quarta-feira, 30 de março de 2016

Requião denuncia que "reunião" do PMDB que decidiu pelo "rompimento" com governo não tinha nem quórum suficiente para deliberar


Requião: PMDB sofreu golpe de Temer


Senador Roberto Requião, pelo Twitter, acusou nesta quarta-feira (30) o vice-presidente da República, Michel Temer, de aplicar um “golpe” no PMDB; sem citar o presidente nacional da sigla, Requião afirmou que ontem não havia quórum na reunião do diretório nacional para deliberar pelo “rompimento” com o governo Dilma; ele sugere análise acurada dos vídeos para checar as presenças na reunião, que durou menos de três minutos; exiguidade de tempo não possibilitou aos membros do diretório assinarem a ata de presença; Dona Ciroba, síndica de um prédio em Curitiba, disse que três minutos não são suficientes para deliberar coisa séria.

O senador Roberto Requião, pelo Twitter, acusou nesta quarta-feira (30) o vice-presidente da República, Michel Temer, de aplicar um “golpe” no PMDB.

Sem citar o presidente nacional da sigla, Requião afirmou que ontem não havia quórum na reunião do diretório nacional para deliberar pelo “rompimento” com o governo Dilma.

O senador peemedebista sugere análise acurada dos vídeos para checar as presenças na reunião, que durou menos de três minutos.

Na verdade, a exiguidade de tempo não possibilitou aos membros do diretório assinarem a ata de presença.

Dona Ciroba, síndica de um prédio em Curitiba, disse que três minutos não são suficientes para deliberar coisa séria.


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terça-feira, 29 de março de 2016

Temer: Vem aí o presidente 1%, por Jasson de Oliveira Andrade



O Estadão (29/3/2016) publicou em manchete de primeira página: “PMDB deixa Dilma e vai trabalhar por impeachment”. Trocando em miúdo: PMDB saiu... para FICAR. Uma situação inédita na História do Brasil! O PMDB é um partido fisiológico, como já escrevi. Está sempre no Poder. No passado, com Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP). Depois com Lula (PT-SP) e agora com Dilma (PT). Nunca ganhou uma eleição. Se assumir o governo, será com ZERO voto nas urnas... Além do mais, seus principais líderes estão sendo investigados na Lava Jato: Temer, Vice; Cunha, presidente da Câmara dos Deputados (mais cedo ou mais tarde poderá ser cassado) e Renan Calheiros, presidente do Senado. 

Bernardo Mello Franco, em artigo à Folha, em 22/3/2016, sob o título “Vem aí o presidente 1%”, ao comentar o Datafolha para a corrida presidencial de 2018, afirma: “O levantamento apresenta um paradoxo. De todos os nomes do principal cenário, o menos citado pelos eleitores é o que tem mais chances de assumir a Presidência. Estamos falando do peemedebista Michel Temer, que aparece com apenas 1% das intenções de voto. (...) Não se trata de apostar no cavalo azarão. Como vice-presidente, Temer é o substituto imediato de Dilma Rousseff, que está com o mandato em risco. Se o Congresso aprovar o impeachment, como parece cada vez mais provável, ele pode se sentar na cadeira até o fim de abril. Terá 75 anos de idade e mais dois anos e oito meses para governar o país. (...) Aliados do vice já começaram a escalar sua equipe. “Será um ministério surpreendentemente bom’, disse o senador José Serra ao jornal “O Estado de S. Paulo”. Derrotado em duas eleições presidenciais, ele quer assumir um cargo similar ao de primeiro-ministro. Se der certo, SERÁ MAIS UM A GOVERNAR SEM VOTOS (destaque meu).” Adiante diz o jornalista: “O Datafolha também perguntou o que os brasileiros esperam de uma eventual gestão Temer. Só 16% acreditam que ele fará um governo ótimo ou bom. Para a maioria absoluta (60%), a administração dele será igual OU PIOR DO QUE A QUE ESTÁ AÍ (destaque meu). O dado leva a outro paradoxo: sete em cada dez brasileiros apóiam o afastamento de Dilma, mas quase nenhum se empolga com o vice. É um cenário desalentador, porque a recessão não vai evaporar com o impeachment. Um presidente 1% seria capaz de nos tirar do buraco?” A ver...

Só um milagre salva Dilma. Ibsen Pinheiro, ex-presidente da Câmara e deputado estadual (PMDB-RS), em entrevista ao Estadão em 28 de março, é favorável ao rompimento do partido com Dilma. Ele também faz essa previsão: “Hoje eu não diria que o resultado [do impeachment) já é conhecido. Até me arrisco a uma previsão: a votação vai ser apertada, mas o impeachment não passa (sic). Se for preciso contar votos, acho que dois terços é impossível. Acho pouco provável chegar a 342 favoráveis”. Será? Como sempre digo: A CONFERIR!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

LEITURA COMPLEMENTAR:

Por que o impeachment dificilmente vai passar - O CAFEZINHO

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sábado, 26 de março de 2016

Desinformação geral: Professor testemunha e narra efeito da lavagem cerebral cometida pelo imprensalão golpista




Depoimento de um Professor de Filosofia da rede pública:

Que sirva de exemplo!

Impeachment e Lava Jato

Ontem num debate sobre ética em uma aula minha percebi o resultado da estratégia da manipulação midiática. Todos os meus alunos achavam que o processo de impeachment contra a Dilma (golpe) era por causa da lava jato. Quando comecei a explicar que a tese do impeachment (golpe) era de que a presidenta usou dinheiro da Caixa Econômica Federal para manter os programas sociais eles ficaram perplexos. - Mas professor, ela não roubou? - Não, não é acusada de ter roubado um único centavo. A única coisa que fez foi colocar dinheiro público de um banco estatal em programas sociais, e depois, devolver esse dinheiro à Caixa. Isso foi suficiente para passarem a se posicionar contra o impeachment e se sentirem enganados pelos meios de comunicação que misturam uma coisa com a outra o tempo todo. Agora pergunto: isso é fazer propaganda petista ou cumprir com a minha obrigação como professor de filosofia de questionar a massificação da propaganda ideológica golpista feita pelos meios de comunicação? Acredito firmemente que a função da filosofia no ensino médio deva ser possibilitar que os alunos pensem criticamente a sociedade. Isso significa pensar por conta própria. E numa época de mídia de massa onde os meios de comunicação, principalmente a Globo que comprovadamente já participou de alguns movimentos golpistas na nossa história, determinam os rumos da política, temos a obrigação de desconstruir a ideologia dominante. Ideologia essa que nos leva a passos largos para o abismo fascista. Adorno após a Segunda Guerra já nos alertava da necessidade de uma Educação após Auschwitz. Não temos portanto o direito de aderir a histeria da classe média, frustrada em suas pulsões consumistas durante um período de crise mundial. Nem o niilismo, nem o individualismo pós-moderno atendem as necessidades de enfrentar o avanço fascistizante. Apenas o apelo à razão, tão surrada nos últimos tempos, nos serve neste momento. As classes se levantam e se conflitam no movimento dialético da história. Não há espaço para torres de marfim. Heidegger não foi perdoado. Já conhecemos o mundo onde pisamos. Faz-se urgente transforma-lo. Ou deixaremos a tristeza e a servidão como únicas heranças para os pensadores(as) do futuro. O golpe está em andamento diante dos nossos olhos. O silêncio não é uma opção.

Fábio Garrido - Professor de Filosofia da Rede Estadual; Membro da Direção Estadual do Sindiute


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A doença psiquiátrica da Veja



Durou pouco a impressão de que a revista Veja pudesse estar ameaçando uma tímida recuperação de sua psicose maníaco-obssessiva em relação a Lula.

Hoje, a revista protagoniza um vexame internacional.

Poucas horas depois de ter lançado mais um de seus lixos jornalísticos, desta vez sobre um mirabolante “plano de fuga” de Lula para a Itália, tomou um “sabão” em regra da própria representação diplomática daquele país.

Nota da Embaixada da Itália:
Em relação à matéria “O plano secreto” publicada na última edição da revista Veja, a Embaixada da Itália declara:
1. As informações referentes à Embaixada e às supostas conversas do Embaixador Raffaele Trombetta são inverídicas.
2. Relativamente ao evento no Palácio do Planalto, a pessoa destacada na fotografia e sentada em uma das primeiras fileiras não é o Embaixador Trombetta, como pode-se constatar facilmente. O Embaixador Trombetta estava sentado, junto a todos os demais embaixadores, no espaço reservado ao corpo diplomático.
3. Na conversa telefônica citada, foi dito ao jornalista que não se queria comentar fatos que, no que tange à Embaixada, eram e são totalmente inexistentes.

