desde então, Honduras se transformou na capital com mais assassinatos do mundo. Com relação à Líbia, persuadiu ao presidente Obama para derrubar o regime de Gaddafi utilizando a doutrina de “responsabilidade para proteger” (R2P) como pretexto, baseando-se em falsas informações. Bloqueou ativamente os esforços de governos latino-americanos e africanos para mediar, e, inclusive previu os esforços da inteligência militar estadunidense para negociar um compromisso que possibilitasse a Gaddafi ceder o poder pacificamente.

Continuou essa mesma linha agressiva com a Síria, pressionando ao presidente Obama para que incrementasse o apoio aos rebeldes anti-Assad e inclusive para impor uma “zona de exclusão aérea” baseada no modelo líbio, arriscando-se a uma guerra com a Rússia. Caso se examine com atenção, sua “experiência” mais que qualifica-la ao posto de presidenta, desqualifica-a.

Como secretária de Estado, Clinton anunciou em 2012 uma “articulação” à Ásia oriental na política exterior estadunidense. Que tipo de política nós poderíamos esperar de Clinton em relação à China?

Basicamente, esta “articulação” significa um deslocamento do poder militar estadunidense, em particular, naval, desde Europa e Oriente Médio ao pacífico Ocidental. Supostamente, porque devido ao seu crescente poder econômico, a China há de ser uma “ameaça” potencial em termos militares. A “articulação” implica a criação de alianças antichinesas entre outros Estados da região, o que com toda probabilidade incrementará as tensões, e cercando a China com uma política militar agressiva a empurra efetivamente para uma corrida armamentista. Hillary Clinton aposta em sua política e se chegasse à presidência, a intensificaria.

Clinton disse em 2008 que Vladimir Putin não “tem alma”. Robert Kagan e outros “intervencionistas liberais” que desempenharam um papel destacado na crise da Ucrânia a apoiam. Sua política em direção a Rússia seria de um maior enfrentamento que a dos outros candidatos?

Sua política seria claramente de um maior confronto em relação à Rússia que as de Donald Trump. O oponente republicano de Trump, Ted Cruz, é um fanático evangélico de extrema direita que seria tão prejudicial como Clinton, ou, talvez, pior. Compartilha da mesma ideia semirreligiosa de Clinton no papel “excepcional” dos Estados Unidos para modelar o mundo à sua imagem. Por outra parte, Bernie Sanders se opôs à guerra do Iraque. Não tem falado muito de política internacional, porém seu caráter razoável sugere que seria mais sensato que qualquer dos demais.

Os assessores de Clinton tratam de destacar seu intento de reformar o sistema sanitário estadunidense. Foi essa a intenção de reforma realmente um avanço e tão importante como dizem que foi?

Em janeiro de 1993, poucos dias depois de assumir a presidência, Bill Clinton mostrou sua intenção de promover a carreira política de sua esposa nomeando-a presidenta de uma comissão especial para a reforma do sistema nacional de saúde. O objetivo era levar a cabo um plano de cobertura sanitária, baseado no que se denominou de “competitividade gestora” entre empresas privadas. O diretor dessa comissão, Ira Magaziner, um assessor muito próximo de Clinton, foi quem desenhou o plano. O papel de Hillary era vender politicamente o plano, especialmente ao Congresso. E nisso fracassou por inteiro. O “plano Clinton” de umas 1.342 páginas foi considerado demasiado complicado de entender e a mediado de 1994 perdeu praticamente todo o apoio político. Finalmente, encerrou-se no Congresso.

Respondendo à pregunta, o plano basicamente não era seu, mas de Ira Magaziner. Como havia de depender das seguradoras particulares voltadas para o benefício, como ocorre com o Obama Care, certamente não era um avanço, como é o sistema universal que Bernie Sanders defende.

A campanha de Clinton recebeu notoriamente dinheiro de vários fundos de rede. Como acredita que poderia determinar sua política econômica se consegue chegar à Presidência?

Quando os Clinton abandonaram a Casa Branca, em janeiro de 2001, Hillary Clinton lamentou estar “não somente quebrado, mas em dívida”. Isso mudou logo. Falando figuradamente, os Clinton se mudaram da Casa Branca a Wall Street, da presidência ao mundo das finanças. Os banqueiros de Wall Street compraram uma segunda mansão para os Clinton no Estado de Nova Iorque (que se somou à que têm em Washington DC) emprestando-lhes primeiro o dinheiro e, depois, pagando-lhes milhões de dólares para dar palestras.

Suas amizades no setor bancário lhes permitiram criar uma fundação familiar agora valorada em dois bilhões de dólares. Os fundos da campanha procedem de fundos de investimento amigos que colaboraram de bom agrado. Sua filha, Chelsea, trabalhou para um fundo de investimento antes de se casar com Marc Mezvinsky, quem criou seu próprio fundo de investimento depois de trabalhar para Goldman Sachs.

Em poucas palavras, os Clinton se submergiram por completo no mundo das finanças, que se converteu em parte de sua família. É difícil imaginar que Hillary se mostrasse tão ingrata como para levar a cabo políticas contrárias aos interesses de sua família adotiva.

Diz-se que a política de identidade é outro dos pilares de sua campanha. Quem apoia Clinton afirma que votando nela se quebrará o teto de vidro e que, pela primeira vez na história, uma mulher entrará na Casa Branca. A partir de vários meios, tens protestado contra esta interpretação.

Uma razão fundamental para que se desse a aliança de Wall Street com os Clinton é que os autoproclamados “novos democratas” encabeçados por Bill Clinton conseguiram mudar a ideologia do Partido democrata da identidade social à igualdade de oportunidades. Em vez de lutar pelas políticas tradicionais do novo acordo que tinham como objetivo incrementar os estandartes de vida da maioria, os Clinton lutam pelos direitos das mulheres e das minorias a “ter sucesso” individualmente, a “quebrar tetos de vidro”, avançar em suas carreiras e enriquecer-se. Esta “política de identidade” quebrou a solidariedade da classe trabalhadora, fazendo com que as pessoas se centrassem na identidade étnica, racial ou sexual. É uma forma de política do “divida e vencerás”.

