quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A amante de Fernando Henrique, por Jasson de Oliveira Andrade




A entrevista da jornalista Mirian Dutra, ex-amante de Fernando Henrique Cardoso, à Folha (18/2/2016), foi uma “bomba” e se tornou um fato político importante. É o que afirma Eliane Cantanhede, no artigo “O fator “amante” (Estadão, 19/2): “Sem entrar em questões de ordem íntima e moral, que dizem mais respeito a pessoas, casais e famílias, as recentes declarações da jornalista Mirian Dutra, amante de Fernando Henrique nos anos 1980 e 1990, podem vir a ser um fato político importante, com repercussão nada desprezível na barafunda que o País vive. (...) Mirian Dutra joga declarações no ventilador contra Fernando Henrique, um delator da Lava Jato cita o senador Aécio Neves, Justiça condena o ex-presidente tucano Eduardo Azeredo a 20 anos, as investigações sobre os desvios da merenda escolar acossam Geraldo Alckmin em São Paulo e variadas suspeitas rondam Beto Richa no Paraná. Diante da polarização entre PT e PSDB, a opinião pública, sem pai nem mãe, não sabe para onde correr”, concluindo: “Moral da história: segundo a história política deste e de outros países (como EUA e Bolívia), amantes podem fazer muito mal não apenas à saúde e aos casamentos, mas ao bolso, à imagem e às carreiras políticas”. 

Nas declarações de Mirian Dutra, duas são gravíssimas e merecem destaque. Uma é que uma empresa ajudou a bancá-la no Exterior. Mônica Bergamo, na Folha (18/2) faz essas estarrecedoras revelações: “A Brasif S.A. Exportação e Importação ajudou Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) a enviar ao exterior recursos para a jornalista Mirian Dutra, com quem manteve um relacionamento extraconjugal nos anos 1980 e 1990, e para o filho dela, Tomás Dutra. (...) A transferência foi feita, segundo ela, por meio da assinatura de um contrato fictício (sic) de trabalho, celebrado em dezembro de 2002 e com validade até dezembro de 2006. (...) No documento, aparece como contratante a Eurotrade Ltd., empresa com sede nas Ilhas Cayman”. Adiante essa surpreendente afirmação: “Mirian Dutra, que como jornalista trabalhou na TV Globo, afirmou à Folha, que “jamais pisou” em uma loja convencional ou em um duty free para trabalhar. E que o contrato de US$ 3.000 mensais, foi feito para “suplementar” a renda dela e de Tomás”. Mirian era uma funcionária “fantasma”! Fernando Henrique afirmou que esses recursos enviados a Tomás provêm de “rendas legítimas” de seu trabalho, afirmando ainda: “Nenhuma outra empresa, salvos as bancárias, foi utilizada por mim para fazer esses pagamentos”. No entanto, a jornalista o desmente, ao responder à pergunta da FOLHA, (Você tem como provar?): “Tenho contrato. É muito sério. Por que ninguém nunca investigou? Por que ninguém investigou as contas que o Fernando Henrique tem aqui fora? (...) Claro que ele tem contas. Como ele deu, em 2015, um apartamento de 200 mil (euros?) para o filho que ele agora diz que não é dele? Ele deu um apartamento para o Tomás”. Apesar de FHC dizer à Folha que o dinheiro não provem de “nenhuma empresa”, o jornal, no dia 18/2 e na página A8, publicou o documento assinado por Mirian com a citada empresa! O que é, ao que parece, um crime. Renan, presidente do Senado, está sendo processado sob a acusação de que uma empresa pagava a Pensão de uma filha adúltera... A TV Globo informa, por meio de nota, lida no Jornal Nacional, que “jamais foi avisada” pela jornalista Mirian Dutra “sobre contrato fictício de trabalho”. Se tivesse sido informada, a emissora diz que “condenaria a prática” (sic). Se o ato não foi criminoso, é, como diz a TV Globo, condenável...

Outro fato, esse realmente criminoso, foram os dois abortos pagos por FHC. À Folha, Mirian disse que “durante seis anos com ele, fiquei grávida outras duas vezes, e eu abortei”, afirmando ainda: “Ele (FHC) pagou!”. A Folha noticiou: “O ex-presidente não respondeu a acusação de que teria pagado para que Mirian Dutra fizesse dois abortos antes da gravidez de Tomás. (...) Declarou apenas: “Questões de natureza íntima, minhas ou de quem sejam, devem se manter no âmbito privado a que pertencem”. Como ele não negou, para mim, esta resposta foi uma confissão...

Outra denúncia do Estadão: “Irmã de Mirian Dutra é funcionária irregular (sic) de Serra”. Segundo o jornal o salário dela (FUNCIONÁRIA FANTASMA) é de R$ 9.456,13 e líquido de R$ 7.353,14. Mas esta é outra história.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu


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