Veja, como se vê, não é capaz sequer de acertar um sorvete na própria testa: erra.

Lula não é réu em processo algum. Não tem passaporte confiscado nem está proibido de sair do país. Se quiser ir para a Itália ou qualquer outra parte do mundo, basta ir ao Aeroporto e comprar uma passagem.

É mesmo uma pena que a imprensa, segundo a Justiça, possa ter a ética como “opcional”.

Do contrário, Lula ia ocupar a capa da próxima Veja, sem a tinta vermelha que puseram sobre sua foto, para reduzir a revista ao que ela é, uma imprensa marrom.


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Manada bovina e golpista vestida com camisa da CBF sempre votou em corruptos e agora finge que quer a prisão de "todos" os corruptos



por LEANDRO FORTES

Como é formada, em sua imensa maioria, por analfabetos políticos com altíssimo déficit de leitura, a direita brasileira tende a se movimentar quase que exclusivamente como manada.

Então, assim como o "kkkkkkk", que lhes serve de sustentação literária tanto para disfarçar preconceitos como para consagrar estultices, o clichê do momento entre a reaçada é o argumento barato do todos-os-corruptos-devem-ser-presos-não-interessa-o-partido.

É como se, de repente, os milhões de eleitores de Aécio Neves tivessem descoberto o Código Penal, mas somente depois de seu líder e salvador da pátria começar a aparecer nas delações como insistente - chato mesmo - receptador de propinas.

Esse movimento ganhou forma nas últimas manifestações de rua, quando a turba com camisas da CBF viralizou nas redes mensagens dando conta de que, ao contrário do PT, não tinha compromisso com "bandidos de estimação".

Isso vindo de uma gente que marchou até Brasília para tirar foto com Eduardo Cunha.

Colocar-se, agora, a favor de prender todos os corruptos, não importa qual o partido, é, antes de tudo, uma maneira cafajeste de fingir que não está apoiando o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff - justo no momento em que as coisas começam a dar errado para os golpistas.

É mentira.

Essa gente abobalhada de verde-e-amarelo nunca foi a favor de prender corruptos, até porque votou sempre neles, movida pela catapora infantil do antipetismo.

Esses neoprobos formam as fileiras da classe média apavorada e iletrada do Brasil, alimentada de ódio pela mídia - esse lixo que depende do golpe para voltar a mamar nas tetas do Estado.

Então, não me venham com essa história, agora, que querem todos os corruptos presos.

Ninguém vai acreditar nessa moralidade tardia de quem, na verdade, está com vergonha de ser apontado como um golpista fracassado, daqui por diante.

Não depois de terem sido tocados pelos corruptos como gado, pelas ruas do País, mugindo palavras de ordem fascistas e ruminando o ódio que lhes foi servido como capim.

247

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Mídia desiste de jornalismo e ESCONDE que a reação ao golpe está em andamento ( das periferias ao exterior )


GRANDE MÍDIA DESISTIU DO JORNALISMO

Quando empresas de mídia tentam ignorar ou silenciar milhares de juristas e advogados, centenas de artistas ( dramaturgos, atores, cineastas, artistas plásticos, músicos ) e intelectuais amplamente reconhecidos, dezenas de instituições acadêmicas e de pesquisa, personalidades internacionais, outros milhares de coletivos de periferias, organizações internacionais como OEA, CEPAL, ou nacionais como CNBB, intensa movimentação de articulação na sociedade e nas redes, milhões de pessoas representadas por entidades de classe e trabalhistas, é porque, antes de tudo, ela deu as costas à pluralidade social e a vozes altamente legitimadas.

Portanto, é porque ela deu as costas ao próprio jornalismo, abandonando-o para servir à propaganda de interesses - ainda que não minoritários ou sem poder - de apenas uma parte da sociedade. Triste imprensa que perde em pluralidade de informação até para redes sociais. Mas sinceramente, nem precisamos dela. Até porque já desistimos dela.

WEDEN ALVES, no Facebook






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sexta-feira, 25 de março de 2016

Suécia: governo de Gotemburgo empresta bikes para quem está a fim de deixar o carro em casa



As bikes têm ganhado cada vez mais espaço no mundo, inclusive aqui no Brasil. Só em São Paulo são mais de 200 km de faixas dedicadas aos ciclistas. Isso incentiva muita gente a adotar esse meio de transporte e deixar o carro em casa. Mas não é o suficiente! A maior parte da população ainda tem medo e precisa de um pequeno empurrãozinho para testar a alternativa.

Pensando nisso, a cidade de Gothenburg, na Suécia, resolveu distribuir bicicletas para pessoas que mostram o interesse de deixar o carro em casa. O programa funciona assim: você promete que vai se esforçar para utilizar a bike pelo menos três vezes na semana e o governo te empresta a magrela por seis meses, para que a população consiga testar o transporte antes de investir nele — e, cá entre nós, é difícil testar e não adorar!

“Nós acreditamos que a bicicleta tem o potencial de atender as necessidades da maioria das pessoas”, conta Rickard Waern, o gerente do projeto, que contempla 36 pessoas de perfis variados, de estudantes a pais de filhos pequenos. O objetivo é mostrar para a população que é possível quebrar as barreiras e adotar a bike no dia a dia como principal meio de transporte.

“Não sabemos exatamente quanto tempo leva para esquecer hábitos antigos e estabelecer novos, mas seis meses é um bom período para criar um bom impacto e ter boas experiências”, acredita Rickard. Depois de aderir ao programa, os participantes podem ainda comprar a bicicleta com desconto. Isso que é incentivar o uso de magrelas na cidade, não?


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Panaquice de nível mundial: Embaixada da Itália contesta nova burrice publicada pela Veja, a bíblia dos delirantes e dementes


Embaixada italiana desmente idiotice publicada pela Veja

Lula iria fugir pra Italia cruzando o Atlântico de pedalinho, levando o faqueiro de ouro e os dólares de Cuba, e passaria o resto da vida se deliciando com pratos e mais pratos de massas com molho de boimate
Embaixada italiana desmente Veja sobre "plano secreto" de Lula

Jornal GGN - A embaixada italiana no Brasil desmentiu a matéria capa da revista Veja intitulada "O plano secreto de Lula para evitar a prisão: pedir asilo à Itália e deixar o Brasil". A reportagem afirma que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus aliados teriam conversado com o embaixador Raffaele Trombetta sobre um "plano secreto" para tirar Lula do país, concedendo asilo político.


"As informações referentes à Embaixada e às supostas conversas do Embaixador Raffaele Trombetta são inverídicas", informou a sede diplomática italiana no Brasil, em comunicado oficial.

Em um dos pontos a nota explicita a falta de apuração mínima da revista ao apontar em uma fotografia a pessoa que supostamente seria Trombetta. "Relativamente ao evento no Palácio do Planalto, a pessoa destacada na fotografia e sentada em uma das primeiras fileiras não é o Embaixador Trombetta, como pode-se constatar facilmente", disse a Embaixada.

"O Embaixador Trombetta estava sentado, junto a todos os demais embaixadores, no espaço reservado ao corpo diplomático", completou, corrigindo com a informação correta.

Segundo a revista Veja, o embaixador promoveu um jantar em Brasília, no dia 16 de março, para cerca de 40 convidados, entre eles aliados do ex-presidente, e que foi neste encontro que Raffaele Trombetta e amigos do petista teriam comentado sobre as consequências do ex-presidente solicitar asilo à embaixada.

"O plano prevê que Lula pediria asilo a uma embaixada, de preferência a da Itália, depois de negociar uma espécie de salvo-conduto no Congresso, que lhe daria permissão para deslocar-se da embaixada até o aeroporto sem ser detido --e, do aeroporto, voaria para o país do asilo", publicou a revista sobre a suposta trama secreta.

A embaixada negou e esclareceu, ainda, que disse ao jornalista da revista que "não se queria comentar fatos que, no que tange à Embaixada, eram e são totalmente inexistentes".