Hillary busca persuadir as mulheres mostrando-lhes que sua ambição é a de todas elas e que votando nela, estão votando por elas mesmas e pelo sucesso futuro. Este argumento parece funcionar melhor entre as mulheres de sua geração que se identificaram com Hillary e simpatizaram com o apoio leal a seu marido, apesar de seus flertes. Porém, a maioria das jovens estadunidenses não se deixa levar por este argumento e busca motivos mais sólidos na hora de votar. As mulheres deveriam trabalhar juntas pelas causas das mulheres, como, por exemplo, pelo mesmo salário e pelo mesmo trabalho, ou a disponibilidade de orfanatos para as mulheres trabalhadoras. Mas Hillary é uma pessoa, não uma causa, Não há nenhuma prova de que as mulheres, em geral, tenham se beneficiado no passado por terem uma rainha ou uma presidenta. E mais, ainda que a eleição de Barack Obama tenha deixado os afro-americanos felizes por motivos simbólicos, a situação da população afro-americana tem piorado.

Mulheres jovens, como Tulsi Gabbard ou Rosario Dawson, consideram que colocar fim a um regime de guerras e mudanças de regime e proporcionar a todo o mundo uma boa educação e saúde são critérios muito mais significativos na hora de escolher um candidato.

Por que as minorias seguem apoiando Clinton em vez de apoiar a Sanders?

Está mudando. Hillary Clinton ganhou o voto negro nas primárias nos Estados do sul profundo. Foi no começo da campanha, antes que Bernie fosse conhecido. No sul profundo, muitos afro-americanos estavam desencantados porque muitos deles estavam na prisão ou haviam estado na prisão, e a maioria de votantes é de mulheres mais velhas que vão regularmente à igreja, onde escuta os pregadores pró-Clinton, não o que se diz na internet.

No norte as coisas são diferentes, e a mensagem de Sanders está conseguindo estender-se. O apoia a maior parte de intelectuais afro-americanos e de afro-americanos do mundo do entretenimento. Esta é a primeira eleição presidencial onde a internet desempenha papel chave. Especialmente a população jovem que não confia nos meios de comunicação estabelecidos. É suficiente ler os comentários dos leitores estadunidenses na internet para dar-se conta de que Hillary Clinton é considerada amplamente como uma mentirosa, uma hipócrita, uma belicista e um instrumento de Wall Street.

Como vês a campanha de Bernie Sanders? É vista como a esperança da esquerda, porém, após a presidência de Obama também há certo ceticismo. Alguns comentaristas sinalizaram seu apoio a intervenções militares estadunidenses no passado.

À diferença de Obama, quem prometeu uma “mudança” vaga, Bernie Sanders é bem concreto na hora de falar das mudanças que se tem que fazer na política doméstica. E insiste em que ele sozinho não pode fazê-lo. Sua insistência no fato de que se precisa de uma revolução política para conseguir suas metas está realmente inspirando o movimento de massas que necessitaria. É suficientemente experiente e teimoso para evitar que o partido o rapte como ocorreu com Obama.

Enquanto à política exterior, Sanders se opôs firmemente e, de maneira racional, à guerra de 2003 no Iraque, porém como a maior parte da esquerda se deixou levar pelos argumentos a favor das “guerras humanitárias”, como a desastrosa destruição da Líbia.

Mas, este tipo de desastre tem começado a educar as pessoas e, talvez, tenha servido de lição para o próprio Sanders. As pessoas podem aprender. Podem ouvir entre os que lhe apoiam, a antibelicistas como a congressista Tulsi Gabbard do Havaí, que apresentou sua demissão no Comitê Nacional Democrata para apoiar Sanders. Há uma contradição óbvia entre o gasto militar e o programa de Sanders para reconstruir EEUU. Sanders oferece uma maior esperança porque vem com um movimento novo, jovem e entusiasta, enquanto Hillary vem com o complexo militar-industrial e Trump vem com ele mesmo.

Atualmente vive na França. Como vê a situação no país? Que explica a subida da Frente Nacional, paralelamente a outras forças da nova direita (ou nacional-conservadoras)?

Os partidos estabelecidos seguem as mesmas políticas impopulares na Europa e nos EUA e isso, naturalmente, leva o povo a buscar algo diferente. O controle local dos serviços sociais se sacrifica a necessidade de “atrair investidores”, em outras palavras, a dar ao capital financeiro a liberdade de modelar sociedades, dependendo de suas opções de investimento. A desculpa é que atraindo investidores se criarão empregos, porém isso não ocorre. Posto que a chave destas políticas é romper com as barreiras nacionais para permitir ao capital financeiro ganhar acesso, é normal que o povo vá aos chamados partidos “nacionalistas” que asseguram querer restaurar a soberania nacional. Como na Europa sobrevivem os fantasmas do nazismo, “soberania nacional” se confunde com “nacionalismo”, e “nacionalismo” se equipara com guerra. Estas suposições fazem com que o debate na esquerda seja impossível e termine favorecendo aos partidos de direita, que não sofrem deste ódio ao Estado nacional.

Em vez de atuar com horror à direita, a esquerda necessita ver as questões que afetam realmente o povo, com clareza.

No passado, tem criticado à esquerda (ou a uma parte considerável dela) por apoiar as chamadas “intervenções humanitárias”. Que opina da “nova esquerda” ou “nova nova esquerda” em países como Grécia e Espanha?

A propaganda neoliberal dominante justifica a intervenção militar por motivos humanitários, para “proteger” o povo de “ditadores”. Esta propaganda teve muito êxito, especialmente, na esquerda, onde, com frequência, se aceita como uma versão contemporânea do “internacionalismo” da velha esquerda, quando na realidade é todo o oposto: não se trata das brigas internacionais e seu idealismo combatendo por uma causa progressista, mas do Exército estadunidense bombardeando países em nome de alguma minoria que pode acabar revelando-se como um grupo mafioso, ou terroristas islâmicos.

