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quarta-feira, 11 de maio de 2016

"A partir de amanhã, o Brasil segue sendo a ópera-bufa que foi por 502 anos"




Não temo.

A partir de amanhã, o Brasil segue sendo a ópera-bufa que foi por 502 anos. Há 14 anos o Brasil pareceu querer civilizar-se. Colocar as crianças na escola, investir no ensino técnico, levar médicos para os rincões. Só pareceu. A vocação dos portugueses expulsos da Europa é sempre voltar para a Europa, mesmo que intervalos esporádicos. Sustentar um projeto de país que contemple o alívio da desigualdade social tornou-se caro para esses ( ia escrever "fim", mas estamos longe disso, uma vez que nosso índice Gini é superior ao dos dois Congos ). Como assim o país arrisca não honrar a mesada dos ricos (pagamento dos juros dos títulos do tesouro) para pagar o Bolsa Família? Como ficam as férias na Europa dos que nada produzem e só locupletam o dinheiro público?

A questão nunca foi, não é e nunca será a corrupção. Desde seu primeiro dia no governo, Dilma mostrou-se diferente de todos os machos que precederam-na no que diz respeito ao tratamento da coisa pública. Demitiu Palocci e demais ministros envolvidos em corrupção. Deixou a Polícia Federal trabalhar livremente. Nomeou ministros que hoje são os maiores algozes do PT no STF. Indicou para o PGR um cara que é tudo menos um "arquivador-geral da República". A questão é que, em meados de 2013 (um pouco antes das Jornadas de Junho), Dilma mexeu na mesada-elite. O maior programa de distribuição de renda do mundo não é o Bolsa Família. É o pagamento dos juros dos títulos do tesouro nacional. Ao reduzir a SELIC para o menor nível da história, Dilma empobreceu (menos que temporariamente) a elite brasileira. Tinha que ser derrubada. A bandeira da corrupção foi só a que colou mais. Antes dela, tentaram usar a da educação e a da saúde (que Dilma respondeu com o Mais Médicos).

É triste o que vai ocorrer nesse país. Já vimos esse filme diversas vezes no passado. O Brasil da fome. O Brasil da miséria. Junto com isso a violência, que já é equiparável à da Síria em guerra, vai explodir. Mas não temo por mim. Isso não me afeta tão diretamente. Faço um seguro no celular. Troco o presunto pelo apresuntado como minha família fazia na época do intelectual senil FHC. Deixo de viajar no fim do ano. Até mesmo se a gloriosa bancada "cristã" conseguir criminalizar a homossexualidade acho que ainda dou um jeito de me virar. Temo é pelos outros. Principalmente aqueles que apoiam um golpe de Estado sem perceber que os maiores golpeados não são os militantes do PT. Os maiores golpeados são eles mesmos.

( Por Rodrigo Gomes da Paixão, no Facebook )

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