Leia a nota na íntegra:

COMUNICADO DA EMBAIXADA SOBRE A MATÉRIA "O PLANO SECRETO" PUBLICADA NA REVISTA VEJA

Em relação à matéria "O plano secreto" publicada na última edição da revista Veja, a Embaixada da Itália declara:

1. As informações referentes à Embaixada e às supostas conversas do Embaixador Raffaele Trombetta são inverídicas.

2.Relativamente ao evento no Palácio do Planalto, a pessoa destacada na fotografia e sentada em uma das primeiras fileiras não é o Embaixador Trombetta, como pode-se constatar facilmente. O EmbaixadorTrombetta estava sentado, junto a todos os demais embaixadores, no espaço reservado ao corpo diplomático.

3. Na conversa telefônica citada, foi dito ao jornalista que não se queria comentar fatos que, no que tange à Embaixada, eram e são totalmente inexistentes.

Brasília, 25 de março 2016


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quarta-feira, 23 de março de 2016

Impeachment de Dilma: temer o Temer, por Jasson de Oliveira Andrade




O início de março foi muito agitado politicamente. Tivemos a delação do senador Delcídio Amaral, que foi uma bomba. Ele acusou governista e também a oposição, entre eles Aécio. Esta acusação, segundo Pedro Venceslau, em artigo no Estadão (16/3), “prejudica discurso do partido [PSDB], avaliam os tucanos. (...) O PSDB está hoje dividido em três núcleos com projetos diferentes de poder [Aécio, Alckmin e Serra], mas todos compartilham da mesma análise: a citação do senador Delcídio Amaral (PT-MS) ao nome de Aécio Neves em seu depoimento de delação premiada prejudica neste momento o discurso de todo o partido”. Até mesmo a mega manifestação do dia 13/3 (500 mil manifestantes, segundo o Datafolha), que deveria ser favorável à oposição, foi negativa: Aécio Neves (chamado de ladrão) e Alckmin foram hostilizados. Então o pedido de Impeachment de Dilma está prejudicado? Parece que não, como veremos.

Em dezembro, quando o Impeachment estava descartado, Temer, que tramava contra a presidenta, se aproximou dela. Atualmente, como a situação mudou, o Vice retomou a trama. O partido por ele presidido, o PMDB, em Convenção, pensa em romper com o governo. Com a nomeação de Lula como Ministro (posse duvidosa), ele marcou uma reunião com ele em São Paulo, em sua residência. Depois, mudou a reunião para Brasília, mas a cancelou! 

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, acusado de corrupção e aliado de Temer, iniciou o Impeachment, escolhendo a Comissão com maioria favorável a essa medida extrema. Com essa escolha, a presidenta Dilma corre perigo. O Vice, nos bastidores, está convencendo os peemedebistas a votarem pelo Impeachment. O PMDB poderá ser fundamental para tirar Dilma. Temer se reuniu com os tucanos e, segundo os jornais, já está pensando no pós Dilma. Serra está cotado para ser ministro. Lula é dúvida como ministro, mas o tucano poderá ser! A ver...

O Estadão publica (21/3) em manchete de primeira página: “Serra e Temer negociam pacto para novo governo” Na entrevista, Serra afirma que o “afastamento de Dilma é iminente e novo governo [Temer] deve buscar união”. Aécio Neves, presidente Nacional do PSDB, em artigo à Folha (21/3), sob o título “Recomeçar” (sic), também já conta com a saída de Dilma.

Por tudo isto que vimos, Dilma deve temer o Temer. Não é um trocadilho e sim uma constatação: a Presidenta está nas mãos do Vice. Infelizmente: ele também foi citado na delação de Delcídio Amaral! Para mim, se o impeachment se concretizar, a novela continuará. Ou o Vice pensa que vai governar sem graves problemas, não só moral, mas principalmente econômico?

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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Assista: Globo incita ódio contra Teori; STF vai deixar por isso mesmo?



Organizações Globo soltou seus cães de aluguel ontem à noite, logo após o “freio de arrumação” do ministro Teori. ”A revolta começou agora é vai piorar imensamente”, ameaçou pelo Twitter Diego Escosteguy, da Época (Globo). Ato contínuo, grupo fascista foi batucar na frente da casa de Teori. “Ô, ô, ô, o Teori é traidô!”, zurravam. Ministro cassou a jurisdição do juiz Sérgio Moro sobre a investigação ao ex-presidente Lula, pois o magistrado da Vaza Jato cometeu crime no afã de punir um suposto crime, erro que nem estagiário do Pereirinha cometeria. Globo faz o que faz — promover o golpe e ódio contra quem lhe contesta — sem sofrer punição alguma. Como é que essa emissora ainda tem concessão pública?; abaixo, assista ao vídeo



A Globo soltou seus cães de aluguel ontem à noite, logo após o “freio de arrumação” do ministro Teori.

“A revolta começou agora é vai piorar imensamente”, ameaçou pelo Twitter Diego Escosteguy, da Época (Globo).

Na sequência, grupo fascista foi batucar na frente da casa de Teori. “Ô, ô, ô, o Teori é traidô!”, zurrava.

Na noite de ontem (22), o ministro cassou a jurisdição do juiz Sérgio Moro sobre a investigação ao ex-presidente Lula.

O magistrado da Vaza Jato cometeu crime no afã de punir um suposto crime, erro que nem estagiário do Pereirinha cometeria.

Globo faz o que faz — promover o golpe e ódio contra quem lhe contesta — sem sofrer punição alguma. Como é que essa emissora ainda tem concessão pública?

O Supremo Tribunal Federal (STF) não tomará nenhuma medida para proteger seus ministros? Agora a vítima da Globo pode ser o Teori, mas amanhã o próprio Gilmar Mendes [patrono do golpe naquela Corte]…

No âmbito do governo, também é muito estranho que não se utilize a Constituição para barrar o golpismo da Globo. Ora, coloque-se a TV Brasil (estatal) no sinal da emissão golpista.


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"SISTEMA ilegal": Odebrecht sugere delação de TODOS os partidos, e não só de um



Muita gente do mundo político dormiu mal na noite passada, pensando na “colaboração definitiva” de todos os executivos da Construtora Odebrecht com a Operação Lava Jato. Uma pergunta vai incomodar mais que um pernilongo: eles farão uma delação seletiva, atingindo apenas o PT e autoridades do atual governo ou vão espalhar o foto, revelando a antiguidade e a extensão da conexão entre financiamento eleitoral e contratos com o setor público?

A nota da construtora traz uma pista quando afirma: “Apesar de todas as dificuldades e da consciência de não termos responsabilidade dominante sobre os fatos apurados na Operação Lava Jato – que revela na verdade a existência de um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país - seguimos acreditando no Brasil”.

O grifo é meu. A referência ao financiamento ilegal e ilegítimo do “sistema partidário-eleitoral” não remete a um partido, mas ao sistema. Logo, ao conjunto. Há nesta afirmação da nota uma coerência com rumores de que Marcelo Odebrecht, preso desde junho, teria dito que se decidisse falar, falaria de todos e não só de um partido.

Sintomaticamente, segundo o Jornal Nacional, os procuradores da Lava Jato disseram não existir nenhum acordo negociado com os executivos da construtora e que novas delações serão examinadas segundo a prioridade e o interesse das investigações. Nesta altura da marcha contra o mandato de Dilma Rousseff, a delação da Odebrecht, se ampla e irrestrita, pode ter deixado de interessar. Uma bomba de alta detonação teria reflexos diretos sobre o processo de impeachment.

Pelo menos na nota a Odebrecht põe o dedo na ferida. O conluio entre partidos e empresas que prestam serviços ao Estado brasileiro não nasceu com o PT. Vem de longe e sempre foi gerido de forma competente pelos antecederam o PT no governo. A Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal nunca o ignoraram, apenas não tiveram o mesmo interesse de hoje em desvendá-lo. A gloriosa imprensa também. O erro do PT, que sempre defendeu o financiamento público de campanhas, foi ter aderido a ele para se manter no governo, na vã ilusão de que continuariam fazendo vista grossa.

Abaixo, a nota da Odebrecht.

"COMPROMISSO COM O BRASIL

As avaliações e reflexões levadas a efeito por nossos acionistas e executivos levaram a Odebrecht a decidir por uma colaboração definitiva com as investigações da Operação Lava Jato. A empresa, que identificou a necessidade de implantar melhorias em suas práticas, vem mantendo contato com as autoridades com o objetivo de colaborar com as investigações, além da iniciativa de leniência já adotada em dezembro junto à Controladoria Geral da União.

