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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Passado um mês, Temer ainda não governou .Por Jasson de Oliveira Andrade




Temer já completou um mês no Poder, mas ainda não começou a governar. Quem constatou essa situação foi o jornalista José Roberto de Toledo. Em artigo ao Estadão (13/6/2016), sob o título “Temer deixa para depois”, o analista político escreveu: “Está cada vez mais claro que o único “rumo certo” do governo Temer é deixar de ser interino. Nada além do simbólico deve ser votado pelo Congresso Nacional até que o Senado julgue e impeça definitivamente Dilma Rousseff, o que não vai ocorrer antes de agosto. Até lá, nenhuma reforma importante ou decisão com impacto imediato sobre o equilíbrio das contas públicas deve acontecer – descontados os arroubos retóricos e promessas vãs”.
Adiante ele diz: “Temer disse também que iria nomear apenas pessoas com preparo e experiência técnica para as empresas estatais, mas acabou se desdizendo logo em seguida. Os novos limites para o gasto público nem foram implementados e já têm prazo para acabar. (...) Na prática, o que faz o presidente em exercício Michel Temer e seu ministério é administrar expectativas até que possa se tornar definitivo. Faz reuniões a granel com empresários, sindicalistas e, acima de tudo, deputados e senadores – se atendo ao diagnóstico de que o que derrubou Dilma não foi tanto a sua inépcia econômica quanto a falta de salamaleques com os parlamentares. Assim, na base do cafezinho, do sorriso e do tapinha nas costas o interino vai esperando agosto chegar”. A seguir ele analisa seu relacionamento com alguns políticos: “O comportamento esquizofrênico fica mais evidente na relação com presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Todos os seus indicados para o governo federal foram nomeados e mantidos mesmo após o seu afastamento [da Câmara]. O governo não teve coragem de bancar a destituição de seu substituto, um drone cunhado pela prepotência de quem se sabe fora do alcance de retaliações. Mais do que isso, ajudou nas manobras para evitar a cassação de Cunha. (...) O ex-ministro Romero Jucá foi flagrado conspirando contra a Lava Jato, mas continua freqüentando cerimônias palacianas, sentando-se na primeira fila e cultivando a idéia de que pode ter pedido o foro privilegiado, mas continua teleguiando decisões no Planejamento e onde mais seus bigodes estavam antes da demissão”. 

José Roberto de Toledo assim encerra sua análise: “O problema de Temer adiar o começo de governo para agosto é que o julgamento de Dilma vai coincidir com a Olimpíada, e, depois dos Jogos, virão as eleições municipais, e, depois das eleições, vem o recesso. Sempre haverá uma desculpa para deixar as decisões mais difíceis para mais adiante. Enquanto isso, a Lava Jato – se alguns ministros do Supremo deixarem – deve continuar provocando pesadelos e sobressaltos em Brasília. O que parece um ganho de tempo hoje pode virar uma perda de tempo amanhã”.

Quando realmente Temer iniciar a governar, os trabalhadores devem se preocupar com a reforma trabalhista (isto depois de agosto). O jornal TRIBUNA DO GUAÇU, no editorial “Regredir jamais, bote a boca no trombone”, publicado em 3 de maio de 2016, alerta sobre essa medida: “É necessário que os trabalhadores brasileiros fiquem atentos a esse atentado aos direitos trabalhistas para que a condição social da maioria dos habitantes desse país não regrida. É preciso, sim, ganhar coragem e tomar como exemplo os trabalhadores franceses que à menor possibilidade de desvantagem tomam às ruas para fazer pressão”.

Ao que parece, se é ruim não começar a governar, será pior se Temer for confirmado no Poder após o julgamento do impeachment, provavelmente, em agosto. A CONFERIR.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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