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terça-feira, 21 de junho de 2016

O problema da Lava Jato são os pássaros que ela ( deliberadamente? ) deixou de fora



A Lava Jato, suas escolhas, efeitos e defeitos, e o Sistema corrupto




Nas manchetes, mais quatro ministros e escândalos ou tramoias: Padilha, Mendoncinha, Torquato e Kassab.

Temer, Sarney e Jucá, já delatados por Sergio Machado. Eduardo Cunha e Renan, réus. Agripino Maia e Paulinho da Força, réus.

Serra, citado na OAS. Aécio, delatado. Campanha de Marina, citada. Governo FHC citado, delatado...

O problema da Lava Jato não é o que a Operação pegou. Ótimo que pegou. Problema, grave, é o que deixou de pegar no tempo adequado.

A tomografia do Sistema político apodrecido, a empreiteiragem como propinoduto do Sistema todo, sempre esteve ao alcance, nas mãos da Lava Jato.

Quase tudo, cansamos de dizer aqui, tinha, tem DNA inscrito nos computadores e/ou documentos das empreiteiras. Que não operavam apenas na Petrobras, óbvio.

Dezenas de delatores sabem muito mais do que entregaram. Se cobrados, se permitido que revelassem, o que agora explode estaria exposto há dois, três anos.

Cerveró denunciando "o escândalo Braskem no governo Fernando Henrique", e seu espanto ao ser convidado a mudar de assunto, já é um clássico destas "escolhas".

( Link a seguir, a partir dos 10 minutos )

A estratégia da Lava Jato foi clara. Pegar inicialmente PT, governo e aliados. Perfeito, do ponto de vista dos envolvidos na Operação, mas muito pouco...

Os fatos demonstram isso claramente...

Essa estratégia produziu defeito sociopolítico brutal: retardou a percepção da expansão da podridão.

Maquiou, mascarou a dimensão do Sistema.

E milhões foram às ruas. Muitos, com justas razões. Muitos, não tendo como saber, ignorando o beabá.

Muitos, comandados por "Movimentos" que são o que há de pior.

Outros, sabendo de tudo. Insuflando ódios para desviar atenções e esconder intenções.

Enquanto se elegia PT & Cia como única e grande quadrilha, réus e suspeitos agiam à luz do dia. Ocupavam manchetes, votavam o que queriam... e tomaram o Poder.

Frágil o argumento do "não investigar porque já prescreveu". Saber o que prescreveu ou não exigiria perguntar, ouvir, encaminhar para novas investigações.

E, em tempos de tanto vazamento, nunca é demais lembrar: para a imprensa, para a Mídia, a História não prescreve.





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