Honestamente, acredito que este livro é um aporte à crítica da política intervencionista liberal, e lamento que não esteja disponível em espanhol, ainda que existam edições em inglês, francês, italiano, português, alemão e sueco.

Fonte: Katehon.
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Imprensalão bandido do Brasil insiste em requentar "sítio de Lula" pela absoluta falta de novidades


ESTADO DE SÍTIO

Não se enganem.

A mídia só está insistindo ferozmente nesse inquérito do sítio de Atibaia porque, depois de revirarem tudo sobre a vida de Lula, nada acharam de novo contra ele.

Esse deserto de novidades, mesmo com a obsessão do juiz Sérgio Moro, é que está mantendo essa cobertura patética sobre reforma de cozinha e pedalinhos sobre o lago azul.

E, agora, vem a delação de Marcelo Odebrecht, que promete jogar merda no ventilador contra PSDB e PMDB - ou seja, no núcleo do golpe.

Capaz de a Globo criar o cargo de correspondente em Atibaia, para contornar esse tsunami.


LEANDRO FORTES, no Facebook

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BASTA!

O juiz Ricardo Leite, tão compreensivo com os fraudadores bilionários da Operação Zelotes, decidiu transformar Lula em réu sem ao menos apreciar a defesa do ex-presidente.

Isso, diante do mundo, logo depois de a ONU ter sido notificada dessa perseguição absurda, abjeta e desumana contra Lula, por meio desse nosso vergonhoso sistema judicial.

Um sistema cada vez mais demandado e controlado pela mídia. Por esses barões que têm como serviçais a pior e mais vil geração de jornalistas da história da imprensa brasileira.

Nesse dia 31, amanhã, domingo, nós, os brasileiros e brasileiras decentes, de todas as classes e ideologias, temos que ir às ruas contra a barbárie que está sendo levada a cabo por essa asquerosa elite nacional - golpista, sórdida, ignorante.

Não é só dizer "Fora Temer".

É gritar: "Basta!".

LEANDRO FORTES, no Facebook




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"Limpeza" que coxinhas e paneleiros ajudaram a promover tem raízes históricas




A "limpeza" que coxinhas e paneleiros ajudaram a promover tem, literalmente, seus precedentes históricos. A história se repete de forma linda. Os ratos tomaram conta, o que é bem a cara dos coxinhas. 
Como se sabe, honestidade e decência não são o forte dos coxinhas. Eles são, na verdade, corruptos que ainda não tiveram uma oportunidade de roubar também. Por isso são tão invejosos e ressentidos. 
Alguns, na falta de chances de cometer algum ato corrupto que lhe garanta alguns rendimentos, se conformam em estacionar em local proibido, andar acima da velocidade permitida, deixar o carro na calçada e reclamar em jornais e redes sociais da "Indústria da Multa".

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GRINGOS ARRANCAM A VERDADE Em entrevista, Temer acaba confessando que afastamento de Dilma é mesmo golpe



VIGARISTA SALAFRÁRIO ASSUME QUE É MESMO UM GOLPE DE ESTADO

Diz o criminoso vigarista de nome Judas Temer:

"– Essa questão do impeachment no Senado não depende da nossa atuação. Depende da avaliação política, não uma avaliação jurídica – que o Senado está fazendo. Nós não temos e não poderíamos ter influência nesse processo – afirmou."

A entrevista do delinquente foi feita hoje com representantes da imprensa internacional.

O criminoso e golpista salafrário assumiu de vez que é golpe de estado.

Jamais, nunca e em nenhuma circunstância se pode derrubar um prefeito, governador ou presidente da república se estes não cometeram nenhum crime. E este é o caso de Dilma Rousseff.

Dizer que é apenas uma 'avaliação política e não jurídica' é chancelar que se trata indelevelmente de um golpe de estado.

O facínora, com aquela cara de filho do diabo que lhe é peculiar, acaba de confessar perante o mundo inteiro que é cúmplice e articulador primeiro do golpe de estado.

DIOGO COSTA, no Facebook

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sexta-feira, 29 de julho de 2016

O paulistano é o lobo do lobo paulistano mais fraco


Basta sair às ruas pra ficar com vontade de processar por propaganda enganosa o gajo que inventou a frase "Existe amor em São Paulo". Aqui o lance é pisar no pescoço do outro. E isso, evidentemente, também se reflete e materializa nas decisões eleitorais. Mas o ideal seria preceber isso nos outros 3 anos e 10 meses em que não tem eleição. Ou melhor, 1 ano e 10 meses, já que temos eleições a cada 2 anos.

Reclama-se que religioso vive de ilusão, mas acreditar em alguma bondade natural no paulistano, de um modo geral, é pior que acreditar em unicórnio. Bondade é mais do que pagar cerveja pra alguém no balcão do bar, ou informar a localização de uma rua, pois isso não dá muito trabalho. É camaradagem, só isso. E interessada, pois quem informa endereço pensa que, no futuro, necessitará de uma informação também.

Agora, vai você, por exemplo, falar numa padaria na Moóca sobre incêndio em favela, pra ver como a coisa de fato é.

Eu falei Moóca, mas pode ser Vila Prudente, Vila Mariana, Tatuapé, Ipiranga.

Conhecer meia dúzia de abnegados e generosos em nossa jornada, em meio aos milhões de Norman Bates que nos circundam é muito pouco. O paulistano é o lobo do lobo paulistano mais fraco. E dos poucos que não são lobos.

Fim da inocência.

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Tucanos como José Serra e Aécio podem matar a mãe por causa da mistura e nunca irão pagar pelos crimes



José Serra é réu em 18 processos; FHC é réu em outros tantos; Aécio é réu (se livra com a ajuda de Gilmar Mendes); Temer é réu; Aluísio é réu; Alckmin é réu; Caiado é réu, Renan é réu; Cunha é réu.

