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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

"A Indústria da Multa não Existe", em: o poder de convencimento dos meliantes





Eu perdi da memória quanto tempo faz que escuto essa lorota de Indústria da Multa. Acho que desde que passei a prestar atenção no papo. 

Sei que, em 1991, 1992, eu tinha mandado um amigo pintar numa camiseta a seguinte frase: "Você ama seu carro? Queime junto com ele!". Eu tinha 19 ou 20 anos e já detestava - à minha maneira - o endeusamento ao automóvel. Nunca aprendi a dirigir. Não que eu não andasse, quando me oferecessem alguma carona. Mas nunca procurei. Na verdade, era bem comum o pessoal da escola se tornar amigo desinteressado de quem tinha carro. Fora o acesso facilitado às moças que a rapaziada já automobilizada tinha. Não acho que seja machismo ou sexismo da minha parte relatar o que eu via, ouvia, presenciava. Nem que isso acontecesse somente na minha escola, ou na minha classe, o fato é que era assim que funcionava. Ponto final. 

Voltando à "Indústria da Multa" (sic!): acreditam que meu conhecimento sobre isso era tão precário, que nem faz tanto tempo assim que fiquei sabendo que carro não pode estacionar na calçada? Eu cresci vendo essa prática, sem saber que é ilegal. Quando descobri, fiquei pasmo, das liberdades que os donos de carros se auto-conferiam, em detrimento do pedestre. Eu geralmente só pensava na questão da poluição, ou dos folgados que estacionavam na frente da firma, em local proibido. Depois é que comecei a prestar mais atenção.

Bom, chega de reminiscências.

Recentemente, em 2015, saiu nos jornais: "Dados da CET apontam que 71% dos carros que circulam na capital não levaram nenhuma multa em 2014" e que, segundo o especialista Horácio Figueira 80% dos carros não são multados, de acordo com um estudo de 2007 feito por ele e sua equipe.

Números meio próximos, certo? 

Em 2008 publicaram o seguinte: "Maioria não comete infração" ( Diário de São Paulo, 08.09.2008 ). Informação passada pelo jornal dizia que, segundo dados do DSV, cerca de 72% dos veículos não tinham uma única multa; que 12% haviam recebido uma intimação; e, por fim, os 16% restantes foram multados duas vezes ou mais pelos marronzinhos ou policiais militares. 

Curiosamente - longe disso, não tem segredo aí - a matéria não mencionava os radares. Mais uma prova de que a imprensa sempre jogou pra torcida, demonizando os profissionais do trânsito. 

Prosseguindo: "Isso prova que em geral o motorista não é infrator. Mas aqueles que cometem as infrações são reincidentes, têm predisposição para irregularidades no trânsito da cidade", explicava José Luiz Nakama, então diretor do DSV.

Ou seja, os 15 a 20% dos historicamente reincidentes na canalhice possuem um excepcional poder de convencimento. Eles convencem a maioria esmagadora que nunca recebeu multa, de que tá todo mundo lascado, e essa maioria passa a defender os interesses dos reincidentes.

Tamanha passação de pano eu só vi por parte dos "apartidários" que "ignoram" as inumeras tucanices, desde o trensalão, passando pelo esquema de Furnas ( Nilton Monteiro ainda tá vivo? ), e culminando na bovinice em relação ao Merendagate.

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