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segunda-feira, 4 de abril de 2016

Janio de Freitas, da Folha, confirma o jogo partidário da Lava Jato. Por Marcelo Auler




Na reportagem aqui publicada – Operação “Carbono14″: mandados ficaram um mês na gaveta. Por quê? – no sábado (02/04) mostramos os fortes indícios da utilização política das investigações na Operação Lava Jato. Sequer tínhamos ideia da coluna queJanio de Freitas publicaria no dia seguinte na Folha de S. Paulo (domingo, 03/04).

Atento a um pequeno detalhe – mas, de importância relevante – reportado pela jornalista Paula Reverbel, da própriaFolha, com relação à palestra do procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, o colunista concluiu o mesmo que nós fizemos na reportagem deste blog. Sua conclusão decorreu da frase do procurador transcrita na íntegra por Paula no texto Governos anteriores ao PT limitavam investigações, diz procurador da Lava Jato:

“Um ponto positivo que os governos que estão sendo investigados, os governos do PT, têm a seu favor é que boa parte da independência atual do Ministério Público, da capacidade administrativa, técnica e operacional da Polícia Federal decorre de uma não intervenção do poder político”. (grifei)

É verdade que o procurador, naquele momento (quarta-feira, 30/04) jogava com a possibilidade do impeachment passar. Tanto que ele afirmou “esperamos que isso esteja superado!” referindo-se a governos futuros e fazendo alusão à prática de “os governos anteriores manterem o controle das instituições”. Na verdade, estes “governos anteriores” limitam-se aos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, ou seja, à era tucana.

Convém lembrar, como admitem os delegados federais Paulo Lacerda e Zulmar Pimentel, dois dos principais investigadores do escândalo que envolveu o ex-presidente Fernando Collor e seu tesoureiro, Paulo César Faria, que ali, a despeito de tudo o que fez, o então presidente também não interferiu nas investigações que provocaram seu impeachment. Tampouco houve interferência na era de Itamar Franco, quando a Polícia Federal foi comandada por militares.

A prática surgiu e persistiu com FHC que manteve na direção da Polícia Federal Vicente Chelotti – a despeito da oposição que lhe fazia o então chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, general Alberto Mendes Cardoso – contando ainda com o apoio daquele que passou para a História como o “engavetador-geral da República”, Geraldo Brindeiro, mantido à frente da Procuradoria geral da República, a despeito da falta de apoio da maioria dos seus pares.

O procurador, entretanto, pode ficar mais tranquilo. A partir de todos os indicativos que surgiram na semana passada (de 27/03 a 02/04) sabe-se agora que é pouco provável que o impeachment passe pelo plenário da Câmara dos Deputados, tal como admitiu aqui no blog Arnaldo Cesar, no artigo Hoje tem marmelada?

Ou seja, ele continuará tendo liberdade de investigar pois o governo petista continuará comandando o país e nada indica que venha a mudar sua prática, mesmo sendo o alvo direto das investigações dirigidas e seletivas do MPF como Santos Lima, consciente ou inconscientemente, acabou admitindo.

Abaixo o artigo de Janio de Freitas:

O alvo

Janio de Freitas

Intencional, por certo não foi. Muito melhor: foi autêntico, com a naturalidade das palavras que burlam, espontâneas, a censura protetora das nossas conveniências. Foi um pequeno trecho de frase, intercalado com ligeireza. A frase, por sua vez, destinava-se a outro fim –o reconhecimento da “não intervenção” dos governos do PT na ação do Ministério Público e da Polícia Federal, “porque os governos anteriores realmente mantinham controle das instituições”. A palestra, está claro, decorria com plena e descontraída franqueza do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, o comunicador da Lava Jato.

Eis o pequeno trecho que o auditório da Câmara Americana de Comércio pôde ouvir, sem sinal de notá-lo, e a repórter Paula Reverbel não excluiu, como fizeram outros, do seu relato para a Folha: “[…] os governos que estão sendo investigados, os governos do PT, […]”.

O que a Lava Jato investiga de fato, por meio de investigações secundárias, não é a corrupção na Petrobras, não é a ação corruptora de empreiteiras, não são casos de lavagem de dinheiro: são “os governos do PT”.

Deixa, portanto, de ser coisa de esquerdista, governista, lulista, petista & cia., como alegado por tantos, a dedução de que a Lava Jato procede com direcionamento e seletividade. E age muito além do alcance investigativo e processual a que foi legalmente destinada. Com finalidade que explica o seu descaso por indícios e mesmo por delações premiadas, tão valorizadas em seu método, de corrupção anterior ao primeiro governo do PT.

A Lava Jato é, agora declaradamente, uma operação judicial com objetivo político-partidário, cujos atos e êxitos contra a corrupção são partes acessórias do percurso contra três governos (partido e personagens). Não são esses os mandatos conferidos ao juiz e aos procuradores da Lava Jato, no entanto. Pode-se imaginar o fim visado. Mas de onde vêm tal presunção e tal objetivo da Lava Jato é uma incógnita para o próprio Judiciário, que, afinal de contas, é o primeiro Poder questionado.

Dentro da crise que se vê há outra, senão outras crises. Como a de autoridade, que até as simples aparências de opinião pública esvaziam.

( *** )

PS: Este blog BFI não tem o costume de fazer isso, mas decidimos dedicar o texto acima, de Marcelo Auler, a todos os canalhas, hipócritas e GOLPISTAS que durante esses anos todos FINGIRAM E FINGEM não saber que essas "investigações" são golpistas e teleguiadas. 
Eu não tenho problema nenhum em desejar-lhes muito mal em suas vidas, já que não sou politicamente correto. 
E, antes que me esqueça: VOCÊS é que são a favor da corrupção e sempre foram, coxinhas malditos, PRINCIPALMENTE AQUI NO ESTADO DE SÃO PAULO, mais de 20 anos sob os tucanos e vocês desonestamente olhando pro outro lado. Aí veio o ano de 2003, e vocês resolveram encarnar - muito mal, aliás - o papel de neo-moralistas honestos e preocupados com a corrupção. Quando eu falo "vocês", eu me refiro a "vocês, cidadãos comuns", não a politicos. 
Tipo meus vizinhos, gente do trabalho ou do meu cotidiano que, se recebessem alguma vantagem indevida, com certeza abraçariam. Hipocrisia é pior que a corrupção. 
A máscara de vocês caiu, e não foi hoje, tem mais de década. 
Infelizmente seu canto de sereia hipnotizou milhões Brasil afora. E, claro, lembrando que a comparação não é gratuita, já que sereias são belas de longe, mas de perto são criaturas monstruosas. São vocês, "cidadãos de bem". 
Pra mim, a expressão "cidadão de bem" sempre foi irônica ou jocosa per si. Cada um de vocês que falava "sério", usando essa expressão pra se referir a si mesmo, só me fazia tomar mais cuidado com a carteira, os cartões de crédito, o talão de cheques. A merda mesmo era ter que esconder as risadas...
É bom eu deixar claro que não me refiro mais especificamente a questões politicas, embora os artigos acima tratem disso. Me refiro a pessoas e indivíduos que são lixos humanos, votem em alguém ou não.

Comam merda e morram, como diria o ex-vocalista dos Sex Pistols, John Lydon.

...

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