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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Jô Soares e Mara Gabrilli ainda não entenderam o assassinato de Celso Daniel. Por Daniel Lima



Gosto muito do programa de Jô Soares como instrumental de inteligência oral e cênica no mar de quinquilharias da TV aberta. Aprecio as qualidades da deputada federal Mara Gabrilli. Quando eles se juntam, como se juntaram na semana passada, só poderia dar coisa boa. Só poderiam garantir audiência qualitativa.

Mara é tão bem articulada e carismática que dispensa qualquer tipo de apêndice politicamente correto por ser mulher e também porque é deficiente física.

Mara Gabrilli não recorre ao apelo de ser mulher e andar em cadeira de rodas para se fazer respeitada. Bem diferente da presidente que acabou de ser apeada do cargo e que a toda hora, em momentos de dificuldades, apela à salvaguarda de gênero.

Jô Soares já dá sinais de certo cansaço físico como apresentador, mas segue envolvente. Jô Soares cansado é apenas um Jô Soares menos explicitamente genial – mesmo àqueles que não concordam eventual ou sistematicamente com seus posicionamentos. Acompanhar Jô Soares nos supostos acertos e desacertos é sempre um aprendizado.

A entrevista com Mara Gabrilli estava indo tão bem na semana passada que nem os escorregões sobre o caso Celso Daniel podem ser utilizados para desclassificá-los ou mesmo minimizar os atributos do perguntador e da perguntada. Mas eles poderiam ter poupado os telespectadores de desinformações.

É verdade que para quase todo mundo o assassinato de Celso Daniel se encaixa tanto nas declarações de Mara Gabrilli quanto nas assertivas de Jô Soares. Eles, como a maioria dos brasileiros, foram contaminados irreversivelmente por bobagens bem orquestradas -- cujo resumo da ópera é a patetice conclusiva de que se cometeu a idiotice de matar a galinha dos ovos de ouro.

Dois barcos furados
Dois pontos entre muitos que elevam o caso Celso Daniel à enésima potência de especulações foram abordados durante o programa de Jô Soares. Mais uma vez a morte do legista Carlos Delmonte causou estranheza ao apresentador. E as supostas mortes misteriosas de eventuais testemunhas foram questionadas pela deputada federal. Tanto uma situação como outra fazem parte do folclore do assassinato do prefeito de Santo André – o que só confirma a crônica policial de que crimes que envolvem gente famosa ganham multiplicidade de versões.

Não sei como funciona o mecanismo tecnológico que identifica a quantidade de leitura dos textos desta revista digital. Sei que sei que é infalível. Isso é ótimo, porque dá uma boa ideia sobre determinados assuntos. Uma das três matérias mais lidas, conforme consta da página principal deste CapitalSocial, é a morte do legista Carlos Delmonte. Já as supostas mortes misteriosas de testemunhas do caso Celso Daniel não registram igual número de interessados. Vou disponibilizar os dois textos no link logo abaixo, entre outros que vão auxiliar os leitores a entenderem o assunto. Dessa forma, poupo a todos de descerem a detalhes para contrapor informações substanciosas às incursões de Jô Soares e de Mara Gabrilli.

Suicídio simplificado
A argumentação de Jô Soares para lançar dúvidas sobre o suicídio do legista é de simplicidade tão aterradora que poderia ser chamada, de fato, de simplória. Jô Soares disse aos telespectadores que, após entrevistar Carlos Delmonte, tempos atrás, ouviu do legista, nos bastidores, dois dias antes de ser encontrado morto, que ele pretendia tirar férias, porque estaria cansado dos desdobramentos do caso. Jô sugeriu que quem pretende descansar não cometeria suicídio.

Ouvisse especialistas, Jô Soares saberia que o padrão de comportamento de um potencial suicida não é algo tão simétrico e calculado como a velocidade de um campeão de Fórmula-1 a cada curva no meio do caminho. A lógica de um suicida em potencial é tão indestrutível quanto o favoritismo de uma equipe, qualquer que seja, numa disputa de mata-mata.

Já escrevi nesta revista digital sobre a entrevista de Carlos Delmonte a Jô Soares. Um dos delegados federais que trabalhou no caso Celso Daniel foi ouvido por mim e não poupou críticas ao legista por um conjunto de informações consideradas falsas e descabidas. Esse texto também está no link abaixo.

Considerando-se a complexidade da morte de Celso Daniel, espertamente associada pela força-tarefa do Ministério Público Estadual aos crimes agora ajuizados de gestão pública do PT em Santo André, tanto Jô Soares quanto Mara Gabrilli parecem mais vítimas de deformações que se consolidaram como senso comum do que deliberadamente doutrinários da disseminação de duas farsas, entre tantas.

Caso complicadíssimo
Conhecer o caso Celso Daniel não é tarefa para qualquer um da mídia. Não houvesse pegado o touro a unha desde o princípio, mergulhando de cabeça nas investigações, jamais teria me metido a enfrentamentos indigestos. Sei muito bem quanto me custou e ainda me custa como profissional de comunicação ter me oposto à tese do Ministério Público Estadual, destruída por três investigações da Polícia Civil de São Paulo e por uma ação da Polícia Federal. Seria mais cômodo, fosse omisso e covarde, esquecer os desdobramentos do assassinato e deixado que águas impuras corressem correnteza abaixo. Como fez a quase totalidade da mídia nacional, entregue docilmente à versão unilateral dos promotores criminais.

A ideologização e o partidarismo tomaram conta do assassinato de Celso Daniel desde os primeiros dias e contribuíram para confundir as bolas. É difícil suportar a ideia de que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Assalto aos cofres públicos é uma coisa, assassinato numa metrópole então entregue a sequestradores é outra. 


Leiam para entender:


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