quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

PSDB e PT na Mídia, por Jasson de Oliveira Andrade




Costumo ouvir que a corrupção sempre existiu, mas que agora ela está institucionalizada. Essa opinião não seria porque atualmente a mídia só publica os malfeitos apenas de um lado? Talvez. O professor da USP, André Singer, acredita que sim.

No artigo “Seletividade” (Folha, 26/12/2015), Singer revela: “O pagamento de R$ 60 milhões por parte da Alstom, como indenização por uso de propina no mandato do pessedebista Mário Covas em São Paulo (Folha, 22/12), a revelação de que a dobradinha Nestor Cerveró-Delcídio do Amaral remonta ao tempo em que ambos serviam ao governo Fernando Henrique Cardoso (Folha, 18/12) e a condenação do ex-presidente tucano Eduardo Azeredo a 20 anos de prisão (Folha, 17/12), por esquema análogo ao que levou José Dirceu à cadeia em 2012 (condenado à metade do tempo), confirmam que há dois pesos e duas medidas no tratamento que a mídia dá aos principais partidos brasileiros. (...) Enquanto o PT aparece, diuturnamente, como o mais corrupto (sic), o PSDB, quando apanhado, merece manchetes, chamadas e registros relativamente discretos. O primeiro transita na área do megaecândalo, ao passo que o segundo ocupa a dimensão comum. (...) Isso não alivia a situação do PT, o qual, como antigo defensor da ética, tinha compromisso de não envolver-se com métodos ilícitos de financiamento. No entanto, o destaque desequilibrado distorce o jogo político, gerando falsa percepção de excepcionalidade do Partido dos Trabalhadores. (...) Note-se que o acordo feito pela Alstom não inclui os processos “sobre o Metrô, a CPTM e as acusações de que a multinacional francesa fez parte de um cartel que agia em licitações de compras de trens”, diz este [Folha] jornal. Os 60 milhões de reais ressarcidos dizem respeito só ao “contrato de fornecimento de duas subestações de energia”. Será que o montante completo dos desvios (sic), caso computado, não chegaria a proporções petrolíferas? (...) Se a mídia quisesse, de fato, equilibrar o marcador, aproveitaria o gancho para mostrar que juízes, procuradores e policiais, vistos em conjunto, têm sido parciais. Enquanto a máquina investigatória avança de maneira implacável sobre o PT, o PSDB fica protegido por investigações que andam a passo bem lento. Aposto que se uma vinheta do tipo “e o metrô de São Paulo?” aparecesse todo dia na imprensa, em poucas semanas teríamos importantes novidades”.

Já estava escrito esse texto de Singer, quando o jornalista Rubens Valente, em reportagem à Folha, publicada em 30/12/2015, sob o título “Delator afirma que diretor de empresa levou R$ 300 mil a Aécio”, fez essa revelação: “Em delação premiada homologada pelo STF, Carlos Alexandre de Souza Rocha, entregador (sic) de dinheiro do doleiro Alberto Youssef, afirmou que levou R$ 300 mil no segundo semestre de 2013 a um diretor da UTC Engenharia no Rio de Janeiro, que lhe disse que a soma iria ao senador Aécio Neves (PSDB-MG). (...) O diretor teria reclamado que “não agüentava mais a pessoa” lhe “cobrando tanto”. Rocha disse que perguntou quem seria, e Miranda teria respondido “Aécio Neves”, sempre segundo o depoimento do delator. (...) “E o Aécio Neves não é da oposição?”, teria dito Rocha. O diretor da UTC teria respondido, na versão do delator: “Aqui a gente dá dinheiro pra todo mundo: situação, oposição, todo mundo”. O jornalista ouviu o OUTRO LADO: “A assessoria de Aécio Neves disse que considera “absurda e irresponsável” a citação a seu nome, sem nenhum tipo de comprovação”. (...) “Trata-se de mais uma falsa denúncia com o claro objetivo de tentar constranger o PSDB, confundir a opinião publica e desviar o foco das investigações”. Luís Nassif, em 31/12, fez essa surpreendente e inacreditável revelação: [Esse depoimento do delator] “é de junho passado. PASSOU SEIS MESES INÉDITO (destaque meu)”. Por que demorou tanto tempo para noticiar, assim mesmo sem destaque? No mínimo, ESTRANHO! Se fosse contra um petista, seria na hora e com manchete de primeira página, além de capa da revista VEJA...

O delator mentiu ou disse a verdade? Vamos aguardar o desenrolar dessa delação. A CONFERIR. 

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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