quarta-feira, 20 de abril de 2016

Governo Temer será de dificuldades para o povo, por Jasson de Oliveira Andrade



Dia 17 de abril de 2016 foi uma data histórica: a Câmara dos Deputados aprovou o impeachment por 367 votos (precisava de 342) a 137 contra (precisava de 171). Tivemos apenas 7 abstenções e 2 ausentes.


Se os motivos verdadeiros não foram as pedaladas, quais foram então? Em minha opinião foram dois. O primeiro: Dilma não é política. Dora Kramer, em artigo no Estadão, comentou que a presidenta “trata a todos de maneira ríspida”. Esse tratamento trouxe um enorme desgaste dela com os deputados. O segundo motivo, o principal, foi a economia, com o ajuste fiscal, que causou recessão no País. Essa medida causou a enorme impopularidade de Dilma. Já a honestidade dela não foi contestada nem mesmo no pedido de impeachment. E é reconhecido, além do Estadão, jornal insuspeito (é radicalmente contra o governo), internacionalmente. O The New York Times, maior jornal dos Estados Unidos, em extensa reportagem, destaca que o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff é liderado por políticos que enfrentam uma série de acusações como corrupção (sic), fraude eleitoral e até abusos de direitos humanos. O jornal americano ressalta ainda o fato de Dilma não ser acusada de roubar dinheiro público – “uma raridade”. The New York Times cita parlamentares favoráveis à saída de Dilma que enfrentam problemas com a Justiça. Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é classificado como “o poderoso presidente da Câmara que lidera o esforço pelo impeachment e está em julgamento no Supremo Tribunal Federal sob a acusação de que embolsou US$ 40 milhões em propinas”. A reportagem também lembra de acusações que envolvem outros personagens centrais no processo – como o vice-presidente Michel Temer. Depois de aprovado o impeachment, Temer tornou-se presidente e Cunha vice-presidente. Clovis Rossi, em artigo à Folha, antes da aprovação dessa medida, escreveu: “Se Dilma errou – e errou mais do que tinha direito – Temer foi cúmplice porque a acompanhou durante o primeiro mandato e não recusou o convite para ser novo companheiro de chapa na disputa pela reeleição. (...) Além disso, Temer está acompanhado de uma figura sinistra, Eduardo Cunha, ele próprio submetido a um processo de cassação de mandato que só não aconteceu ainda porque o sistema é podre. (...) Tampouco é normal que partidos como o PP e o PSD, que mamaram nas tetas do governo enquanto este ainda dava leite, de repente se bandeiem para o lado oposto e queiram derrubar a presidente que os abrigou e de cujos erros foram cúmplices, como Temer”.

Segundo o Estadão (19/4), “Centrão, que deu 107 votos a favor do impeachment: PP, (38 votos), PSB (29 votos), PR (26 votos) e PTB (14 votos), começa a cobrar Temer por apoio em votação. Em discursos, por enquanto tímidos, lideranças desses partidos ressaltaram a importância dos votos que “deram a Temer”, classificados pela maioria deles como decisivos (realmente sem eles o impeachment não seria aprovado), e cobram RECONHECIMENTO (destaque meu). Esses fisiológicos e traidores de Dilma conseguirão os cargos que desejam? A ver

Temer terá os mesmos problemas que Dilma teve. É o que constata José Roberto de Toledo, em artigo no Estadão (14/4): “A atrapalhar Temer, o mesmo problema que tem tudo para impedir Dilma [impediu]: a economia”, acrescentando: “Ou Temer dá um jeito de melhorá-la e logo, ou vai descobrir que nem Cunha salva”. Temer reconhece que o País terá que passar por sacrifícios. Em um áudio (gravação) que divulgou antes de aprovação do impeachment, já se considerando o novo presidente, ele declarou: “Vamos ter muitos sacrifícios (sic) pela frente. SEM SACRIFÍCIOS NÃO CONSEGUIREMOS AVANÇAR PARA RETOMAR O CRESCIMENTO E O DESENVOLVIMENTO QUE PAUTARAM A ATIVIDADE DO NOSSO PAÍS (destaque meu)”. Trocando em miúdos: Teremos muitos sacrifícios pela frente. Ao que parece, o ajuste fiscal de Temer será mais rigoroso do que aquele adotado por Dilma, que causou a recessão e a sua queda! Portanto, a mudança poderá ser para pior. Como sempre digo: A CONFERIR.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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