Todos por crimes gravíssimos.

Lula é réu com a acusação máxima de tentar obstruir a Justiça (acusação vinda da boca de um delator acusado de crimes também graves).

Mas você só enxerga que Lula. Sua sanha e desejos é com Lula.

Sua vingança é Lula.

Você estudou e nunca alcançou porra nenhuma, é empregadinho. Por isso, seu ódio é Lula.

Você é apenas um tarado burro.

Triste a gente falar isso a um amigo.

TÚLIO NORTE, no Facebook

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PLANETA SOB AMEAÇA TOTAL Vença Hillary ou Trump, o mundo não tem nada a comemorar, mas ainda assim Trump parece 1% menos ameaçador, apesar de ser um lunático


A política externa de Donald Trump

Establishment de Washington zomba do candidato republicano — rejeitado até por setores de seu partido. Mas sua proposta de rever posição agressiva dos EUA no mundo merece ser examinada atentamente

Por Vinicius Gomes Melo

Na semana em que o magnata conseguiu passar todos os limites (até mesmo para ele) ao incentivar hackers russos a invadirem os servidores do e-mail pessoal de Hillary Clinton, o tema “política externa” voltou a ser pauta e na corrida presidencial norte-americana e poderá desempenhar papel decisivo na escolha de quem ocupará a Casa Branca a partir de 2017.

Depois de sua declaração bombástica, o Partido Democrata não deixará tão cedo de ligar a imagem do candidato republicano à do premiê russo Vladimir Putin – a quem está recaindo a culpa sobre o recente vazamento do WikiLeaks – tudo por conta desse “convite” para que uma potência estrangeira lançasse uma operação de espionagem cibernética contra a possível próxima presidenta dos Estados Unidos.

Porém, entre todas as suas bravatas xenofóbicas, chiliques narcisistas e atitudes dignas de um moleque briguento no pátio da escola, há um assunto que Donald Trump já expôs um raro vislumbre de bom senso – ainda que enviesado: a política externa dos Estados Unidos.

Trump já vinha sendo acusado de adotar um comportamento amigável demais para com a Rússia: “Eu quero um relacionamento melhor com todos [os países], e com a Rússia. Se nós pudermos nos dar bem com a Rússia, isso será muito bom”, dissera ele, e que “ele se daria bem com Putin”.

Talvez, para aqueles que lidam com a política externa do país, deixar de ter Putin como um inimigo seja um pecado ainda maior do que a construção de um muro na fronteira com o México ou impedir que muçulmanos viajassem para os EUA, pois eram todos “terroristas em potencial”.

Poucos dias atrás, ele declarou que não mobilizaria a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para defender os países da Europa de uma hipotética invasão russa, a não ser que seus países membros estivessem pagando bem para ter os EUA como leão-de-chácara da Europa.

Essa, todavia, não foi a primeira vez que Trump deixava claro que não era tão fã da Otan, a principal aliança militar criada durante a Guerra Fria e ainda utilizada para manter as garras do temível Urso Russo longe dos outros países europeus.

“Eu acho que a Otan é obsoleta. Ela foi criada numa época em que havia a União Soviética, que era obviamente muito maior que a Rússia é hoje”, disse ele, durante um debate, em março deste ano.

À época, o colunista Stephen Cohen escreveu no The Nation que, “não importa o que se pense de Donald Trump como candidato presidencial, sua visão de política externa deveria ser bem recebida”.

Ainda que suas visões não fossem tão bem estruturadas, Cohen argumentou que, pelo menos, tais visões “desafiam as práticas e princípios bipartidárias (republicanos neoconservadores e democratas liberais) que norteiam a política externa em Washington desde a década de 1990 – e com resultados desastrosos”.

Segundo ele, essas políticas incluem “a premissa que os EUA são a única e indispensável superpotência que tem o direito de intervir quando bem entender, seja militarmente ou com mudança de regimes, e utilizando a Otan como sua própria Nações Unidas”.

Assim como também escreveu o comentarista politico Doug Bandow, na Forbes, “as pessoas de sempre que lidam com a política externa em todos os governos, republicanos e democratas, acreditam que os EUA devem intimidar todos adversários, lutar todas as guerras, defender todos os aliados, forçar a paz e solucionar todos conflitos”.

O principal argumento daqueles que defendem que os EUA continuem agindo como o xerife do mundo é a instabilidade internacional que supostamente assolaria o mundo se não fosse a vigia inabalável de Washington.

Todavia, os anos recentes mostram – do Iraque à Líbia, da Ucrânia à Síria, o aumento do terrorismo, a crise de refugiados que só aumenta e uma nova Guerra Fria contra a Rússia – que os Estados Unidos e a Otan são muito mais incendiários do que bombeiros.

No final de 2013, uma pesquisa indicou que para 68% dos entrevistados ao redor do mundo, com 66 mil pessoas em 68 países, conduzida pela Worldwide Independent Network of Market Research (WINMR) e Gallup International, a população mundial enxerga os EUA como a mais significante ameaça no planeta. Os EUA foram eleitos com uma larga margem (24%), enquanto em segundo lugar ficou o Paquistão (8%), seguido da China (6%). Afeganistão, Irã, Israel e Coreia do Norte empataram no quarto lugar (4%).

Obviamente, a crise na Ucrânia ainda não havia estourado, muito menos aconteceria umrevival da Guerra Fria, mas ainda sim é possível encontrar análises (essa e essa) sugerindo que Donald Trump não está de todo incorreto e que política externa norte-americana – não importando quem ocupe a Casa Branca – precisa sair do século 20, mesmo que isso signifique ser acusado ou acusada de isolacionista.

Certamente, os civis que ainda não viraram estatística de dano colateral nos ataques por drone na Somália, Iêmen, Paquistão e Afeganistão, ficariam agradecidos se os EUA se isolassem um pouco do resto do mundo.

