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domingo, 6 de março de 2016

"Obrigado, Excelentíssimo Juiz Moro. Ao sequestrar Lula, o senhor foi com tanta sede ao pote que quebrou o pote e despertou a jararaca"



CARTA ABERTA, DE AGRADECIMENTO, AO JUIZ SÉRGIO FERNANDO MORO


Excelentíssimo Sr.
É provável que tal missiva pública traga estranheza aos que me conhecem e/ou acompanham, mas a partir de ontem as forças progressistas brasileiras mudaram de comportamento, graças aos seus excessos.
Depois de quatro vitórias eleitorais consecutivas, com a implantação de programas vitoriosos, instrumentos de justiça social e fortalecimento econômico do país e do seu povo, nada mais natural que o comodismo, essa tendência que tem o ser humano de sentar-se sobre os louros das vitórias, se manifestasse.
Mais recentemente, a partir das últimas eleições, as forças conservadoras, reacionárias, articularam-se de tal maneira que inviabilizaram a governabilidade deste país, isolando a Presidente da República, onerando ainda mais o Estado, com leis e rombos orçamentários politicamente suicidas, nascidos no parlamento, ao mesmo tempo em que se juntaram com a mídia, mercenária e elitista, numa campanha sem precedentes de criminalização da esquerda brasileira.
Se isto foi motivo para uma reação popular, não aconteceu porque as armas usadas pelos que intentam um golpe, nos mesmos moldes de 64, só trocando as fardas pelas togas e as baionetas pelas leis, foi pelas armas usadas: a calúnia, a mentira, o super dimensionamento dos erros e a omissão dos êxitos, de tal maneira covarde que nos desnorteou, contaminando de desânimo, deixando-nos na prostração dos politicamente impotentes.
A isto some-se o tempo, amigo da experiência, inimigo do uso da experiência, porque quando aprendemos a nossa vida já está prestes ao decurso de prazo.
O nosso líder está hoje um septuagenário, sem a vitalidade de trinta anos atrás, um garotão, como Lindberg, Jandira ou, Data Venia, o Senhor.
Assim, o maior de nós, que em si trás o instintivo e natural dom da liderança bem sucedida, cercando-se de aptos e competentes, após dois mandatos exitosos, como bem atestam os índices sociais e econômicos, tanto nacionais quanto apurados por organismos internacionais, tornando-se o brasileiro mais conhecido do planeta, acumulando cinqüenta e cinco títulos de Doutor Honoris Causa, outorgados pelas mais confiáveis e sérias Universidades do mundo, e de variadas tendências políticas, envelheceu.
A isto acresça um câncer, maldição que mina o psicológico e devasta o físico, pondo o cancerado nas antecâmaras da morte, o que nubla, quando não mata, vontades e determinações.
Como Vossa Excelência pode perceber, contra a esquerda brasileira juntaram-se todos os reveses capazes de, se não imobilizá-la, refreá-la em suas ações.
Num quadro assim a reversão de expectativas e ações só poderia se dar por resposta a um fato novo, grande o bastante para agir nos extremos, causando grande indignação ou grande euforia.
E aqui a razão do meu agradecimento que, acredito, faz eco com o de todas as forças vivas da sociedade brasileira.
A chamada Operação Lava Jato, que nasceu com a determinação jurídica de apurar desvios na Petrobrás, escondendo a intenção política de desgastar as forças de apoio ao governo, em vã tentativa de inviabilizar a reeleição, desde o seu início pautou-se pelo caráter seletivo, excludente, politicamente direcionado e com intenção única: provocar o maior estrago possível na esquerda brasileira, haja visto a quantidade de denúncias apresentadas contra membros da oposição, sem nenhum movimento de apuração, com Vossa Excelência assim se dirigindo aos denunciantes: “não é disso que estamos tratando”, “não foi isso o que lhe perguntei”, “estamos falando de outra coisa”, “limite-se ao perguntado”, “isso não vem ao caso”... O que definitivamente o coloca numa posição insustentável, já que a primeira e básica característica exigida a um julgador é a imparcialidade.
Dentro desta filosofia de desgaste da esquerda, desde o início, o alvo principal é a figura do ex presidente, Luis Inácio Lula da Silva, já que hoje, o fulcro onde se apoiam os anseios de boa parcela do povo.
A quarenta anos este homem vem sendo investigado, alternando-se os investigadores: Doi-Codi, DOPS, Polícia Federal, Polícia Civil, Ministério Público, STF... Culminando no chamado “Mensalão”, quando Sua Excelência, o Ministro Joaquim Barbosa, serviu-se de todos os expedientes, os lícitos e os ilícitos, os éticos e os nem tanto, para chegar a Lula, sem qualquer possibilidade de êxito.
Veio a Lava Jato e, diante do vazado, não podemos afirmar que acontecendo com a lisura e a imparcialidade que deveriam pautar todas as investigações, com notícias nos dando ciência que policiais federais aconselham os prisioneiros: “entrega o homem que você vai de rua”.
Considerando-se o caráter de alguns presos e que fariam qualquer coisa para terem a liberdade de volta, é crível que nada tenham a dizer sobre “o homem”.
Infelizmente temos vazamentos desse tipo à conta de verdadeiros, uma vez que não podemos afirmar que Vossa Excelência está assessorado por pessoas absolutamente confiáveis, em sua totalidade, a começar por quem foi expulso da instituição, por contrabando na fronteira, depois, por tráfico de influência, reincorporado e hoje respondendo a diversos processos.
Mas nada disto bastou e se o seu plano de desgaste da esquerda funcionou, o de destruição da esquerda malogrou, e o malogro se consolidou nesta semana que terminou.
Primeiro Vossa Excelência mandou prender o marqueteiro de Lula e Dilma, por causa do trânsito de dinheiro em sua conta bancária, descobrindo-se que nada tendo a ver com Lula e Dilma, mas de origem estrangeira, das campanhas presidenciais de Angola, Venezuela e República Dominicana.
Depois o depoimento de Delcídio do Amaral numa delação premiada que não existe, com tudo sendo negado por todos, a começar pelas autoridades maiores do judiciário.
E, por fim, o verdadeiro estupro jurídico que foi a condução coercitiva de Lula, para esclarecer a compra de dois pedalinhos de dois mil reais, cada um, um bote de pouco mais de quatro mil reais e satisfações sobre um sítio, de amigo dele, mas, ainda que dele, com valor dezenas de vezes menor que o apartamento de outro ex presidente, em Paris, ou centenas de vezes menor que a fazenda desse mesmo ex presidente, em Minas Gerais.
Foi o bastante, Excelência, a gota d’água, o balde de água fria que nos acordou.
Lula saiu do depoimento indignado, afirmando ter tido recaída de rua, que, querendo matar a jararaca, bateram no rabo e não na cabeça, deixando a jararaca viva, assumindo a sua candidatura, em 2018.
A militância acordou e lhe devemos isso, o senhor foi com tanta sede ao pote que quebrou o pote.
A esquerda brasileira está de pé, pronta para as ruas de novo.
O senhor fez tanto barulho por tão pouco que açodou o povo.
E acordado já desconfia, para mais adiante ter a certeza, que o homem investigado impiedosamente, por 40 anos, não tem um indiciamento sequer, enquanto os seus perseguidores não têm biografia, mas ficha criminal, tamanho o número de delitos.
Hoje o IBOPE apurou que a popularidade do Nine, apelido posto pelo Sr., em desumano escárnio a uma mutilação, bateu os 87%.
Obrigado, Sr. Juiz.

Rio, 05/03/2015.

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