Esperamos que os esclarecimentos da colaboração contribuam significativamente com a Justiça brasileira e com a construção de um Brasil melhor.

Na mesma direção, seguimos aperfeiçoando nosso sistema de conformidade e nosso modelo de governança; estamos em processo avançado de adesão ao Pacto Global, da ONU, que visa mobilizar a comunidade empresarial internacional para a adoção, em suas práticas de negócios, de valores reconhecidos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção; estabelecemos metas de conformidade para que nossos negócios se enquadrarem como Empresa Pró-Ética (da CGU), iniciativa que incentiva as empresas a implantarem medidas de prevenção e combate à corrupção e outros tipos de fraudes. Vamos, também, adotar novas práticas de relacionamento com a esfera pública.

Apesar de todas as dificuldades e da consciência de não termos responsabilidade dominante sobre os fatos apurados na Operação Lava Jato – que revela na verdade a existência de um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país - seguimos acreditando no Brasil.

Ao contribuir com o aprimoramento do contexto institucional, a Odebrecht olha para si e procura evoluir, mirando o futuro. Entendemos nossa responsabilidade social e econômica, e iremos cumprir nossos contratos e manter seus investimentos. Assim, poderemos preservar os empregos diretos e indiretos que geramos e prosseguir no papel de agente econômico relevante, de forma responsável e sustentável.

Em respeito aos nossos mais de 130 mil integrantes, alguns deles tantas vezes injustamente retratados, às suas famílias, aos nossos clientes, às comunidades em que atuamos, aos nossos parceiros e à sociedade em geral, manifestamos nosso compromisso com o país. São 72 anos de história e sabemos que temos que avançar por meio de ações práticas, do diálogo e da transparência.

Nosso compromisso é o de evoluir com o Brasil e para o Brasil"

TEREZA CRUVINEL - 247

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Decisão de Teori restaura ordem no sistema jurídico brasileiro, por J. Carlos de Assis


A decisão do ministro Teori Zavascki de avocar de Curitiba para o STF a parte da investigação da Lava Jato relativa ao ex-presidente Lula começou a pôr ordem na anarquia que estava prevalecendo no sistema judiciário brasileiro desde que o juiz Sérgio Moro, obcecado pelo combate à corrupção, cometeu o supremo ato de corrupção de um magistrado que é violar princípios básicos do direito como habeas corpus, presunção de inocência e privacidade das gravações telefônicas que não tem nada a ver com os fatos investigados.

A opinião pública que acompanha esse processo com algum grau de informação deve ter respirado aliviada com a decisão do Ministro. Antes dele, senti no discurso da Presidenta uma firmeza que ainda não havia visto antes. Ao declarar com todas as letras que a violação e divulgação de telefonema presidente era um crime contra a Segurança Nacional, Dilma, a meu juízo, chegou ao ponto mais próximo que poderia chegar de convocar o Conselho de Estado e decretar o Estado de Defesa, como é sua legítima prerrogativa.

Esse sinal claro da Presidenta serve sobretudo como advertência a juízes e procuradores que estão claramente exorbitando de suas funções e prerrogativas, assim como a policiais federais que se escondem por trás de associações corporativas para desafiar superiores hierárquicos com ameaças públicas de retaliação à coibição de seus desmandos. Evidentemente que estamos próximos de uma sublevação geral dessas instâncias do Estado que se tornaram fora do controle e auto-dispensadas de prestação de contas por seus atos. Daí a justificação, se o for feito, da decretação do Estado de Defesa.

O combate à corrupção não pode ser o biombo atrás do qual setores corporativos, extremamente beneficiados pelo Estado no que diz respeito a salários e gratificações, muitas inventadas e aprovadas ilegalmente por eles mesmos, decidiram ditar uma nova ordem política no país, a ser comanda por seus apaniguados, sem serem eleitos para isso e sem considerar a ordem legal. Salve o ministro Teori: num discurso que fez dias atrás no interior de São Paulo ele de certa forma antecipou essa decisão que, por ir de encontro ao estrelato de um juiz, pode contrariar a opinião pública manipulada, mas que ele simplesmente ignorou.

Uma das consequências de seu despacho será a regularização do sistema de gravações telefônicas autorizadas. Nada se deverá divulgar, e assim mesmo a divulgação deverá ser em momento oportuno, das partes da gravação que não disserem respeito diretamente ao fato investigado. Isso protegerá o cidadão dos assaltos a sus privacidade, como tem sido recorrente na Lava Jato. E acabará com um sistema pelo qual o foro do juiz Moro se tornou uma espécie de sucursal de jornais, revistas e televisões, alimentando diaramente um noticiário invasivo e ilegal, e dispensando o trabalho de repórteres.

J. Carlos de Assis - Economista, professor, doutor pela Coppe/UFRJ


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Obama cria grupo para manipulação de imprensa e informação em países estrangeiros






Ele não mudou nada. Não é uma visita a Cuba que vai mudar alguma coisa. O individuo que chega na Casa Branca se torna peão do "estado imperial permanente" ( não consigo achar uma definição então inventei uma eu mesmo )

Obama cria um novo sistema de manipulação da informação
"(...) A nova administração terá por funções lutar contra o recrutamento feito por grupos terroristas (sic). Colocado sob a autoridade do secretário de Estado, ela é dirigida por Michael D. Lumpkin (foto). Será «integrada», quer dizer, administrada por um conselho composto de representantes de vários ministérios e agências de inteligência ou de propaganda. ==> Dispõe de um orçamento de 20 milhões de dólares anual. Que serão utilizados não para produzir mensagens, mas para subvencionar, o mais discretamente possível, blogueres (blogueiros-br) ou líderes de opinião cujas mensagens são julgadas eficazes. Ela irá trabalhar, exclusivamente, em países estrangeiros.<== (...)"


Isso é um deja vu:
Manipular a imprensa brasileira é uma importante função nossa” (Hora do Povo, 2004)

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terça-feira, 22 de março de 2016

Filé da FIESP deve ser de vaca louca




O clima de histeria e de ódio faz pensar que o Brasil mudou. Para pior.

Pessoas vão às ruas protestar contra a corrupção vestindo orgulhosamente a camiseta amarela da CBF, talvez a instituição mais corrupta do País, com ex-presidente preso nos Estados Unidos, outro que não pode viajar ao exterior, sem contar outros malfeitos.

Pessoas inteligentes e cultas, que foram vítimas e lutaram para derrubar a ditadura, como Fernando Gabeira e José Serra juntam-se aos admiradores de Bolsonaro e da intervenção militar, saudosistas da ditadura.

Pessoas socialmente bem posicionadas, com muito dinheiro no bolso e no banco protestam contra a situação econômica como se tivessem empobrecido.

Pessoas com diploma universitário estão certas de que o dólar desce porque Lula está sob risco de prisão, como se manchetes influenciassem o mercado internacional do câmbio.

Pessoas inteligentes e cultas não percebem que os organizadores dos protestos são financiados por empresas como o Grupo Ultra, diretamente interessado na debacle da Petrobrás, cujo presidente tem ligações com grupos internacionais de direita e que há alguns anos, ao lado da Editora Abril e das Organizações Globo mantém o Instituto Millenium, encarregado de convencer os brasileiros de que a direita é o melhor caminho.

Três milhões de pessoas nas ruas são consideradas suficientes, pela imprensa, para derrubar um governo eleito por 53 milhões.

Aécio e Alckmin são hostilizados pelos organizadores, num evidente sinal de que eles querem um País sem políticos, e País sem políticos não é uma democracia.

E, ainda assim, continuam nessa nau dos insensatos.

Um juiz, que deveria zelar pela sua imparcialidade alia-se alegremente ao que há de mais conservador do PSDB e é aplaudido pela turba.

Três promotores tentam envolver um ex-presidente da República numa quadrilha que fraudou apartamentos do Bancoop, colocando-o ao lado de acusados que merecem penas elevadas, enquanto as penas dele, em caso de condenação, não chegam a quatro anos.

Acusam Lula de lavagem de dinheiro sem provar onde está o dinheiro e se de fato se originou de alguma ilegalidade.

Pedem sua prisão preventiva sob a justificativa de que pode fugir, sendo ele a pessoa mais conhecida do Brasil depois de Pelé e de Silvio Santos. 