Republicanos votando na Democrata

Não à toa que muitos neoconservadores da gema do Partido Republicano, que chegaram a fazer parte do movimento dissidente “Never Trump”, disseram que poderiam votar em Hillary Clinton.

“Acho que estou mais próximo de Hillary Clinton do que de Donald Trump, quando o assunto é política externa, e talvez comércio”, disse William Kristol, editor da neoconservadora Weekly Edition.

Kristol é alguém que ainda acredita que a invasão ilegal ao Iraque foi justa e que se recusa a acreditar que os EUA tenha intervindo, direta ou indiretamente, em 72 países soberanos desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Ou seja, para saber para que lado fica o bom senso, basta tomar como norte a posição contrária dele.

Mas apesar de ser sugestivo observar que um republicano neoconservador intervencionista e belicoso dessa estirpe preferir votar na candidata do partido rival, Kristol não está sozinho no descontentamento com a visão de política externa de Trump.

Nesta quinta-feira (28), o Politico publicou um artigo afirmando que muitos profissionais em política externa do Partido Republicano “acreditam que Trump é um perigo maior para a segurança nacional dos EUA do que Clinton – e muitos deles dizem que votarão nela”.

De acordo com Michael Hirsch, autor do artigo, “pela primeira vez, possivelmente desde [a guerra do] Vietnã, o Partido Democrata agora é o partido que tem a expertise da segurança nacional – não apenas em seu próprio discurso, mas também aos olhos de especialistas no assunto em ambos os partidos”.

Entretanto, não é de hoje que Hillary é vista como uma “gavião” em pele de Democrata.

Em Washington, as figuras políticas são separadas em “gavião” e “pomba”, quando o princípio é o intervencionismo. Sendo que há muito tempo são os republicanos que vestem a penugem da ave predadora.

Um clássico exemplo foi a questão da invasão do Iraque durante as primárias democratas que escolheram Barack Obama como o candidato do partido.

Em 2002, Hillary foi a favor da invasão ilegal ao Iraque. Já em 2008, durante um debate,ela assumiu seu erro – não por ter votado a favor da guerra, mas por ter confiado em George W. Bush. “Eu acredito em diplomacia coercitiva”, disse ela.

“Não há diplomacia coerciva sem coerção”, escreveu o colunista Christopher Caldwell noFinancial Times. “Você não pode blefar em todas as mãos […] A concepção de Hillary sobre o poder dos EUA está ultrapassada, pois ela reside na disposição em interferir nos processos internos de países soberanos”.

Nesta quarta-feira (27), o comentarista internacional Micah Zenko escreveu na Foreign Policy que depois de inúmeras conversas com militares estacionados no Afeganistão e Paquistão, Hillary era de longe, a civil mais bem preparada nas reuniões e teleconferências.

“Eles contaram que Clinton possuía um entendimento íntimo com a doutrina militar, as siglas que o Pentágono utiliza, e os princípios de preparação militar”.

É por isso que o colunista alerta: “É impossível saber quais crises internacionais surgirão nos próximos naos, mas aqueles que votarem nela, devem estar cientes que Hillary lidará com tais crises tendo um longo histórico de apoiar e expandir intervenções militares”.

Mas o contrário também é verdadeiro. Apesar de toda estigma neoconservadora que o Partido Republicano carrega (e com justiça), é em uma de suas fileiras que o discurso de não-intervenção costuma fazer eco, muito mais que no liberal Partido Democrata.

Chamada de ala “libertária”, políticos como Dennis Kucinich e Ron Paul são alguns exemplos. Do lado do Partido Democrata, o maior exemplo seria Elizabeth Warren, senadora de Massachussets, que inclusive chegou a ser cogitada para entrar na chapa democrata com Hillary.

Trump “paz e amor” para o mundo?

Nada poderia estar mais longe disso.

Trump já disse abertamente que apoia a tortura (“simulação de afogamento seria uma brincadeira de criança“), apoiava assassinar as esposas e filhos de terroristas e, como escreveu Zenko, Trump é um grande fã de intervenções militares, “desde que elas não custem dinheiro”.

Mas como o The Nation escreveu à época, “o que Trump fez, da sua maneira, foi dar um pé na porta sobre uma importante e fundamental debate da política externa”, fazendo a simples pergunta “é do interesse dos EUA?”

De qualquer maneira, seja alguém com o ego do tamanho que Donald Trump tem, que não leva desaforo para casa e que está a um telefonema distante dos códigos de lançamento de mísseis nucleares; ou uma pessoa como Hillary Clinton, que tem a familiaridade e disposição para antagonizar e intervir militarmente em outros países, o resto do mundo não tem muito a comemorar, a princípio, com quem conquistar a presidência dos EUA no dia 8 de novembro.


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ESCALADA DE "ACIDENTES" A fúria assassina da especulação imobiliária na cidade de São Paulo


Segundo o Corpo de Bombeiros, foram pelo menos cem incêndios em favelas da cidade de São Paulo esse ano, alguns deles com registro de mortes. O altíssimo número de incêndios em um período curto de tempo, por si só, já demonstra que não estamos diante de acidentes.

Não seria isso uma forma de apropriar-se de áreas altamente lucrativas para a especulação imobiliária? De expulsar os trabalhadores para as localidades mais distantes, o que gera maior lucratividade para a burguesia em geral?

Incêndios recentes como o da favela Alba, que resultou na morte de um garoto de 11 anos, ou no Grajaú, ou na Vila Maria na Zona Norte, que resultou na morte de duas pessoas, todos no mês de julho, foram todos com causas não identificadas ou suspeitas.

Fica claro que os especuladores imobiliários, as grandes construtoras, tem profundos interesses em expulsar esta população para longe da cidade, bem como apropriar-se destes terrenos para promover uma valorização excessiva e artificial para seus emprendimentos. Promover incêndios assassinos para expulsar a população, para depois algum investidor ou empresa reivindicar a propriedade do local não seria nada espantoso para esses parasitas que acumulam capital sobe a base da opressão e exclusão dos mais pobres.

