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quarta-feira, 9 de março de 2016

Depoimento de Lula e a divisão entre lulistas e anti-Lula




O depoimento de Lula sobre o triplex, que dizem ser dele e ele nega, e sobre a freqüência ao sítio de um amigo, que dizem ser dele e ele também nega, já estava marcado. Portanto, sem surpresa, normal. A grande surpresa foi a maneira como ele foi feito, ou seja, sob coerção, medida que se tornou polêmica, como iremos ver.

Lula declarou, após o depoimento: “O Moro não precisava ter mandado uma coerção na minha casa de manhã [6 horas], não precisava. Era só ter convidado. Eu iria em Curitiba, iria a Brasília, era só ter chamado”. O depoimento que seria normal e esperado, com a COERÇÃO se tornou polêmico. A presidenta Dilma a condenou em declaração à imprensa: “Quero manifestar o meu mais absoluto inconformismo com o fato de o ex-presidente Lula, que, por várias vezes, compareceu de forma voluntária para prestar esclarecimentos, seja agora submetido a uma desnecessária (sic) condução coercitiva para prestar depoimento”. Esta medida do Juiz Moro foi criticada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello: “Condução coercitiva? O que é isso? Eu não compreendi. Só se conduz coercitivamente, ou, como se dizia antigamente, debaixo de vara, o cidadão que resiste e não comparece para depor. E o Lula NÃO FOI INTIMADO (destaque meu)”. O ministro ainda criticou o argumento de Moro, de que a medida foi tomada para assegurar a segurança de Lula: “Nós, magistrados, não somos legisladores, não somos justiceiros. Não se avança atropelando (sic) regras básicas”. Walter Maierovich, juiz aposentado e ex-secretário nacional antidrogas do governo Fernando Henrique Cardoso, declarou que a decisão de Moro foi “arbitrária”, acrescentando: “Mais do que excesso foi ilegal. O argumento de que ela era necessária à segurança de Lula não se sustentaria. Que se providenciasse a segurança para que ele fosse depor. (....) “Ele podia se calar, mas decidiu falar”. No Exterior essa medida também repercutiu. Gaspar Estrada, Diretor do Instituto Político de Paris declarou: “É saudável que um presidente não esteja acima da lei, mas também não é útil que isso seja usado politicamente. ERA DESNECESSÁRIO QUE LULA FOSSE FORÇADO [COERÇÃO] A PRESTAR DEPOIMENTO (destaque meu). A maneira como o Judiciário determinou que a Polícia Federal procedesse criou um fato político” (Estado, 8/3). Já a Associação dos Juízes do Brasil apoiou Moro: “A Justiça Federal brasileira e os integrantes do Ministério Público, da Receita Federal e da Polícia Federal agiram nos estritos limites legais e constitucionais, sempre respeitando os direitos de ampla defesa”. No entanto, o que se criticou foi a COERÇÃO. Sobre essa medida, a Associação não se pronunciou...

O ponto negativo foi a divisão entre os lulistas e os anti-Lula, que terminou em batalha campal. O positivo para o PT foi que Lula estava apagado para não prejudicar o governo Dilma, voltou a aparecer. É o que pensa também José Roberto de Toledo, em artigo ao Estadão (7/3), sob o título “Um palanque para Lula”: “Depois de detê-lo e soltá-lo, a Lava Jato deu a Lula chance de se transformar de “investigado” em “vítima”. (...) A prisão devolveu a Lula o discurso, e a soltura, o palanque.” Deu no UOL (Folha), em 7/3: “Moro “avançou o sinal” avaliam membros do STF”. O tiro, ao que parece, saiu pela culatra!

Por que essa COERÇÃO? Tudo indica que é para desmoralizar Lula e torná-lo impopular. É o que se depreende dos comentários de Dora Kramer e Eliane Cantanhede no Estadão. Esta profetizou: “É o fim do projeto do PT”. Já Maurício Dias, na CartaCapital, constatou: “A despeito da Lava Jato Lula ainda reina nos pesadelos tucanos e de todos aqueles que o pretendem fora do páreo”. Conseguirão? Como sempre digo: A CONFERIR!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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