Alguns juristas e políticos contestam suas decisões, mas a imprensa de oposição ao governo transforma sandices em verdades absolutas.

Políticos considerados sérios discutem o pós-Dilma, num flagrante desrespeito à Constituição, segundo a qual o presidente deixa o poder somente depois de cumprido um rito na Câmara e no Senado que não é instantâneo.

Deputados pressionam a presidente a renunciar, transformando um ato de vontade própria num ato da vontade deles.

Diante de tantos sinais de que as instituições democráticas correm perigo, pessoas decentes, corretas, competentes e honestas vão às ruas fazer carnaval para derrubar a presidente, sem se preocupar com o que virá depois.

Revista Brasileiros: 15/03/2016.

Alex Solnik. Jornalista.

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Tamanho simbólico de Lula move os esforços do governo em salva-lo e da direita em destruí-lo




No dia da nomeação de Lula para o Ministério da Casa Civil, antes da justiça federal expedir a primeira liminar impedindo a posse, fui à padaria. Conversei com a atendente que aparentava uma origem humilde e apresentava um sotaque nordestino, e ouvi da mesma: “O Lula é esperto, não fez faculdade e foi mais inteligente que esse povo metido que fez”.

No dia 1° de janeiro de 2003, um país historicamente dominado pelas elites e com uma tara elitista viu um operário com segundo grau incompleto, que fala errado e com hábitos populares, como tomar cerveja no bar ou falar de futebol, sentar o traseiro na cadeira da Presidência da República. Ou seja, o povo, cuja o poder emana dele, passava a ser representado por um homem popular. Não era um intelectual, um empresário, um agropecuarista, um petista acadêmico ou tecnocrata, era simplesmente um sindicalista operário.

Um pequeno burguês de classe média alta, como eu, não tem e nunca terá a noção do que isto representa simbolicamente para os operários e trabalhadores brasileiros. Ver uma pessoa semelhante a eles subir a rampa do Palácio do Planalto e colocar a faixa presidencial tem um valor inestimável para as classes menos favorecidas de um país tão desigual quanto o Brasil. É isso que faz Lula ser um fenômeno.

Não cabe aqui dissertar se seu governo foi favorecido por uma conjuntara internacional, se Lula é culpado ou inocente, se o lucro dos banqueiros e das empreiteiras foram os mais altos da história, ou se as reformas que a esquerda sempre sonhou ficaram à margem. Fato que o Brasil melhorou e muito no período Lula. Nunca a distribuição de renda, as conquistas de direitos e a evolução material foram tão grandes. Em outras palavras, o país que sempre foi muito ruim quando governado 500 anos por uma elite escolarizada, passava a ser aceitável ou um pouco melhor na mão de um operário.

A classe média, estudada por Florestan Fernandes, sempre esteve exprimida na correlação de classes brasileira. Ela não tem união como a elite tem em torno de interesses, nem a ideia de comunidade das camadas mais pobres. Paralelamente, o que a separa da classe mais baixa, além do poder econômico, é o status da universidade. Ter um diploma universitário, no Brasil, não passa de um certificado de pertencimento, afinal a produção acadêmica do país beira ao ridículo.

Além do incomodo de ver as classes mais baixas se igualarem no acesso à alguns bens, ter um sujeito sem diploma universitário e primor pelo português coloquial ocupando um cargo como o de Presidente da República faz a classe média entrar em parafuso e manifestar todo o seu preconceito. Você já deve ter ouvido a prova disso em indagações como: “Um sujeito sem o ensino médio governa o meu país? ”, ou, “Eu trabalhei tanto, e um sujeito que cortou o próprio dedo ganha o mesmo do que eu? ”.

Lula é, acima de tudo, um símbolo político de peso para as classes mais baixas e a imagem do operário no poder, o mesmo peso simbólico que Barack Obama tem para os negros de todo o mundo. Como os mais pobres são maioria no país, mesmo que muitos ainda carreguem os mesmos vícios e aspirações elitistas da classe média, o sucesso e a idolatria ao ex-presidente acabam sendo sintomáticos, e isso irrita muita gente.

Lula não está acima da lei. Pelo idealismo do Estado Democrático de Direito, ele tem que pagar pelos crimes que cometeu. Mas tem que haver provas consistentes de cometimento de crimes e os ritos judiciais, que claramente estão sendo atropelados, devem ser cumpridos.

Mas se Lula não está acima da lei, infelizmente, há pessoas que estão. Aécio é “pentadelatado” na Lava-Jato, Cunha tem contas na Suíça, o escândalo do trensalão corre em segredo de justiça, o mensalão mineiro foi julgado em primeira instancia (enquanto o mensalão petista foi julgado no STF), a privataria tucana e o mensalão da reeleição sequer foram investigados, Maluf está na comissão do impeachment, e por aí vai.

Lula está enfraquecido e nas cordas, mas tem uma retórica, um discurso, uma lembrança que remete à um passado glorioso recente e uma imagem ligada ao operário no poder. Apesar de muito difícil, os predicados do ex-presidente são capazes de virar o jogo, assustando assim os tucanos que ainda sonham em ver essa geração de líderes voltando à presidência.

O objetivo claro é destruir Lula, destruindo por tabela o PT e praticamente decretando o impeachment de Dilma. Para tal feito, a direita usa toda sua força que tem no judiciário, com usos e abusos de autoridade.

Os esforços do governo em salvar Lula e da direita em destruí-lo se dá porque a política é muito simbólica, e o ex-presidente tem uma simbologia muito forte no jogo político-eleitoral.

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É o povo MESMO, tomando as rédeas: Periferia paulistana começa a se articular contra o golpe


Movimentos da periferia irão lançar frente contra o impeachment

Após reunião no último fim de semana, movimentos formados nas periferias de São Paulo decidiram criar nos próximos dias um coletivo contra o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Denominado #periferiascontraogolpe, os participantes pretendem reunir criadores, produtores, articuladores políticos e culturais comprometidos com as demandas das periferias e mobilizar-se contra o processo de impedimento que tramita no Congresso Nacional.

No último sábado (19), após dias em que o clima político fritou nervos, cerca de 60 moradores das diversas periferias de São Paulo se reuniram em uma sala da Ação Educativa, na região central.

“Estou perdida, com medo de sair na rua de vermelho”, desabafou a professora e articuladora cultural Suzi Soares, 49.

Na noite anterior, ela havia participado das manifestações em apoio ao ex-presidente Lula e contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff na avenida Paulista.

“Apoiei o ‘Lula lá’, mas não consegui aplaudir ele ontem, ao mesmo tempo precisava estar ali. E hoje estou em busca de apoio para essa minha angústia. A corda vai arrebentar para o lado mais preto e a gente tem que buscar forças”, afirmou.

A insatisfação e as divergências, presentes nas redes sociais e nas manifestações nas ruas, davam o tom dos discursos expostos no encontro. Educadores da rede pública de ensino, artistas, jornalistas e integrantes de movimentos culturais das periferias buscavam respostas para dúvidas como: quais são os nossos pontos de convergência? O que nos conecta?

“É complicado não se posicionar nesse momento. Antifascismo é a grande convergência desse grupo. Estamos nos defendendo de uma mídia que orquestrou o golpe de 64, e que está em conluio com jurídico até a última raiz. Se houver um golpe, haverá um retrocesso”, disse a Solange Amorim, 46, diretora escolar no Campo Limpo, zona sul.

Assim, como Suzi, ela também participou da manifestação com ressalvas. “Vejo o PT passando por um processo de degeneração política, mas nem por isso deixei de estar na Paulista. Encontrei fundamentalmente uma classe social representada”.

Para a maioria, muitos desanimados com o governo petista, mas contra o processo de impeachment, a concordância vinha na apreensão com o retrocesso nas políticas públicas alcançadas pelos movimentos.

“Tivemos várias conquistas nas quebradas com o governo federal, apesar dos problemas. Mas houve diálogo. A proposta é nos alinharmos para não corrermos o risco de perder os direitos que quase não temos. A elite está articulando tudo, para eles nós somos tudo um só, o pobre e periférico. E essa raiva que já existe, do racismo e discriminação, pode aumentar”, disse Alex Barcellos, 36, articulador cultural.

O coletivo pretende retomar a cobrança sobre um manifesto assinado por mais de 150 coletivos e que foi apresentado para a presidente Dilma Rousseff antes da sua reeleição. A íntegra do manifesto pode ser lida em Manifesto dos Coletivos Culturais Periféricos de SP em favor da reeleição de Dilma Rousseff.

