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quinta-feira, 10 de março de 2016

No Brasil de Sérgio Moro, quem não deve e não teme é louco ou mal-informado




"Quem não deve, não teme" - o velho provérbio hoje é evocado a torto e a direito. Ele nos diz que qualquer ato de autoproteção equivale a uma confissão de culpa.
Mesmo num mundo perfeito isso não se verifica. Podemos nada dever, mas temer uma interpretação equivocada de nossas ações. Afinal, "as aparências enganam" (provérbios há para todos os gostos e ocasiões). Além disso, o que um acha que é motivo para temer não corresponde necessariamente à posição de outro ("cada cabeça, uma sentença").

E no mundo imperfeito em que vivemos? Alguns parecem dever, mas temem muito pouco ou quase nada. O que temem os que, no poder, usavam concessionárias de serviços públicos para pagar um cala-boca às ex-amantes? Ou que têm explicações a dar sobre helicópteros e Furnas? Nada temem. Por isso nada devem?

Por outro lado, muitos temem sem dever. O que deve o jovem negro da periferia que teme, por bons motivos, o policial que dele se aproxima? Ou o que deviam, durante a ditadura militar, aqueles que a ela resistiam e que, por isso, viviam em permanente temor?

Luís Inácio Lula da Silva pode dever muita coisa. Politicamente, sem dúvida: o julgamento político dos caminhos que ele imprimiu ao PT ainda está em aberto. Legalmente? Até agora não surgiu nenhuma evidência contundente a incriminá-lo. Mas ele teme por motivos que não têm a ver com sua eventual culpa. Teme porque foi armada uma caçada contra ele. Seria insano se não temesse.

A máxima "quem não deve, não teme", que é duvidosa sempre, perde qualquer valor sob regimes de exceção. Infelizmente, o momento é de temor. Temos que transformá-lo em momento de resistência.

Luis Felipe Miguel, no FACEBOOK




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