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sábado, 26 de março de 2016

Desinformação geral: Professor testemunha e narra efeito da lavagem cerebral cometida pelo imprensalão golpista




Depoimento de um Professor de Filosofia da rede pública:

Que sirva de exemplo!

Impeachment e Lava Jato

Ontem num debate sobre ética em uma aula minha percebi o resultado da estratégia da manipulação midiática. Todos os meus alunos achavam que o processo de impeachment contra a Dilma (golpe) era por causa da lava jato. Quando comecei a explicar que a tese do impeachment (golpe) era de que a presidenta usou dinheiro da Caixa Econômica Federal para manter os programas sociais eles ficaram perplexos. - Mas professor, ela não roubou? - Não, não é acusada de ter roubado um único centavo. A única coisa que fez foi colocar dinheiro público de um banco estatal em programas sociais, e depois, devolver esse dinheiro à Caixa. Isso foi suficiente para passarem a se posicionar contra o impeachment e se sentirem enganados pelos meios de comunicação que misturam uma coisa com a outra o tempo todo. Agora pergunto: isso é fazer propaganda petista ou cumprir com a minha obrigação como professor de filosofia de questionar a massificação da propaganda ideológica golpista feita pelos meios de comunicação? Acredito firmemente que a função da filosofia no ensino médio deva ser possibilitar que os alunos pensem criticamente a sociedade. Isso significa pensar por conta própria. E numa época de mídia de massa onde os meios de comunicação, principalmente a Globo que comprovadamente já participou de alguns movimentos golpistas na nossa história, determinam os rumos da política, temos a obrigação de desconstruir a ideologia dominante. Ideologia essa que nos leva a passos largos para o abismo fascista. Adorno após a Segunda Guerra já nos alertava da necessidade de uma Educação após Auschwitz. Não temos portanto o direito de aderir a histeria da classe média, frustrada em suas pulsões consumistas durante um período de crise mundial. Nem o niilismo, nem o individualismo pós-moderno atendem as necessidades de enfrentar o avanço fascistizante. Apenas o apelo à razão, tão surrada nos últimos tempos, nos serve neste momento. As classes se levantam e se conflitam no movimento dialético da história. Não há espaço para torres de marfim. Heidegger não foi perdoado. Já conhecemos o mundo onde pisamos. Faz-se urgente transforma-lo. Ou deixaremos a tristeza e a servidão como únicas heranças para os pensadores(as) do futuro. O golpe está em andamento diante dos nossos olhos. O silêncio não é uma opção.

Fábio Garrido - Professor de Filosofia da Rede Estadual; Membro da Direção Estadual do Sindiute


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