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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Dilma, o "Chip da Besta", as bestas propriamente ditas, e o Malafaia



Festival de Insanidades que Assola o País


Da coluna "Notas Vermelhas", no site Vermelho:


Em um grupo de wattsapp uma pessoa, presumivelmente alfabetizada, já que lê e escreve mensagens e presumivelmente vivendo no século XXI, já que faz uso de tecnologias modernas de comunicação e afinal estamos em fevereiro de 2016, compartilha uma mensagem "Urgente para todos os brasileiros", onde alerta para a "importância" de uma advertência do pastor Silas Malafaia sobre o "chip do demônio". 

Um membro do grupo entra no assunto e de forma educada argumenta que o alerta "não procede". O "chip do demônio" é inconstitucional, assegura ele. Segue-se um debate sobre o "tema", com a maioria dando algum tipo de crédito à trama que o tinhoso estaria arquitetando com auxílio da Dilma e da ONU. 

Victor Hugo, em Os Miseráveis, dizia que, em “cidades pequenas, existem mais bocas que falam do que cabeças que pensam". Tire o “cidades pequenas” da frase e coloque redes sociais e a analogia está pronta.

Falecido na última sexta-feira (20), o escritor Umberto Eco afirmava que "as redes sociais dão o direito de falar a uma legião de idiotas que antes só falavam em um bar depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a humanidade. (...) É a invasão dos imbecis".

Mas o problema é menos da rede social, em si mesma uma coisa positiva, e muito mais do uso que se faz deste instrumento através do sistema midiático hegemônico, que transforma cérebros em geleias.

É o crime perfeito. O uso do senso comum habilmente direcionado e manipulado para atingir determinado fim político. A “legião de imbecis”, de que falava Umberto Eco, munida de não mais do que três ou quatro “verdades”, saí a bradar aos ventos com a convicção de um fanático e a profundidade de um pires.

É assim que assistimos surgir em massa fenômenos como o pobre convictamente direitista, a mulher histericamente machista, o gay ultraconservador, e por aí vai.

Um conhecido de muitos anos lamenta em seu facebook que determinado jovem (menor de idade, pobre e negro) detido acusado de um crime, não tenha sido morto imediatamente e completa: "e punido depois do devido processo legal". 

Ele não explica como o cadáver iria se defender no "devido processo legal" e qual a punição que seria aplicada ao corpo depois de condenado.

Detalhe: a própria polícia descobriu depois que o jovem em questão não tinha cometido o crime que lhe era atribuído.


Dias depois este mesmo cidadão posta a foto de uma pessoa morta em tiroteio com a polícia: “Pra cima deles sem perdão ou pena.Se for menor de idade manda pro IML e depois liga pro Deputado pra ele pagar a conta”.


Detalhe II: O cidadão que posta estas repetidas mensagens saudando execuções sumárias e a barbárie institucionalizada é um advogado negro. 

Vários advogados curtem a postagem. Um deles pelo menos é sócio de um escritório de advocacia criminal.

Outro cidadão defende uma lei proibindo o casamento de pessoas do mesmo sexo e quase na mesma frase diz "que o Estado deve interferir o mínimo na vida das pessoas".

Mais ou menos como aquele que defende a “meritocracia” e tem medo da concorrência dos “imigrantes”.

Notórios corruptos bradam enfurecidos contra a “corrupção”. Velhos e conhecidos acochambradores, que passaram a vida promovendo e acobertando suas falcatruas e as de parceiros, se transformam em porta-vozes da moralidade nacional. E são aplaudidos freneticamente.

A coisa é tão bem-feita que quando o índice de insanidade atinge um grau absurdo, a mesma mídia hegemônica que produz o fenômeno ainda corre a fazer pose de surpresa, chegando a admoestar o monstro que criou sem, no entanto, deixar de alimentá-lo e conduzi-lo.

O jornalista Sérgio Porto (pseudônimo Stanislaw Ponte Preta) criou “O Festival de Besteiras que Assola o País – FEBEAPÁ” como forma de criticar a ditadura militar.

Hoje, quando a ditadura foi derrotada e graças a isso as pessoas podem se manifestar e algumas se manifestam pela volta da ditadura, se vivo fosse Sérgio Porto talvez trocasse o “Besteiras” por “Insanidades”.

Pois este clima de frenesi de manipulação, intolerância e ódio, sempre com os mesmos alvos e claros objetivos, não é novo na história mas também não desperta em parcelas significativas do povo qualquer suspeita sobre seus verdadeiros motivos.

Enquanto isso, acobertados pela mídia e contando com a adesão de uma "legião de imbecis", de juízes comendadores da Globo e de procuradores fanáticos religiosos, os descendentes políticos dos golpistas de 1964 tramam algo nefasto.

Algo que pode afetar dramaticamente a vida da grande maioria da população e cujo segundo passo será a morte da democracia. 

Digo segundo passo, pois o primeiro passo em grande medida parece que já deram: estão conseguindo matar o pensamento.

...


COMENTÁRIO DESTE BLOG: Chip da Besta, além de ser uma apropriação safada de uma história nascida nos EUA, que tem Obama como o personagem ( capaz de ser mais antiga até ), de certa forma é uma versão mais moderna da história dos códigos de barra de Satã, que circula pelaí antes mesmo da Internet aparecer na primeira casa brasileira. A primeira vez que tive contato com a historia do código de barra foi em 1991, quando, lembremos, quase nem havia código de barras nas mercadorias. Uma pregadora veio me importunar enquanto eu esperava pelo busão. Quando me mostrou o folheto - que ela não podia me entregar - eu pedi que me emprestasse e fui lá tirar xerox. Tenho esse papel até hoje rsrs

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