Não é de se espantar que o número de incêndios tenha crescido exponencialmente este ano, trata-se da ofensiva da direita golpista que incentiva estes crimes, bem como o apoio que o governo golpista é para estes setores.


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ELEIÇÕES 2016 Mera formalidade


Dá até pena de ver algumas pessoas já declarando voto ou brigando por eleição pra prefeito em outubro. Será que não sabem que agora não basta simplesmente o candidato vencer a eleição?

Ele tem que torcer para que suas pedaladas tenham o mesmo valor que as pedaladas dos tucanos - sim, existe distinção entre pedalada tucana e pedalada dos demais, da "renca".

E ainda também tem que cair nas graças de promotores públicos, pra que estes não façam o possivel e o impossível para inviabilizar sua gestão. Senão, além de vereadores contrários, ele terá que enfrentar a oposição aberta de promotores que não gostam dele.

Onde se lê "não gostam dele", leia-se "votaram no outro, no candidato tucano"

Tudo bem, eu posso acabar mordendo a língua e apenas UM único caso específico - e direcionado - de pedaladas terminar em abate. Mas não refresca muito. Esse único abate servirá de parâmetro e base. Outros casos específicos e direcionados deverão ocorrer no futuro.

Se seu candidato inaugurar mais ciclovias que o "permitido", é certeza que não terá paz. Por outro lado, dependendo de quem for, ele poderá enterrar BILHÕES num obra viária com a promessa de que "resolverá tudo" para, pouco menos de seis meses após inaugurada, a obra ter sido inútil, e a via completamente congestionada novamente. O fato de uma construtora vinculada ao Carlinhos Cachoeira participar da obra não é nenhuma agravante, tenham isso também em mente.

E ainda no campo do "dependendo de quem for", a sua agenda poderá estar em branco que não tem problema nenhum. O risco é sempre dos outros. Ou do outro. Até no rádio vão falar disso.

Sim, ele poderá até mesmo completar o mandato. Mas terá sido desgastante. E toda essa oposição ativista de promotores terá sido, é bom lembrar, insuflada e acompanhada com bastante diligência e atenção pela imprensa. Que também terá feito oposição durante todo seu mandato, já ia esquecendo de mencionar isto. Assim, mesmo completado o mandato, ele terá sua imagem arranhada a ponto de não se reeleger ou de não conseguir emplacar o sucessor. Muitas vezes os investimentos são feitos com vistas no longo prazo e não no curto. Isso também vale pra politica. Se nosso adversário cair, melhor. Se não, a gente vai sangrando ele até a próxima eleição. Dali ele não passa.

Se votar num tucano, você não corre o risco de ter seu voto rasgado por terceiros e usurpadores. Seu voto vale mais que o de muitos.

Parabéns. Que outro trensaleiro e/ou furnaleiro você planeja eleger em outubro?

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Cerco a Lula e cumplicidade escancarada com tucanos como Aécio e Serra é um emblema daquilo que imprensa brasileira se tornou


O governo de usurpação nacional vai mal, Temer não engana ninguém, a farsa do impeachment está mais do que desmontada, Lula lidera pesquisas para as eleições presidenciais de 2018. O que fazer

Fácil: voltar ao sítio.

Folha e Estadão apresentam hoje manchetes quase iguais ("Lula orientou empreiteira em reforma de sítio, diz PF"; "PF diz que Lula e Marisa orientaram obra em sítio"). Manchetes sustentadas em informações que apenas reprisam outras, já antigas. Mas é claro que a manchete não obedece a critério jornalístico.

O critério é político. Está na hora de pegar a baleia branca. O cerco a Lula volta a crescer e, novamente, coloca-se no horizonte a sua prisão. Imprensa, PF e Poder Judiciário retomam suas jogadas ensaiadas. O golpe, convém não esquecer, é parlamentar, mas também midiático, judicial, policial e empresarial.

O que os casos do sítio e do apartamento até agora provam, sem margem de dúvida, é que Lula mantinha um compadrio com grandes empresas que é indigno de um líder político popular. Isso nem é surpresa. Mas, sobretudo, não constitui crime. Lula tem apresentado explicações e documentos sobre os dois casos. Se são suficientemente convincentes, cabe analisar, mas ele os está apresentando - ao contrário de Aécio, de Temer, de Alckmin, de Serra e de tantos outros, que a cada novo escândalo retiram da gaveta a mesma declaração de que "nada é verdade" e isso parece bastar para os jornalistas, policiais e juízes.

O cerco a Lula é um emblema daquilo que a imprensa brasileira se tornou. Ela não é simplesmente enviesada, partidária ou mesmo manipuladora. Ela age de forma criminosa contra a democracia e contra os direitos fundamentais.

LUIS FELIPE MIGUEL, no Facebook

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quinta-feira, 28 de julho de 2016

CALUNIADOR ENQUADRADO Tucano Marco Antonio Villa, da Jovem Pan, toma processo ( tardio ) de Lula e diz que só tem boas intenções no coração



A plutocracia brasileira não é apenas corrupta, predadora e compulsivamente golpista.

É também brutalmente hipócrita.

Um pequeno grande exemplo é o de pseudo-historiador Marco Antônio Villa. Villa foi um dos nomes recrutados pelas companhias de mídia em seu jornalismo de guerra contra o PT.

Do nada a que pertencia por mérito Villa se tornou um comentarista multimídia: rádio, tevê, jornal, internet. Sempre com uma função: agredir o PT, particularmente Lula.

Villa se tornou uma fábrica de injúrias e difamações, com sua vozinha fina como a de Moro e sua completa inconsequência em acusar sem provas.

Depois de uma eternidade, Lula fez o que deveria ter feito há muito tempo: processou Villa. Onde as provas?