Por Cleber Arruda, 33, correspondente da Brasilândia
cleberarruda@agenciamural.com.br

Colaboraram Jéssica Moreira e Semayat Oliveira, do coletivo Nós, Mulheres da Periferia, e Thiago Borges, do Periferia em Movimento

AGÊNCIA MURAL, 21.03.2016

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Impeachment é golpe? Nas atuais circunstâncias, sim.


IMPEACHMENT É GOLPE?

Tem muita gente com formação jurídica sólida dizendo que impeachment não é golpe porque está previsto na Constituição. Porém, a sua previsão constitucional não legitima a aplicação do instituto fora dos casos previstos como crime de responsabilidade. Se a maioria do parlamento o aprova fora desses casos, é golpe sim. Hoje os golpes não são mais como nos anos da Guerra Fria. É preciso dar uma roupagem jurídica a eles, como ocorreu, em 2012, no Paraguai. As bruscas alterações na forma de interpretar a lei, a fim de caracterizar condutas, até então aceitas pelo parlamento, como crime de responsabilidade, também constituem clara forma de golpe.

Digo isso porque o processo de impeachment que está em discussão na Câmara dos Deputados não trata de qualquer aspecto ligado à Operação Lava-Jato ou aos grampos vazados, mas das chamadas pedaladas fiscais, que podem ser resumidas em duas imputações: o adiantamento de despesas sociais pelos bancos públicos e a abertura de créditos suplementares antes da aprovação da lei que aumentou o superávit primário. Por hora, é isso que a Câmara pode examinar. Aprovar impeachment por outro motivo é desrespeitar a Constituição e, portanto, golpe.

Ocorre que, nos dois casos, as condutas adotadas pelo governo vinham sendo praticadas em outros exercícios financeiros por este e por outros governos, com a aprovação do TCU e do Congresso Nacional. No aumento da meta fiscal do superavit primário no final do exercício de 2015 ainda houve expressa aprovação parlamentar do procedimento após a proposta de rejeição das contas do exercício anterior por igual motivo. Seria admissível que o mesmo Congresso que vinha acolhendo uma prática reiteradamente observada pela Administração passe a, retroativamente, considerá-la como crime de responsabilidade? A resposta só pode ser negativa, salvo se os parlamentares se considerassem co-autores dele.

É claro que se pode pretender mudar o entendimento em relação a posicionamentos anteriormente esposados. Os Tribunais costumam fazê-lo, mas sempre resguardando os efeitos passados em relação à mudança na interpretação da lei, sob pena de restar violada a segurança jurídica. No caso concreto, é forçoso reconhecer que mudar as regras para o passado para cassar o mandato presidencial, não afronta apenas a segurança jurídica, mas a própria democracia, não tendo respaldo no ordenamento jurídico.

É claro que os desdobramentos da Lava-Jato podem gerar outros procedimentos em que se poderão investigar todas as autoridades públicas envolvidas. Mas nesse particular, até o momento, a situação da Presidente Dilma é muito mais confortável do que a dos seus sucessores constitucionais. Todos devem ser investigados, sem exceção, assegurado o contraditório e a ampla defesa.

Mas que outro nome tem, senão golpe, o acolhimento do processo de impeachment da Dilma, por conta das pedaladas fiscais, comandado por um Presidente da Câmara que é réu em ação penal por corrupção e que foi recebida por todos os ministros do STF? Além de golpe seria um escárnio.

Por isso, a aceitação do pedido de impeachment pela Câmara dos Deputados pelas pedaladas fiscais é golpe que vai beneficiar vários investigados por corrupção em nosso país.

É claro que muitos neglicenciam a importância do respeito das regras constitucionais diante da impopularidade de um governo que ainda tem 2 anos e 9 meses pela frente. Porém, a ruptura das regras do jogo constitucional pode nos custar muito mais do que esse tempo, haja visto o período que demoramos para restabelecer o regime democrático no Brasil.

Vale lembrar que, em 1964, muitos apoiaram o golpe militar porque eram contra o Jango. Não queriam esperar até às próximas eleições, em 1965. Acreditavam que a intervenção militar seria rápida e cirúrgica. Por esse erro de avaliação, vivemos uma ditadura que durou 21 anos e cuja transição para a democracia é processo que consumiu bastante tempo, se é que já resta concluído.

Como disse acima, os golpes hoje não são mais militares. Mas os efeitos danosos que a ruptura institucional vai gerar serão igualmente difíceis de serem superados. Ainda mais diante de um quadro de supressão de garantias constitucionais legitimadas por muitos como estratégia para derrubar o governo.

Deste modo, todos aqueles que se preocupam com a consolidação da democracia no Brasil devem estar conscientes de que a aprovação do golpe parlamentar trará graves prejuízos que não serão contornados nem pelas eleições de 2018.

Essa consciência democrática exige, independentemente da visão que cada um de nós tem do Governo Dilma, que se diga em alto e bom som:

"NÃO VAI TER GOLPE!"

Ricardo Lodi Ribeiro é advogado, professor de Direito Financeiro da UERJ e diretor eleito da Faculdade de Direito da UERJ.

Publicado no FACEBOOK

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segunda-feira, 21 de março de 2016

Contra grampolândia golpista e ilegal, Requião e outros senadores vão ao CNJ pela exoneração de Sérgio Moro


Trecho da petição: "Interceptação feita de forma ilegal"
Grupo supra-partidário de senadores pedirão esta semana ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) punições administrativas ao juiz Sérgio Moro, pelos crimes de escuta ilegal e vazamento de gravação à Rede Globo; magistrado grampeou ilegalmente a presidente da República, Dilma Rousseff, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; dentre medidas adotadas pelo CNJ, o juiz da Lava Jato pode ser exonerado do cargo; senador Roberto Requião (PMDB-PR), ao Blog do Esmael, disse nesta segunda-feira (21) que é partidário das investigações da Lava Jato, mas não tem como apoiar o atentado contra o estado democrático de direito. “Sou um garantista por formação”, repete; abaixo, leia a íntegra do documento dos parlamentares.

Senadores preparam uma representação suprapartidária no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra juiz Sérgio Moro, juiz federal titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, que realizou grampos ilegais nos telefones da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os parlamentares têm preparado a denúncia sobre a interceptação telefônica feita de forma ilegal e divulgação criminosa da mesma gravação, que foram vazadas com exclusividade para a Rede Globo (leia a íntegra do documento).

“Ao levantar o sigilo de conversas telefônicas do ex-presidente Lula no momento em que se preparava para assumir o cargo de Ministro da Casa Civil, o juiz Federal Sérgio Moro sabia que cometia um crime”, diz um trecho do documento que será enviado ao ministro Ricardo Lewandowski, que presidente do CNJ e o Supremo Tribunal Federal (STF).

O senador Roberto Requião (PMDB-PR), ao Blog do Esmael, disse nesta segunda-feira (21) que é partidário das investigações da Lava Jato, mas não tem como apoiar o atentado contra o estado democrático de direito. “Sou um garantista por formação”, repete.

Segundo os senadores, o Juiz Sérgio Moro tem permitido, sem qualquer constrangimento no âmbito da operação Lava Jato, sucessivos vazamentos seletivos de documentos que deveriam ser resguardados em segredo de justiça, tem deliberado sobre ações drásticas como conduções coercitivas sem que o investigado seja antes intimado, tem operado delações premiadas que nada têm de espontâneas, com o investigado preso, concede entrevistas e participa de palestras falando de temas da operação, participa do lançamento de candidaturas partidárias.

O grupo suprapartidário pede ao CNJ punições administrativas ao juiz Sérgio Moro, pelos crimes cometidos, que podem resultar na exoneração do magistrado. 


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domingo, 20 de março de 2016

Semântica : "Corrupção" é a palavra que veio higienizar as velhas e antigas demonstrações e expressões de ódios e preconceitos mil.



O FEITIÇO DA "CORRUPÇÃO"

Por dever de ofício (ganho pobremente a vida como pesquisador), acompanho os perfis antipetistas no Twitter e no Facebook há mais de cinco anos. Bem antes, portanto, que a expressão "antipetista" fizesse sentido e começasse a ser usada (eu comecei a usá-la na campanha de 2015). Temos o "crítico do PT" e até a "oposição ao PT", mas, para usar uma contraposição clássica na Teoria Política, o antipetista não considera o PT adversário, mas inimigo. Adversários precisam ser vencidos, inimigos precisam ser aniquilados. Move o antipetista a convicção de que o PT representa o Mal e precisa ser expurgado, cancelado, extinto. Removido "para o quinto dos infernos" como gosta de repetir um amigo.

