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quarta-feira, 1 de junho de 2016

No Brasil do golpe, do Moro e dos trouxinhas, delator que inocenta Lula apodrece na cadeia



A delação que foi desprezada porque inocentava Lula. Por Paulo Nogueira

Qual surpresa em que uma delação foi desprezada porque não crucificava Lula no apartamento do Guarujá e no sítio de Atibaia?

Os pedalinhos não são a prova do crime? Não servem. A reforma no triplex que não é do Lula também não é prova do crime? Não serve.

O presidente da OAS que rearrange sua história para que ela caiba na narrativa do ‘Lula-chefe-de-quadrilha’, ou vai apodrecer na cadeia.

Pode mentir, pode fabricar coisas na delação: o importante é matar Lula. Depois a Justiça dá um jeito. Não haverá nenhuma intenção de checar os fatos. E a mídia publicará suas manchetes e colunas em que Lula é um gangster em meio a virgens como Aécio, FHC, Temer e outros protegidos dos Marinhos e côngeneres.

Isto é a Lava Jato. Isto é Moro. Isto é a plutocracia. Isto é, numa palavra, o golpe.

Tampouco surpreende que apenas agora a Folha publique textos desta natureza. Ela participou freneticamente do golpe. Agora, derrubada Dilma, é tempo de tentar reconstruir a credibilidade perdida. Enquanto Globo, Estado e Veja praticam o jornalismo chapa branca mais descarado possível, a Folha quer parecer imparcial.

Mas repito: este surto de imparcialidade pré-fabricada veio apenas depois que a vítima virou cadáver.

A natureza do caso da delação rejeitada mostra um aspecto que a sociedade mais informada sabia há muito tempo. A Lava Jato foi feita para arrasar Dilma, Lula e o PT.

Moro agiu como militante plutocrata fantasiado de juiz. Mal fantasiado, aliás. Como esquecer as imagens em que ele aparece, sorridente e deslumbrado, ao lado de João Roberto Marinho? E as fotos com caciques do PSDB como João Dória?

Todos os citados na Lava Jato que não eram ou não são petistas foram alcançados por balas perdidas.

Aécio, por exemplo. Delcídio contou, no meio de sua delação, que Aécio mamava em Furnas. A imprensa passou ao largo disso. A infame capa da IstoÉ com a delação de Delcídio ignorou Furnas. Porque aquele trecho não apenas incriminava Aécio como mostrava o papel de Dilma ao combater a roubalheira em Furnas.

Delcídio contou que a origem das hostilidades de Cunha contra Dilma se deveu a que, na limpeza feita por ela, um pau mandado dele foi mandado embora. Os donos das companhias jornalísticas e seus fâmulos nas redações e nas colunas fingiram que o caso Furnas não tinha importância na fala de Delcídio.

Era, repito, uma bala perdida.

Na trama golpista, a Lava Jato de Moro sempre teve um só alvo: o PT. Mais especificamente, Lula e Dilma.

O resto é silêncio, para usar a grande frase de Shakespeare.


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