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quarta-feira, 23 de março de 2016

Impeachment de Dilma: temer o Temer, por Jasson de Oliveira Andrade




O início de março foi muito agitado politicamente. Tivemos a delação do senador Delcídio Amaral, que foi uma bomba. Ele acusou governista e também a oposição, entre eles Aécio. Esta acusação, segundo Pedro Venceslau, em artigo no Estadão (16/3), “prejudica discurso do partido [PSDB], avaliam os tucanos. (...) O PSDB está hoje dividido em três núcleos com projetos diferentes de poder [Aécio, Alckmin e Serra], mas todos compartilham da mesma análise: a citação do senador Delcídio Amaral (PT-MS) ao nome de Aécio Neves em seu depoimento de delação premiada prejudica neste momento o discurso de todo o partido”. Até mesmo a mega manifestação do dia 13/3 (500 mil manifestantes, segundo o Datafolha), que deveria ser favorável à oposição, foi negativa: Aécio Neves (chamado de ladrão) e Alckmin foram hostilizados. Então o pedido de Impeachment de Dilma está prejudicado? Parece que não, como veremos.

Em dezembro, quando o Impeachment estava descartado, Temer, que tramava contra a presidenta, se aproximou dela. Atualmente, como a situação mudou, o Vice retomou a trama. O partido por ele presidido, o PMDB, em Convenção, pensa em romper com o governo. Com a nomeação de Lula como Ministro (posse duvidosa), ele marcou uma reunião com ele em São Paulo, em sua residência. Depois, mudou a reunião para Brasília, mas a cancelou! 

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, acusado de corrupção e aliado de Temer, iniciou o Impeachment, escolhendo a Comissão com maioria favorável a essa medida extrema. Com essa escolha, a presidenta Dilma corre perigo. O Vice, nos bastidores, está convencendo os peemedebistas a votarem pelo Impeachment. O PMDB poderá ser fundamental para tirar Dilma. Temer se reuniu com os tucanos e, segundo os jornais, já está pensando no pós Dilma. Serra está cotado para ser ministro. Lula é dúvida como ministro, mas o tucano poderá ser! A ver...

O Estadão publica (21/3) em manchete de primeira página: “Serra e Temer negociam pacto para novo governo” Na entrevista, Serra afirma que o “afastamento de Dilma é iminente e novo governo [Temer] deve buscar união”. Aécio Neves, presidente Nacional do PSDB, em artigo à Folha (21/3), sob o título “Recomeçar” (sic), também já conta com a saída de Dilma.

Por tudo isto que vimos, Dilma deve temer o Temer. Não é um trocadilho e sim uma constatação: a Presidenta está nas mãos do Vice. Infelizmente: ele também foi citado na delação de Delcídio Amaral! Para mim, se o impeachment se concretizar, a novela continuará. Ou o Vice pensa que vai governar sem graves problemas, não só moral, mas principalmente econômico?

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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