Pois bem antes da crispação extrema em que nos encontramos, já era muito comum a expressão do ódio ao PT, a Lula, aos programas sociais e a qualquer política social, às pautas voltas para afirmação de direitos de minorias e dos excluídos, aos discursos sobre o reconhecimento de grupos estigmatizados e, por fim mas nem por isso menos importante, já se compartilhava a ojeriza à transformação de pobres e miseráveis em consumidores de bens, serviços e espaços antes reservados à classe média tradicional. Vamos combinar que conservadores, fundamentalistas, homofóbicos, portadores de preconceito de classe, racistas (inclusive os novos "racistas geográficos") e ultraliberais nunca gostaram do PT, de Lula e do que estes "representavam". E não pelas razões certas.

Já os observo muito antes que os rótulos "gayzistas", "esquerdopatas", "lulopetistas", "abortistas", "inimigos da família" fossem trocados por "corruptos". Acompanho a cronologia dos insultos a Lula, o "quatro dedos", "cachaceiro", "peão", "analfabeto" e "apedeuta" muito antes de que tudo se resumisse "ladrão", "corrupto" e "chefe de quadrilha". Tenho o registro de quando Dilma saiu de "poste" e "gorda" para "puta", "vaca" e “sapatão” até que tudo se condensasse em chefe do "governo mais corrupto da história do Brasil". E lembro quando as críticas das candidaturas do PT à presidência partiram do "sem experiência para governar" e evoluíram para “exploradores eleitorais dos dependentes da bolsa esmola" e dos "Nordestinos, este povo bovino", até chegar ao mesmo ponto para onde evoluíram todos os outros rótulos usados para o seu rebaixamento: o partido da corrupção.

Em suma: o ódio ao PT vagabundeou muito de rótulo em rótulo, de palavra-chave em palavra-chave, até pousar na "corrupção" e fazer desta o seu ninho, mas é sempre o mesmo velho ódio, só que mais encorpado. Que fique claro: não tenho dúvida de que foi o próprio PT e o próprio Lula, por mandarem muitíssimo mal no que respeita ao comportamento republicano, que entregaram a régua e o compasso com que os seus “haters” pudessem, enfim, forjar uma base semântica forte para concluir a obra de degradação de ambos. Mas o ódio mesmo que sustenta a oficina de degradação do PT na esfera pública, esse ódio é conhecido e vem de muito longe.

Os rótulos com que se detratavam PT e Lula convergiram, pois, na corrupção. O que serviu, antes de tudo, para higienizar os discursos, os valores e as intenções dos detratores. Assim, para desqualificá-los ninguém mais precisa dizer que detesta os programas sociais do PT que entrega caridade e fideliza eleitores, que detesta o gayzismo e a "ideologia do gênero" moldados para destruir a família. Não precisa mais dizer que preferia o tempo dos militares. Não há mais qualquer necessidade de dizer que se adoraria enxotar essa "gente diferenciada" dos “nossos” aeroportos, centros de compras ou vizinhança, nem mesmo de dizer que o desejo, contido, era afogar nordestinos no Tietê, ou separar o Brasil próspero do Brasil atávico e tropical. “Tudo culpa do PT”. Ninguém precisa mais dizer que se preferia um presidente intelectual da Sorbonne e não um torneiro mecânico.

Para que sujar as mãos, queimar o próprio filme, arriscar a antipatia social? Nem mesmo há necessidade fornecer aquele famoso argumento público que dificilmente vence as resistências liberais ou republicanas e traz mais antipatia ao detrator do que apoios. É bastante que se diga que se é contra a corrupção, que corrupto tem que ir para a cadeia, que o partido que mais se beneficiou da corrupção na história tem que ser banido, que a presidente que comprou a sua eleição com corrupção precisa ser demitida, que Aécio, Bolsonaro, Temer ou Tiririca precisam assumir o Brasil para fazer uma faxina e eliminar de vez a corrupção petista que contaminou tudo. Nas águas do combate à corrupção, emergem os discursos feios, sujos e malvados, para, então, ressurgir, purificados e revigorados, agora na forma da expressão da mais pura indignação moral ante os ultrajes antidemocráticos representado por Lula, por Dilma e pelo PT, a quintessência do Mal. Obra brilhante, meus amigos. Quero ver que gênio da fabricação de imagem vai ajudar o PT descontruir esse feitiço semântico.

WILSON GOMES, no Facebook


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Jânio de Freitas: Moro agiu ilegalmente e depois mentiu




Se fosse preciso, para o combate à corrupção disseminada no Brasil, aceitar nos Poderes algumas ilegalidades, prepotência e discriminações, seria preferível a permanência tolerada da corrupção. Os regimes autoritários são piores do que as ditaduras, ao manterem aparências cínicas e falsos bons propósitos sociais e nacionais, que dificultam a união de forças para destituí-los.

A corrupção é um crime, como é um crime o tráfico de drogas, como o contrabando de armas é crime, como criminoso é –embora falte a coragem de dizê-lo– o sistema carcerário permitido e mantido pelo Judiciário e pelos Executivos estaduais. Mas ninguém apoiaria a adoção de um regime autoritário para tentar a eliminação de qualquer desses crimes paralelos à corrupção.

A única perspectiva que o Brasil tem de encontrar-se com um futuro razoavelmente civilizado, mais organizado e mais justo, considerado entre as nações respeitáveis do mundo, é entregar-se sem concessões à consolidação das suas instituições democráticas como descritas, palavra por palavra, pela Constituição. Talvez estejamos vivendo a oportunidade final dessa perspectiva, tamanhas são a profundidade e a extensão mal percebidas mas já atingidas pela atual crise.

Apesar desse risco, mais do que admiti-las ou apoiá-las, estão sendo até louvadas ilegalidades, arbitrariedades e atos de abuso, inclusive em meios de comunicação, crescentes em número e gravidade. Os excessos do juiz Sergio Moro, apontados no sensato editorial "Protagonismo perigoso" da Folha (18.mar), e os da Lava Jato devem-se, em grande parte, à irresponsabilidade de uns e à má informação da maioria que incentivam prepotência e ódio porque não podem pedir sangue e morte, que é o seu desejo.

Moro e seus apoiadores alegam que as gravações clandestinas foram legais porque cobertas por (sua) ordem judicial, válida até 11h12 da quinta 17. Dilma e Lula foram gravados às 13h32. Esta gravação sem cobertura judicial foi jogada para culpa da telefônica. Mas quem a anexou como legal a um inquérito foi a PF, em absoluta ilegalidade. E quem divulgou a gravação feita sem cobertura judicial foi o juiz Sergio Moro, cerca de 16h20.

Na sua explicação que seguiu a divulgação, porém, Moro deixou a evidência que desmonta seu alegado e inocentador desconhecimento daquele "excedente" gravado. Ao pretender justificá-lo como informação aos governados sobre "o que fazem os governantes" mesmo se "protegidos pelas sombras", comprovou que sabia da gravação sem cobertura ilegal, de quem estava nela e do seu teor. E tornou-a pública, contra a proibição explícita da lei.

A ilegalidade foi ampliada com a divulgação, em meio às gravações, dos telefones particulares e das conversas meramente pessoais, que Moro ouviu/leu e, por lei, devia manter em reserva, como intimidades protegidas pela Constituição. E jornais em que a publicação de pornografia e obscenidades está liberada, para pasmo da memória de Roberto Marinho, atacam a "falta de decoro" das conversas pessoais.

O STF decidiu desconectar as ações sobre contas externas de Eduardo Cunha e de Cláudia Cruz: a dela foi entregue a Moro. No mensalão, em 38 julgados no STF só três tinham foro privilegiado. Os demais foram considerados conexos. Há duas semanas, o STF manteve em seu âmbito, como conexos, os processos do senador Delcídio e o do seu advogado. Por que a decisão diferente para Cruz? A incoerência não pode impedir suposições de influência da opinião pública, por se tratar de Cunha e sua mulher.

