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quarta-feira, 25 de maio de 2016

Escândalo: Jucá tenta deter a Lava Jato, por Jasson de Oliveira Andrade



O diálogo entre o então ministro do Planejamento do presidente interino Temer, Romero Jucá, com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, publicado pela Folha (23/5), caiu como uma bomba nos meios políticos. Segundo o autor da reportagem, jornalista Rubens Valente, “em conversas ocorridas em março passado, o ministro do Planejamento, senador licenciado Romero Jucá (PMDB-RR), sugeriu ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que uma “mudança” no governo federal [Dilma por Temer] resultaria em um pacto para “estancar a sangria” representada pela Operação Lava Jato, que investiga ambos (sic).” Ainda segundo o diálogo, Machado pediu a interferência de Jucá para que impedisse que o juiz Moro os julgasse. Jucá concordou que o caso de Machado “não pode ficar na mão desse [Moro]”. Valente revela: “Jucá acrescentou que um eventual governo Michel Temer [com o impeachment da presidenta Dilma] deveria construir um pacto nacional “com o Supremo, com tudo”. Machado disse: “aí para tudo” (sic). “É. Delimitava onde está, pronto”, respondeu Jucá, a respeito das investigações”. Trocando em miúdo: deter a Lava Jato. Em vista dessas e outras declarações, com péssima repercussão, Jucá pediu o afastamento do Ministério!

Jucá, em declaração à imprensa, disse que a sua fala foi mal interpretada. Quando afirmou “estancar a sangria” se referia à economia e não a Lava Jato. Nem mesmo o jornal O Globo, insuspeito porque foi favorável ao impeachment e apóia o governo Temer, acreditou nessa versão dele. Em Editorial, publicado em 23/5, o referido jornal constatou: “O Ministro dá explicações clássicas, reclamando de que frases estão fora de contexto e assim por diante. Mas fica translúcido que Jucá e Machado, dois apanhados nas malhas da Lava Jato – o ministro ainda sendo investigado --, tramavam barrar a Operação num eventual governo Temer. O contrário do que o próprio presidente se comprometeu a fazer ao assumir. Os diálogos, portanto, também atingem Temer”. Mário Magalhães, em texto publicado na Folha, comenta: “O que parecia óbvio para muita gente agora ganha confirmação de viva voz: o impeachment da presidente constitucional Dilma Rousseff foi articulado por próceres do PMDB para assegurar a impunidade de investigados e suspeitos na Operação Lava Jato”, concluindo: “Não é só Romero Jucá quem tem de ser demitido. Michel Temer deveria ser o primeiro”. O Painel da Folha (24/5) noticiou: “É o 13. Depois das queda de Jucá e Eduardo Cunha, os políticos falam em “MALDIÇÃO DO IMPEACHMENT” (destaque meu). Eles derrubaram Dilma e estão caindo um a um”, brinca um cacique, que completa: “Quem será o próximo?”.

Uma parte do diálogo deixa o Aécio mal: “Machado – O Aécio, rapaz... O Aécio não tem condição, a gente sabe disso. Quem não sabe? Quem não conhece o esquema (sic) do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB... Jucá – É, a gente viveu tudo”. 

Josias de Souza, em artigo na Folha (24/5), analisa esse diálogo de Jucá com Machado: “Em apenas 12 dias, a gestão de Michel Temer virou um futuro obsoleto. Logo, logo o lema positivista que o marqueteiro do PMDB retirou da bandeira para servir de slogan para o novo governo será substituído. Em vez de “Ordem e Progresso”, o mais adequado seja “Negócio e Negócio”. Já o Estadão (24/5), na reportagem “Lava Jato na Esplanada”, noticia: “Governo teme novas revelações de Sérgio Machado – A preocupação é de que outros integrantes da cúpula do PMDB sejam envolvidos; Temer tem cinco ministros alvo de inquéritos no Supremo”. Será? Como sempre digo: A CONFERIR!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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