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quarta-feira, 22 de junho de 2016

Impeachment de Collor e Dilma, por Jasson de Oliveira Andrade



Tivemos dois impeachments no Brasil o de Collor e o de Dilma. Um completamente diferente do outro. É o que vamos ver a seguir.

Collor foi cassado por corrupção, liderada pelo seu tesoureiro PC Farias. Dilma por pedaladas. No dia 29/9/1992, a Câmara Federal aprovou o impeachment do presidente Collor por 441 votos contra 38. Houve uma abstenção e 23 ausências. Já no dia 17 de abril de 2016, Dilma foi cassada pela Câmara por 367 votos contra 137. Tivemos apenas 7 abstenção e 2 ausentes. Collor foi substituído por Itamar Franco, seu Vice, que teve apoio de todos. Dilma foi substituída por Michel Temer, que teve apoio da oposição e do Centrão. Mas foi também hostilizado, sendo mesmo considerado um traidor e golpista. 

Se o governo Itamar não teve problemas para governar, o de Temer, ao contrário, está tendo muitos problemas. Em pouco mais de mês, já teve três ministros demitidos e outros acusados de corrupção, inclusive o próprio presidente interino. Itamar não teve manifestação contra. O mesmo não ocorre com Temer. Por onde anda há manifestação contrária a ele. 

Itamar revelou Fernando Henrique Cardoso, que depois se elegeu presidente da República. O Salvador da Pátria de Temer é Henrique Meirelles, Ministro da Fazenda. 

Collor adotou uma política econômica duríssima: o confisco das cadernetas de poupança. A então Ministra Zélia Cardoso de Mello fez essa incrível confissão, conforme consta no livro de Fernando Sabino, “Zélia, uma paixão”, à página 131: “ Lembrava-se, mortificada (sic), de uma conversa que tivera com o Presidente a respeito das consequências que adviriam [do confisco]: Presidente, o senhor – já então o chamava assim – está absolutamente seguro sobre o que vai fazer? Está ciente de que muita gente vai padecer e mesmo morrer (sic) em consequência do nosso programa? Sabe que há gente que morrerá porque seu dinheiro estará broqueado e por isso não vai ter atendimento médico? Que muitos não terão dinheiro sequer para comer? Que haverá sofrimento de toda ordem? O senhor tem consciência disso?” 

Posteriormente, em entrevista, Collor se arrependeu do programa, mas o mal já estava feito! Dilma, com Levy e Temer, com Meirelles, também têm uma política econômica (ajuste fiscal), que poderá ser muito forte. Levy falhou. E Meirelles? A ver...

Um fato estranho até hoje é um mistério. Em 23/6/1996, há 20 anos, PC Farias foi assassinado. Na época, se dizia que a namorada dele o havia matado e depois se suicidou. Hoje essa hipótese está descartada. Em 10/5/2013, o Júri concluiu que PC Farias e sua namorada foram assassinados, porém, não apontou a autoria dos homicídios. Teria sido “queima de arquivo”? Mistério...

Os oito anos de suspensão dos direitos políticos de Collor já se expiraram e em 2010 ele se elegeu senador, com mandato até 2018. 

E Temer? Ultimamente teve dificuldade com as urnas. Em meu recente livro “Defensores da Ditadura Militar Estão na Contramão da História e outros textos”, à página 191, escrevi: “Outra votação decepcionante: Michel Temer, presidente nacional do PMDB. Em 2002, ele foi o mais votado deste partido com 252.208 votos. Agora [2006], 99.046 votos, sendo o terceiro e último deputado federal do PMDB, e corre sério risco de perder a vaga”. Não perdeu, mas sua votação, como escrevi ,foi decepcionante. Em 2010, recuperou-se quando se elegeu vice da presidenta Dilma e em 2014, se reelegeu com a presidenta. Mesmo assim a traiu, tramando, com Cunha, a sua cassação! Esta traição é golpe! A grande diferença entre o impeachment de Collor com o de Dilma foi justamente essa traição. O mesmo não aconteceu com Itamar: ele jamais tramou contra Collor!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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Golpe