Ainda no Supremo, Gilmar Mendes, a meio da semana, interrompeu uma votação para mais um dos seus costumeiros e irados discursos contra Dilma, o governo, Lula e o PT. Seja qual for a sua capacidade de isenção, se existe, Mendes fez uma definição pessoal que o incompatibilizaria, em condições normais, para julgar as ações. Assim era.

Muitos sustentam, como o advogado Ives Gandra, que "a gravação [a ilegal] torna evidente que o intuito da nomeação [como ministro] foi proteger Lula", o que justificaria o impeachment. Foi o mesmo intuito da medida provisória de FHC que deu ao advogado-geral da União título de ministro para proteger Mendes, com foro especial, contra ações judiciais em primeira instância. Uns poucos exemplos já mostram a dimensão do que se está arruinando no Brasil, talvez sem volta.

JÂNIO DE FREITAS

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Transparência não tem que ser imposta só aos "puliticus", mas a todos mesmo, SEM EXCEÇÃO

Tocando no assunto da "transparência" ( aquela que acha bom o Moro ventilar grampos ilegais mas não cobrar dele que abra mão de seus próprios sigilos telefônicos e - por quê não? - bancários ) e considerando essa colocação exposta na imagem acima (*).

Notem que, finalmente, a inclemência baixou até nós, nosso mundinho mundano, nosso cotidiano. Saiu dos gabinetes e desceu aqui. Pessoas comuns já estão sendo afetadas ( É IMPORTANTE RETER ESSA IDÉIA: agora a gente também está na linha de fogo )
Logo, chegou a hora: que tal levar esse espírito até o fim, até as últimas consequências, em nome da bandeira da moralidade geral e da transparência? Geral. A sociedade precisa cortar na própria carne.

A hipocrisia é uma forma de corrupção. Esse golpe em andamento é alimentado pela hipocrisia de milhões de filés ( lembrem, não uso mais o termo "coxinha" ) que se lixam para as ilegalidades cometidas por policiais federais, promotores, juizes e jornalistas. Ou seja, é um golpe corrupto na essência.


Em vez de esperar e assistir que patrões parem de contratar petistas, tome a decisão de parar até de conversar com petistas.

Por outro lado, será fundamental que todas - TODAS - as pessoas passem a abandonar e denunciar toda e qualquer mijada fora da bacia alheia, toda prática minimamente ilegal ou desabonadora. Parar de conversar, cortar as amizades e relações, abandonar estabelecimentos, não deixar os amiguinhos da escola virem brincar em casa, para TODO TIPO DE mijada fora da bacia. Que tal?

Seu amigo estacionou na calçada? Corte amizade. Ficou sabendo que o vizinho invadiu terreno alheio ou público, ou mesmo a calçada, na obra da casa? Chame a Prefeitura. Mora num prédio cuja construtora invadiu solo público? Denuncie, principalmente sabendo que você mesmo foi favorecido por isso. Afinal, você é neodecente, lembra?

Seu colega desviou um pacote de sulfite do almoxarifado e você descobriu? Em vez de encobri-lo ou roubar sulfite também, denuncie-o.

O vizinho ao lado construiu uma calçada ilegal? Chame a Prefeitura imediatamente e dê um jeito de todos saberem que agora será assim, todos fiscalizando a todos. Melhor que isso: saia fotografando todas as calçadas do bairro, com endereço e número da casa e faça um site ou blog sobre isso. Fotografe carro em local proibido. Publique, com placa e tudo. Se tiver a foto do meliante, melhor. A sociedade precisa saber que tem bandido andando entre nós, para poder se proteger.

Seu namorado ofereceu propina para um guarda de trânsito? Saia do carro AGORA e vá de busão pra casa. Desfaça o namoro imediatamente. Ficou sabendo que o marido da amiga a trai? Mande um email anônimo, sem pensar muito. O marido da amiga a trai com você? Confesse a ela. JÁ!

Descobriu que certo estabelecimento pagou pra fiscal fechar os olhos? Denuncie na Prefeitura e pixe a parede desse estabelecimento, de madrugada, denunciando a corrupção. Diga a todos que não frequenta mais esse antro.

Bar ou padaria coloca mesa na calçada sem permissão? Chama a Prefeitura e manda carta pro jornal do bairro. Claro que tem gente que vai pensar: "Porra, o dono do bar é meu amigo e eu frequento lá!" Pois é. Obrigado pela confissão, seu corrupto do caralho.

Denuncie qualquer falcatrua, sonegação, esqueminha, trambiquinho, piadinha racista, sofá que a tia mandou jogar na esquina. Não há mais inocentes e a gente não precisa esperar que nos apresentem atestados de bons antecedentes pra começar a agir. A mudança tem que partir de cada um.

Não caia na conversa de que "foi só dessa vez". Exclua "amizades" ( virtuais ou reais, não importa ), namoros e relaçoes familiares e REVELE AO MUNDO OS MOTIVOS. Exponha os podres das pessoas. 

Antes só do que mal acompanhado, mas tomando o cuidado para que você não seja a própria má companhia. Nesse caso, não restando mais nenhuma corrupção alheia para denunciar, falta uma coisa: o suicídio.

Se é "chega!", é "chega!" de vez. A partir de agora, transparência e denuncismo totais, doa a quem doer. Se é pra fazer, tem que fazer direito. Vidas serão arruinadas, mas uma sociedade pura e impoluta brotará daí. Não será difícil nem demorará tanto, já que o uqe mais se vê são pessoas virtuosas e inatacáveis, exibindo suas credenciais acima de quaisquer suspeitas. Uma base já existe. 
Ser supostamente intolerante com a corrupção "duspuliticus" enquanto permite, tolera ou pratica a corrupção comezinha é uma forma de corrupção. Talvez pior, pois tem a marca da hipocrisia.

Tomara que ironia e cinismo não passem a ser considerados crimes nessa nova sociedade, senão eu tô lascado. Se não se tornarem crime, nadarei de braçada.

(*) Comentários sobre os "motivos" para não se contratar "petista"

1 - Eu conheço a história de alguém - não importa quem, o que importa é o exemplo ilustrativo - entusiasta ( mesmo ) do capitalismo, que, muitos anos atrás, dava altos desfalques nos postos de gasolina em que trabalhava. E demonstrava um certo orgulho em contar isso. Não era petista. E nem burro.

2 - Recentemente, eu trabalhei 3 anos para um senhor "J" que passava o dia, de jornal em punho reclamando de tudo, a ponto de me deixar com o astral muito ruim e, certamente, vários efeitos psicossomáticos derivados disso. Mas não era má pessoa. Quando estava no espírito, contava várias histórias muito boas, sobretudo as de futebol - embora, pra todos os efeitos, justamente para não ter discussões, eu entrei no emprego dizendo que não torcia pra ninguém. Ele trabalhou na Telesp, na época da ditadura, e contava como os chefes eram indicados, um era o coronel que ia cuidar do departamento X, ou do major que veio pra ficar no departamento Y ( PS: vários deles eram na verdade "encostados" na função, ou seja, ganhavam sem trabalhar. Os milicos, heim? )
Um dos funcionários colegas do seu "J" era, segundo suas - do seu "J" - palavras, "comunista mesmo, membro do Partidão", ou seja, os "petistas" da época. E não era demitido pelos chefes milicos por ser reputadamente sério, honesto e trabalhador

3 - Fico imaginando a ficha de emprego:

( ) Você é petista?
Aí o candidato responde que não, mas na hora da entrevista lhe perguntarão: "Por quê você diz que não é petista mas tem cara de petista? Além de petista, é mentiroso!"

4 - Eu trabalhei numa banca de jornal cujo dono votava no Serra, no PSDB e dizia pras pessoas - eu não tinha conhecimento - que não podiamos vender refrigerante e sorvete porque "a Marta não deixava". A vez que eu flagrei ele dizendo isso pra uma mulher, eu não só o desmascarei diante dela, disse na cara que ele estava mentindo, e que a proibição era lei municipal. A cereja do bolo, o prego no caixão: saquei da gaveta a xerox do Diário Oficial que provava o que eu estava dizendo.

5 - Aproveitem - no caso de estabelecimentos comerciais - e botem uma placa: "Não atendemos petistas", partindo do mesmo raciocínio. E poupe os petistas de gastar seu dinheiro nestes estabelecimentos. Vai saber se não pagou fiscais pra fecharem os olhos para as baratas na cozinha ou os ingredientes vencidos.

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