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sábado, 20 de fevereiro de 2016

Em novo filme Michael Moore mostra que qualquer lugar é melhor que os EUA




Diretor norte-americano lança novo filme no Festival de Berlim

Após mais de seis anos sem lançar um filme, o cineasta Michael Moore volta à cena com mais um documentário em que critica a política norte-americana. Depois de “Capitalismo – Uma História de Amor” (2009) no qual atacava o sistema financeiro que levou à bancarrota milhares de famílias norte-americanas Michael Moore lança “Where to Invade Next”, em tradução livre “Onde invadir agora?”.

O novo filme do diretor foi exibido nesta quarta-feira, dia 17, no Festival de Cinema de Berlim fora da competição e em diversos momentos da projeção arrancou gargalhadas da platéia. A nova empreitada de Michael Moore é mostrar como vários países europeus resolvem, por meio de leis, algumas questões sociais, econômicas e políticas muito melhor que os Estados Unidos. Em “Where to Invade Next”, o diretor visita a Finlândia, Islândia, Portugal, Alemanha, Itália e outros países europeus para mostrar que a vida nesses países é muito melhor que nos Estados Unidos. A ideia de Moore no filme é recolher “bons exemplos” que podem ser “roubados” e levados para melhorar a vida dos norte-americanos.

A “investigação” de Moore percorre temas como drogas, sistema carcerário, leis trabalhistas, merenda escolar e até crise econômica. Neste filme, o diretor utiliza o mesmo sistema já praticado por ele em seu filme “Sicko – $.O.$ Saúde” (2007) sobre o péssimo sistema de saúde dos Estados Unidos em comparação com o de outros países como França, Inglaterra e Cuba.

Entre os exemplos mostrados por Moore estão o sistema penitenciário norueguês, que é mundialmente conhecido como o mais humano que promove de fato a reabilitação dos detentos e que tem um dos menores índices de reincidência do mundo, menor que 20%. Obviamente que no filme Michael Moore aproveita para criticar o sistema norte-americano que tem mais de 3 milhões de prisioneiros, a maioria negros e pobres e índice de reincidência na faixa dos 70%.

Outra ideia boa para “roubar” o diretor achou em Portugal; a legalização do comércio e consumo de drogas. Já na França ele ficou abismado com a merenda saudável servida nas escolas em comparação à gororoba servida nos colégios norte-americanos. Outra surpresa de Moore foi ao visitar a Itália e descobrir que os trabalhadores recebem 13º salário e as mulheres têm licença maternidade, assim como no Brasil. Direitos aliás que a direita brasileira tenta a todo custo extinguir. Universidade gratuita oferecida na Finlândia também foi uma das ideias “roubadas” pelo diretor.

Ao mostrar essas “ideias” e leis de outros países o diretor mostra, involuntariamente ou não, que ao contrário do que muitos pensam e propagandeiam, a vida nos Estados Unidos, “o país da democracia”, “da liberdade”, “da prosperidade”, não é nada fácil.

O filme estreou no ano passado no Festival de Cinema de Toronto e também já foi exibido no Festival de Cinema de Nova Iorque. Nas salas de cinema dos Estados Unidos estreou em novembro de 2015 com pouca repercussão. Moore, que já ganhou um Oscar em 2003 com “Tiros em Columbine” e a Palma de Ouro em Cannes em 2004 com “Fahrenheit 11 de Setembro”, seu maior sucesso de público, mais de US$ 200 milhões arrecadados, disse que foi censurado pela MPAA (Motion Picture Association of America), que classifica a faixa etária dos filmes que chegam aos cinemas.

“Where to Invade Next” recebeu classificação “restricted” que proíbe que menores de 17 anos assistam o filme sem a presença dos pais. A restrição diminui sensivelmente a bilheteria. A justificativa da MPAA para a censura foi mostrar o uso de drogas legalizado em Portugal. Caso o diretor fizesse uma edição no filme ele poderia ser liberado com um classificação etária menor, mas ele recusou e atacou a MPAA “Não vou fazer nenhum corte. Não acreditamos em censura neste país… É espantoso como passaram 25 anos – inventamos a Internet, o casamento gay é legal e elegemos um negro Presidente dos EUA, mas a MPAA ainda censura imagens que estão disponíveis em qualquer programa de notícias”. 

Na revista Variety ele ainda declarou “A MPAA não quer que os adolescentes vejam estas coisas sem supervisão dos pais. O meu conselho aos adolescentes dos EUA é que vocês sabem o que fazer e sabem como entrar”, ainda disse “Vejo filmes PG-13 [conteúdos inapropriados para crianças com menos de 13 anos] onde literalmente centenas de personagens são mortas com armas ou bombas”.

“Where to Invade Next” ainda não tem previsão para estreia no Brasil.


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NOTA DESTE BLOG: Acabei de lembrar um troço agora: tempos atrás, não sei que revista do imprensalão saiu com uma reportagem do tipo "O Brasil que queremos" em que elencava uma série de "qualidades" desejáveis - de acordo com a revista - de outros países, que o Brasil tinha porque tinha que ter. Eu comentei em algum lugar que esse Franskenstein bonito não existia em lugar nenhum do mundo e que, portanto, era uma imbecilidade sonhatica exigir que justo nós tivessemos isso. Claro que o objetivo da matéria não era sonhar com um país melhor, mas simplesmente criticar o governo federal e negar os progressos que o país conseguira, apelando à vira-latice de muitos brasileiros. Pois o Michael Moore está fazendo nesse filme a mesma coisa, com a diferença que ele está colocando o Eldorado yankee no lugar que a revista botou o Brasil.

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