terça-feira, 12 de abril de 2016

Como Temer age na surdina em favor do Impeachment, por Jasson de Oliveira Andrade



Temer trabalha, na surdina, em favor do Impeachment que o vai favorecer. Como ele não pode trabalhar às claras, pois será chamado de traidor, novo Judas, novo Joaquim Silvério dos Reis ou falta de ética, ele adotou uma estratégia: afastou-se da Presidência do PMDB, sendo substituído pelo vice, senador Romero Jucá (PMDB-RR). Como o senador peemedebista votou no Aécio (PSDB-MG), ele poderá trabalhar pelo Impeachment sem ser rotulado de traidor. É o que ele está fazendo, como se verá.

O Estadão (8/4), na reportagem “PMDB já negocia cargos em eventual governo Temer”, noticia: “Em contraponto às ofensivas do ex-presidente Lula na base aliada para conter o processo do impeachment de Dilma Rousseff, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) negocia pelo PMDB espaços num futuro governo Michel Temer (sic). A moeda de troca é a perspectiva de ocupar cargos federais. Parlamentares são questionados se preferem ficar num governo que pode cair em breve ou com Temer e o PMDB nos “próximos dois anos e meio”. Alvos preferenciais são PP, PR, PSD e PTB.”. Quem vencerá o duelo: Lula ou Jucá? Dentro de poucos dias saberemos...

Ao comentar essa luta, Glenn Greenwald e David Miranda, em artigo na Folha (6/4), revelam: “O fato bizarro sobre a crise política no Brasil é também o mais importante: quase todas as figuras políticas de relevância que defendem o impeachment da presidente Dilma Rousseff – e aqueles que poderiam assumir o país no caso de um eventual afastamento da mandatária – enfrentam acusações de corrupção bem mais sérias do que as que são dirigidas a ela. (...) De Michel Temer a Eduardo Cunha, passando pelos tucanos Aécio Neves e Geraldo Alckmin, os adversários mais influentes de Dilma, estão envolvidos em chocantes escândalos de corrupção (sic) que destruiriam a carreira de qualquer um numa democracia minimamente saudável”. Sem comentário...

Os jornalistas têm razão. O “moralista” Bolsonaro, de extrema direita e golpista (deseja a volta dos militares no Poder), também se encontra em uma situação dificílima para explicar a nomeação do irmão na Assembléia Legislativa de São Paulo. O UOL Notícias (Folha), em 7/4/2014, na matéria “Sem trabalhar [fantasma], irmão de Bolsonaro é exonerado de cargo na Alesp”, noticia: “Renato Bolsonaro, irmão do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), foi exonerado do cargo de assessor parlamentar do deputado estadual André do Prado (PR-SP) na Assembléia Legislativa de São Paulo nesta quinta (7/4). Apesar de receber mais de R$ 17 mil por mês, Bolsonaro trabalhava diariamente em uma de suas lojas no interior de SP. Procurado sobre o caso, Jair Bolsonaro disse que não sabia e respondeu: “PAU NELE (destaque meu)”. Reportagem exibida no SBT Brasil”. Bolsonaro é pré-candidato à Presidência da República em 2018 e fanático defensor do impeachment. Para defender sua imagem moralista abandonou o irmão, dizendo que ele se lasque (“Pau nele”). É assim que age o defensor intransigente do impeachment, dando razão aos jornalistas Glenn Greenwald e David Miranda: logicamente que Renato só se tornou funcionário fantasma porque é irmão do Jair Bolsonaro. Será que ele, Jair, não sabia de nada? Acredite quem quiser!

Manchete de primeira página do Estadão, em 9/4: “Tucanos desistem de nova eleição e vão apoiar Temer”. Sinal que o PSDB acredita no impeachment de Dilma e já prepara para participar, com cargos, do novo governo! Os tucanos perderam as eleições, mas querem governar com Temer... Comentar o que?

Temer divulgou áudio em que fala como se o impeachment estivesse aprovado e ele o novo presidente. Será? A CONFERIR

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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