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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Caso de FHC com jornalista AGORA assume contornos mais interessantes



Eu, e acho que todos os jornalistas do Brasil, sempre soube do caso extra-conjugal de FHC com Mirian Dutra. Como já disse, conheci a Mirian nas muitas viagens a Portugal, Inglaterra e Espanha para cobrir F-1. Sempre jantávamos juntos com o pessoal da Globo. "Ah, então por que não denunciou?", perguntará alguém. 

Primeiro, porque não cobria política, e sim F-1. Segundo, porque não havia propriamente nenhuma denúncia a fazer. Não tenho nada com a vida pessoal de ninguém, embora FHC, como pessoa pública, estivesse sujeito a escrutínio permanente da imprensa.

Mas do mesmo modo que achei uma canalhice o que Collor e a Globo fizeram com a filha de Lula, Lurian, com uma ex-namorada, achava uma canalhice "denunciar" um romance entre dois adultos que se tinham de dar satisfação a alguém, não era a mim. Por isso, o assunto não me dizia respeito.

Mas aos jornalistas políticos que exploraram o caso Lurian, dizia, sim. Mesmo peso, mesmas medidas. Seria o recomendável, não? Só que a imprensa toda, por orientação dos donos das empresas, nunca tocou no assunto. O motivo era óbvio: preservar FHC e garantir que uma história cabeluda não prejudicasse sua eleição e, depois, a reeleição.

É ingenuidade achar que ninguém no PT soubesse do caso (*). Claro que todos sabiam. Mas isso nunca foi usado em campanha nenhuma, porque seria uma canalhice inominável. Era assunto pessoal de FHC e de Mirian, e eles que cuidassem de suas vidas como achassem melhor.

Mas é claro que havia, também, a desconfiança geral -- eu poderia dizer "certeza", mas vá lá -- de que a Globo exilou Mirian na Europa num acordo explícito com FHC. Mesmo assim, o que havia para "denunciar"? Quais provas poderiam ser apresentadas? Nada, para a primeira pergunta, e nenhuma, para a segunda. Acusar a Globo de ajudar FHC? OK, era uma tese perfeitamente defensável. Mas e daí? A Globo negaria, FHC negaria e Mirian negaria. E fim de história, com possibilidade ainda de levar um processo na orelha.

Só que agora as coisas são um pouco diferentes. Além da entrevista de Mirian contando detalhes do relacionamento, temos agora a informação de que FHC mandava dinheiro para ela através da Brasif, empresa que explorava os freeshops nos aeroportos brasileiros. Que belo favor, não? E que FHC comprou um apartamento de 200 mil euros para o filho que teve com Mirian, Tomás. E que a irmã de Mirian, Margrit, é funcionária fantasma do gabinete do José Serra no Senado. E que a "Veja", numa combinação com FHC, publicou na época nota falsa sobre a jornalista ter um relacionamento com um biólogo, ou coisa assim, para justificar a gravidez.

É um escândalo? É. A Globo exilar a jornalista para ajudar FHC, por si só, seria um enorme escândalo, pudesse ser provado. Mas era impossível provar qualquer coisa nesse sentido. Só que o envio de dinheiro através de um amiguinho que explorava uma concessão em aeroportos federais, um apartamento comprado na Espanha para o filho e a funcionária fantasma de José Serra compõem um quadro bem mais... interessante.

E, evidentemente, muito mais grave que um triplex que nunca foi comprado, um sítio em Atibaia que nunca foi de Lula, uma antena da Oi que serve a toda uma região ( Lula não usa celular ), um barquinho de 4 mil reais, dois pedalinhos e um mini Cristo Redentor no lago.

Substitua FHC por Lula nessa história inteira: um caso extra-conjugal, um filho fora do casamento, dois abortos, exílio da amante na Europa por duas décadas bancado por uma empresa amiga que tem concessões públicas de rádio e teledifusão, dólares enviados mensalmente através de outra empresa que detinha concessão em aeroportos federais (a empresa foi vendida por US$ 500 milhões, era um negócio bem lucrativo...), um apartamento de 200 mil euros na Espanha e uma irmã da amante com emprego fantasma no gabinete do senador do mesmo partido.

Estariam garantidas algumas dezenas de capas de "Veja", "IstoÉ" e dos pobres jornalões, cada vez mais ridículos em sua obsessão pelo nada absoluto.


(*) NOTA DESTE BLOG: mais que o caso de FHC e da jornalista em si, seria interessante descobrir se petistas, jornalistas ou tucanodemos sabiam dos abortos. Pois em 2010 a esposa do então candidato do PSDB à presidência, José Serra, acusou a candidata do PT de "assassina de criancinhas", e o tema do aborto ganhou corpo durante a campanha. Resta saber se Mônica Serra tinha conhecimento dos abortos que Fernando Henrique bancou pra namorada. 

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