Soube hoje que Villa recorreu a uma manobra jurídica para escapar de Lula. Até aí, tudo bem.

O extraordinário, pelo despudor canalha, é a argumentação de Villa na peça. Ele afirma que não teve a intenção de “enxovalhar” a imagem de Lula.

Quem acredita nisso acredita em tudo, na grande frase de Wellington.

Um juiz sensato deveria rechaçar o pleito de Villa apenas por causa daquela mentira cínica.

Qual foi sua intenção ao chamar Lula cotidianamente de barbaridades como chefe de quadrilha e réu oculto do Mensalão? Promover Lula? Melhorar sua estoestima? Elevar o nível do debate político nacional?

Villa só não destruiu Lula porque é insignificante.

É o farisaísmo o que mais incomoda em Villa e na direita. Seria mais honesto e transparente a Globo, a Veja, a Folha dizerem: “Perseguimos Lula porque ele se preocupa com os pobres e, se depender dele, nossas mamatas estão em risco.”

Esta é a verdade real.

Eduardo Cunha, por exemplo, sempre foi um conhecido larápio na política. Mas a mídia jamais se incomodou com isso, mesmo quando ele ganhou o vital posto de presidente da Câmara. Um ladrão na linha de sucessão presidencial: e daí?

Mas ele foi preservado e protegido pela imprensa porque é um fâmulo da plutocracia. Roubou para si, mas muito mais para os plutocratas.

Por isso teve vida mansa, e ainda hoje está aí livre, oferecendo churrasco numa mansão em Brasília paga pelo contribuinte que já deveria ter abandonado há muito tempo.

Com Lula é o extremo oposto.

Tipos como Villa, contratados em massa pelo jornalismo de guerra pós-2003, chacinam Lula ininterruptamente.

É uma coisa indecente, e ainda mais quando somos forçados a ouvir de fâmulos dos barões da mídia como Villa que a intenção não era “enxovalhar”.

Repito: apenas por isso, a mentira no grau máximo de empulhação, o pleito de Villa deveria ser rasgado em pedaços, em praça pública.


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Indigente e fascistóide, o “Escola sem Partido” é o caminhar de quatro. Por Bob Fernandes


O DEM foi PFL, PDS, e nunca foi além. O PDT foi PDT com Brizola e Darcy Ribeiro.

O PSDB foi, deixou de ser, e segue na brigalhada interna. Envelhecendo no sonho de voltar a ser.

O PC segue sendo do B, e a Rede é da Marina. O PSB levantava voo com Eduardo Campos. Caiu, e tem queda milionária para explicar. O PSOL engatinha, e pretende ser.

No PT, bom pedaço já se foi. Inclusive para cadeia. Restam resistentes, e a quimera.

Uns 30 outros partidos serão sempre o que já são: estações para baldeação, moedas de troca.

E têm os que se reza para que nada sejam. Porque neles já a semente do que pode haver de pior: o fascismo.

O PMDB foi MDB, história na resistência à Ditadura. Dividiu o Poder por 31 anos, agora está na Presidência. Com sua cúpula over-investigada, ameaçada pela cadeia.

Sobrevoo e imagens em dois minutos não tem como incluir a História: a construção e desconstrução, a capilaridade, aproximação e distanciamento entre partidos e sociedade.

Fato é que vamos chegando à estupidificação. Como mostra o caminhar de quatro para discutir "Escola sem Partido".

Alagoas já aprovou. Em meia dúzia de estados, no Congresso, em Mídias e redes, essa asneira exibida como se falasse de "Educação".

Por partidos e tipos que querem as escolas, ai sim, para tirar partido; para o negócio da religião, que rompe o Estado Laico e avança.

Muito do que existe, e deveria vir a debate público em espaços plurais de massa, parece não existir. Se muito é jogado nas redes sociais.

Nas redes, pela imposição tecnológica, modelo do negócio, tribos conversam consigo mesmas. Em meio à Babel, difícil encontrar, acender e espalhar luzes.

Pensamento, debate, polêmica eficaz, se rendem. Nos textos, aos milhões, adjetivos-símbolo do minimalismo emburrecedor:

-Esquerdopata, Coxinha, Bolivariano, Petralha, Tucanalha, Mortadela, Mimimi...

Esse barulho indigente e fascistóide chamado "Escola sem Partido" é fruto desse tempo, não do acaso.


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Ridículo não é só convocar a imprensa servil para ver buscar Michelzinho Rico na escola...



Fonte: INTERNET

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Que deve governar a cidade de São Paulo? Haddad ou os promotores partidarizados ativistas que não gostam dele?


Dois pesos e duas medidas

Quem deve governar a cidade: o prefeito ou os promotores que não gostam do prefeito eleito? Um trote na defesa da honra, justifica cassação de uma autoridade do Poder Executivo e de seus direitos políticos?

O estamento estatal e com mais razão o judicial, não podem assumir posturas partidárias declaradas, sob pena de não apenas cometer injustiça, mas também perder prestígio junto a setores com determinadas convicções políticas e até mesmo as classes sociais prejudicadas, um risco para a própria democracia.

Os espaços abertos para juízes, promotores, delegados e outras autoridades exercerem determinado poder, deferidos pela sociedade toda, devem ser interpretados com equilíbrio, sensatez, principalmente neutralidade, prevalência da lei e dos interesses dessa mesma sociedade, considerada em conjunto, com todas as classes, com a pluralidade. Acima de tudo devem estar os princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade, transparência, isonomia, equidade, impessoalidade, enfim,a Justiça. Nada mais detestável do que uso desses poderes com viés político ou religioso, ou até convicções pessoais exacerbadas (impossível evitar isenção total, mas exige-se esforço), toda a busca de um patamar superior de civilização acaba sendo torpedeado.

