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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Um 2016 com tempo de sobra



"Puxa, como o tempo passa quando a gente está se divertindo!"
(...)

"Puxa, o ano já acabou e parece que eu não fiz nada!"
(...)

Eu tava aqui fazendo uns descartes ( que estão atrasados há ANOS ) e encontrei uma matéria intitulada "Cronos reinventado", de Flavio Lobo e Maria José Tonelli, puclicada em 2001 na Carta Capital. Como a palavra "cronos" indica, é sobre o tempo e como ele "torna-se cada vez mais fugidio". Fugidio. Em 2001. Quando a Internet não havia ainda tomado praticamente todos os lares do Brasil, como é agora. "Lares", aliás, é inapropriado, já que os celulares, smartphones e outros equipamentos portáteis - ainda incipientes naquele ano em que, quando muito, as pessoas estavam adquirindo seus primeiros PCs - são praticamente onipresentes na vida atual, e permitem-nos acessar a rede em praticamente qualquer lugar que estejamos, a Internet tomou lares e ruas.

Muito já se escreveu sobre isso, e com mais competência, então vou poupá-los disso. Qualquer um pode fazer um exame honesto de seu cotidiano e mensurar se o uso e acesso à Internet, seja por qual meio for, não estaria consumindo mais tempo que o desejável, "roubando" o tempo que poderia ser dedicado a outras atividades. Eu falo por mim, e olha que tenho apenas um notebook, que não sai de casa. E acho que a rede consome tempo demais. E, se estou certo, ela nos impõe sua própria velocidade, fazendo com que uma certa "aceleração" no íntimo nos - com o perdão do trocadilho - "enrede". Sabe "Tempos Modernos", com o Chaplin apanhando das máquinas, sem conseguir acompanhar o ritmo? Eu penso que isso aconteceu também às pessoas fora das fábricas, a velocidade se impôs por meio dos automóveis até a quem não guia. Uma ansiedade inexplicável, física, intima e mental, que nos obriga a tentar sossegá-la obedecendo à sua voracidade. Como? Fazendo uma porção de coisas ao mesmo tempo, sem nos atermos a nenhuma, com resultados superficiais.
A obsessão com a internet apenas veio piorar isso. E sempre querendo uma velocidade maior na conexão, para poder fazer mais e mais coisas, todas ao mesmo tempo, sempre querendo respostas instantâneas etc etc etc.

Mas também já se escreveu bastante sobre isso. O parágrafo finar da matéria supra citada é este: "Levamos vários séculos para incorporar o tempo dos relógios. Mas, em menos de dez anos, nos tornamos improdutivos ( <== OBS: olha aí a palavra-chave ) e inúteis sem o computador. A aceleração do tempo propiciada por ele nos tornou mais impacientes, ansiosos. Uma ansiedade resultante da angústia de nos sabermos dependentes, prisioneiros de seu ritmo".

Palavras duras, diagnóstico amargo, e ainda era 2001.

A questão é: como minimizar essa obsessão, essa dependência?
Antes de tudo, precisa ver se é mesmo um problema. Em caso positivo, ter alguma força de vontade e procurar diminuir seu próprio ritmo intimo. Tentar fazer uma coisa de cada vez, procurando estar verdadeiramente presente no ato. Foco.

Por quê estou falando sobre isso?

Porque acho que se deseja tudo nessa época do ano para as pessoas: paz, saúde, dinheiro e o escambau, mas não lembro de ter lido ou ouvido alguém desejar que tenhamos mais tempo e um tempo prazeroso, marcante, importante, vivido e bem-aproveitado.

E decidi que é isso que desejo aos amigos, colegas e conhecidos, reais e/ virtuais e leitores deste blog. Um 2016 com tempo, sem correrias, sem angústia nem ansiedade. Que demore a passar.

E isso passa por se afastar um pouco da Internet, do computador, das redes sociais.

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