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sexta-feira, 4 de março de 2016

Factóides para satisfazer coxinhas e midiotas




Manual do perfeito midiota - 13 

Claro, a mídia foi seletivamente avisada para produzir as imagens e os comentários que vão circular nas redes sociais

por LUCIANO MARTINS COSTA

O noticiário da semana que se encerra oferece um desafio extraordinário para o midiota brasileiro, na sua incansável saga em busca da perfeita midiotice.

A suposta delação do senador Delcídio do Amaral, acusando a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula da Silva de agirem para obstruir investigações na Operação Lava Jato, dominou os comentários dos programas de rádio e televisão desde as primeiras horas da quinta-feira (03/03), a partir de uma reportagem postada no site da revista IstoÉ.

Os principais jornais do País, aqueles que sofrem de estranha amnésia conforme os protagonistas do escândalo, seguiram repetindo na Internet a versão original do factoide, mesmo depois que o suposto denunciante divulgou nota dizendo não reconhecer a origem e a autenticidade do conteúdo divulgado.

Por volta das 17h, as redações já tinham recebido esclarecimentos suficientes que recomendavam, no mínimo, alguma cautela com relação ao assunto.

Nesse horário, uma entrevista do ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, transmitida ao vivo por rádio e televisão, demonstrava que a suposta delação era inverossímil ou, se confirmada, um apanhado de injunções que não faziam sentido.

Mesmo assim, com base nesse factoide, a Polícia Federal foi mobilizada para fazer a operação em Atibaia, no Guarujá e na residência da família Lula da Silva.

Claro, a mídia foi seletivamente avisada para produzir as imagens e os comentários que vão circular nas redes sociais.

Trata-se da culminância de um processo político que tem a imprensa hegemônica como mentora e as instituições da Justiça como operadoras.

Esse projeto consiste em fragilizar a governabilidade, mantendo a presidente sitiada, e inviabilizar uma eventual candidatura do ex-presidente Lula da Silva em 2018.

Nem mesmo no Partido dos Trabalhadores há unanimidade sobre a conveniência de Lula voltar a se candidatar, mas isso quem deve resolver é o eleitor, não a imprensa.

As decisões das redações dos veículos de comunicação hegemônicos – com exceção do jornal Valor Econômico, que adota outra agenda – não têm nenhuma relação com jornalismo.

Quase tudo que você lê nessa matriz monotemática é apenas panfletagem política, que produz resultados imediatos, como o ressurgimento em cena do candidato derrotado em 2014, Aécio Neves, em nova performance sobre o tema impeachment.

Mas tudo bem.

Se você é um midiota em busca da perfeição, bata panelas.

É preciso que alguém diga a você, hoje, o que você está ajudando a construir amanhã. Mesmo que sua reação seja postar comentários agressivos e destilar esse ódio que nem você sabe de onde vem.

Mas, voltando ao factoide, é preciso pontuar umas coisinhas: primeiro, Delcídio Amaral fez uma consulta, por meio de seus advogados, sobre o conteúdo de declarações que poderia lhe valer algum desconto na pena que se considera certa e inevitável; segundo, o conteúdo publicado pela IstoÉ repete o que os interrogadores do réu querem ouvir – uma declaração de encomenda para justificar a operação que se segue.

Outra coisa: observe-se o trecho em que ele afirma que o ministro Marcelo Navarro foi nomeado para o Superior Tribunal de Justiça com a missão de votar pela soltura de empreiteiros acusados no processo da Operação Lava-Jato, e quando disse que teria falado sobre o tema com ministros do Supremo Tribunal Federal.

Ora, quem conhece minimamente o corporativismo no sistema da Justiça sabe que uma acusação a um magistrado coloca toda a instituição em pé de guerra.

Portanto, tal declaração, se verdadeira, seria um tiro no pé do suposto denunciante.

Ainda que seja autêntico, o conteúdo não havia sido homologado pelo STF.

Assim, é bem possível que toda essa trapalhada acabe por desmoralizar a própria instituição da delação premiada.


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