quarta-feira, 11 de maio de 2016

A cara do governo Temer, por Jasson de Oliveira Andrade


Com a cassação de Dilma, Temer, como futuro presidente, anunciou que seu governo seria de “notáveis”, que diminuiria o número de Ministérios ( medida que foi recebida com aplausos ), além de medidas impopulares. Destas promessas, ao que tudo indica, só a última será colocada em prática.

O Estadão (5/5/2016), no Editorial sob o título “A cara do novo governo”, mostra que a administração Temer poderá ser uma decepção, frustrando o que o jornal esperava dela: “Não labora a seu próprio favor o governo que ameaça começar sob o infame (sic) signo do toma lá dá cá. Michel Temer já admitiu que não terá condições de reduzir o número de Ministérios como pretendia – e como demanda a sociedade brasileira, cansada do fisiologismo – por causa da irresistível demanda dos politiqueiros (sic) por cargos. (...) Engalfinhando-se entre si por nacos de poder (sic), esses partidos, inclusive uma parte do próprio PMDB de Temer, não estão nem um pouco interessados na resolução rápida dos graves problemas nacionais, E SIM NA SATISFAÇÃO DE SEUS OBJETIVOS PAROQUIAIS – E MUITAS VEZES IMPUBLICÁVEIS ( destaque meu ). O problema é que a porta da casa de Temer virou porteira pela qual passa o boi, mas também passa a boiada. O vice-presidente, que havia acenado com um Ministério de “notáveis” e que se comprometera de reduzir o número de pastas das atuais 31 para cerca de 20, já admite que cortará “no máximo uns três Ministérios”, segundo O Globo. Temer atribui suas dificuldades à resistência dos setores afetados pelas mudanças, mas é claro que o problema é mais rasteiro (sic): trata-se de ter vagas suficientes para acomodar os apadrinhados dos partidos que se dispõem a dar uns quantos votos no Congresso para apoiar o governo. (...) Além disso, Temer vai sofrer ainda para escolher ministros que não estejam sendo investigados pela Justiça. Um exemplo é o peemedebista Romero Jucá, principal articulador do novo governo. Cotado para o Planejamento, o senador é alvo das operações Lava Jato e Zelotes. Temer disse à TV Globo que não vê problema, pois se trata apenas de uma investigação. “Não sei se isso é um fator impeditivo”, ponderou. Evidentemente deveria ser (sic)”. Sobre esse assunto o deputado Sílvio Costa (PT do B/PE), ironizou: “Temer não está querendo montar um ministério, mas, sim, um posto de gasolina. Só tem gente da Lava Jato”.

O lema do governo Temer, segundo Moreira Franco, é “O Novo Está Chegando”. Será que o PMDB é “NOVO” no Poder? Quem responde a essa pergunta é o jornalista José Roberto de Toledo, em artigo no Estadão, publicado em 2 de maio: “Os futuros ministros de Michel Temer estão que não se agüentam. Sofrem de falação precoce (sic). Nas recorrentes entrevistas, abandonaram o futuro do pretérito para a assertividade do futuro presente: “farei”, “melhorarei”, “institucionalizarei”. (...) Moreira Franco faz o proselitismo da futura gestão, no Twitter, com o vídeo “O Novo Está Chegando”. (...) A turma do PMDB nunca morreu. Ao contrário. Está encastelada na Esplanada desde o fim da ditadura militar. Se a era tucana levou oito anos, e a petista deve acabar com 13 incompletos, a peemedebista já vai para o 31º aniversário: cinco anos de Sarney, dois anos de Itamar, oito anos de Fernando Henrique, oito de Lula, além de cinco anos e meio de Dilma. (...) Como Tancredo [ vice Sarney ], Collor [ vice Itamar ] e Dilma [ vice Temer ] descobriram tardiamente, não dá sorte ter um peemedebista como segundo na sua linha sucessória”. Como este ano teremos eleições para Prefeito, os candidatos devem ter muito cuidado na escolha de seu vice. Ao invés de ter um auxiliar para ajudar na Administração, poderá ter um traidor, como aconteceu com a Dilma!

Quanto às medidas impopulares, o Estadão de 5 de maio, no Caderno de Economia, noticiou em manchete: “Equipe de Temer estuda rever reajustes acertados com servidores públicos – Aumentos de salários negociados com o governo Dilma, mas que ainda estão em tramitação no Congresso (sic), poderiam ser revistos para reduzir o rombo nas contas públicas; entidades do funcionalismo ameaçam entrar em greve para manter os acordos”. Fala-se ainda em modificações na Previdência e no Salário Mínimo, além de outras medidas. A CONFERIR!

PS: Já estava escrito este artigo, quando tomei conhecimento que o Supremo, por unanimidade, afastou Eduardo Cunha da Câmara dos Deputados. Esta decisão será boa ou má para o governo Temer? Existem dúvidas. A VER!

Deu na Folha: “Após criticas (sic), Temer recua do recuo sobre corte de ministérios”. Sem comentário...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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