Somados os processos, intervenções, tentativas de intervenções, têm toda aparência de abuso de poder e com viés político o que acontece na relação entre membros do Ministério Público de São Paulo com o prefeito Fernando Haddad. Já implicaram com o prefeito por taxis circularem nas faixas de ônibus (com cuja existência, tão necessária para quem usa transportes coletivos, jamais tinham se preocupado), abertura da Avenida Paulista para lazer da população aos domingos, número de creches que deveriam ser feitas pela prefeitura, velocidade nas marginais, número de radares e multas de trânsito, criação de faixas de bicicletas pela cidade. Afinal, quem deve administrar o município? A quem a população elegeu? Que programa? Que diretrizes foram apontadas nas urnas?

A mais recente acusação acontece agora pela brincadeira feita com um jornalista, que diariamente criticava o prefeito. Haddad postou como sendo sua uma agenda com conteúdo semelhante ao posto na internet pelo governador e jamais criticada. No entanto, ela serviu para o jornalista injuriar, pela enésima vez, o prefeito, como se fosse um parasita e marginal. O ardil, bem feito, irônico, divertido, sense of humor, o popular trote, serviu para desmascarar atividade política feita como sendo jornalismo. Quem não lembra de Janio e suas boutades? Dedetizando a cadeira de prefeito, onde dias antes tinha sentado FHC?

O MP viu na brincadeira um crime. Quer o promotor que Haddad responda por improbidade administrativa e o acusa de “brincar com o documento público” e por “ dano moral coletivo”. O texto ainda afirma que ele atentou contra o Código Penal, nos artigos de falsidade ideológica e inserção de dados falsos em sistema de informações da administração pública. Faltou só terrorismo e segurança nacional.

Não é falta de crimes para apurar, acusar e julgar. No mês passado tivemos cerca de 150 estupros a mais na cidade, além de crescimento no número de roubos, furtos e outros ilícitos. Os jornais tem publicado notícias de que motoristas dirigindo embriagados, que atropelaram e mataram pessoas há cinco anos atrás, ainda não foram julgados nem em primeira instância (não é culpa só da promotoria, mas do sistema como um todo).

O problema é que a sociedade tem mesmo que dar determinada faixa de autonomia a estas autoridades, sem controle sequer de suas instituições. Estas não tem como agir, mesmo se concluírem, como fazemos, que certos membros estão exagerando e usando esses poderes segundo convicções políticas ou religiosas.

No caso, quer o promotor que o prefeito Haddad, eleito democraticamente perca o cargo, tenha suspensos seus direitos políticos de três a cinco anos e pague com mais uma punição indenização de três vezes o valor do seu salário, ou seja R$ 72.498. Só isso... Segundo o promotor , o trote usou de “maneira maliciosa” a agenda do governador Geraldo Alckmim(PSDB), “alterando assim a verdade sobre o fato juridicamente relevante, com a finalidade única de aplicar um trote”. Se a cassação der certo o promotor estará dizendo em quem nós, os eleitores, podemos votar, quem não podemos escolher.

Com mais esse processo, Haddad deve somar o dobro da soma dos acumulados pelos prefeitos Maluf e Pitta. Deve ser porque eles eram sabidamente mais idôneos no trato da coisa pública e não praticavam trotes. Maluf teve pelo menos um promotor que saiu como Quixote em seu encalço, o combativo Silvio Marques. Conseguiu repatriar milhões; neste caso, a autonomia funcionou, sem dúvida, em caso de gravíssima violação da lei. Maluf no entanto continua pontificando na política. Serra e Kassab sairam incólumes. Erundina, como sabemos, tinha que enfrentar todo ano a reprovação de suas contas pelo Tribunal de Contas do Município, onde Maluf e Pitta as tinham aprovadas em questão de dias.

Interessante que o tal jornalista dizia diretamente pela Jovem Pan que Haddad era delinquente, membro de gangue, etc. Mas injúria, difamação, calúnia, informações e críticas fraudulentas de autoridades, falsas informações á população, indícios de incitamento á violência, nada disso impressiona, nada gera prejuízo, mas trotes para demonstrar uma farsa, ahhh, esse não escapa.

Percival Maricato, no GGM

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ELEIÇÕES 2016: Mas quem raios ia querer apoio de Michel Temer?


Quem quer apoio de um mordomo de filme de terror?

Assessores palacianos tratam de espalhar que Temer não vai participar das eleições a prefeito para não dividir sua base.

A quem eles pensam que enganam?

A verdade é outra: ele não vai participar porque ninguém quer seu apoio.

Ele não vai participar porque tem medo de perder.

O que um candidato tem a ganhar com seu apoio?

Quem vai votar em quem é apoiado por um presidente interino tão mal avaliado quanto ele?

Quem vai ganhar votos com o apoio de um mordomo de filme de terror?

Quem vai ganhar votos com o apoio de um político que não se importa em ser chamado de golpista?

Quem vai votar num candidato apoiado por um presidente que sabe tratar com bandidos?

Quem vai votar num candidato apoiado por quem coloca as mulheres e os negros em segundo plano?

Quem vai votar num candidato apoiado por quem não respeita as minorias?

Quem quer apoio de um político traidor?

Quem quer apoio de um presidente que tem medo de sair na rua?

Quem quer apoio de um político que ninguém quer abraçar?

Quem quer apoio de um político que não angaria simpatia, mas repúdio?

Quem quer apoio de um político que está destruindo as conquistas sociais e trabalhistas dos últimos 13 anos?

Quem quer o apoio de quem transformou seu ministério num bunker de corruptos?

Quem quer apoio de quem formou um ministério só de brancos, ricos e investigados?

Quem quer sair no santinho ao lado de alguém que não sabe sorrir?

Quem quer sair ao lado de um político sem voto?

Quem quer sair ao lado de quem não traz esperanças, mas temor do futuro?

Quem quer o apoio de um político que precisa se apoiar no filho de sete anos para ser menos rejeitado?

Quem quer o apoio de quem não tem apoio?

Quem quer ficar ao lado de um oportunista?

Nenhum marqueteiro recomendaria.

ALEX SOLNIK, no Facebook

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