Monitor5_728x90

domingo, 10 de janeiro de 2016

O círculo da intolerância foi fechado, Por Max Cavalera



Talvez uma das questões filosóficas mais profundas da humanidade é a origem do mal. Não é uma tarefa simples responder com segurança onde e como exatamente ele nasce. Se é algo inerente ao ser humano ou se fatores sociais são responsáveis exclusivos pela sua proliferação. O fato é que uma de suas infinitas formas se encontra na intolerância.

E a intolerância, nas suas inúmeras aplicações, seja ela religiosa, política, racial, social ou econômica, é muito provavelmente a mais difundida forma do mal que este país vem vergonhosamente presenciando. Já não vivemos mais divergências ideológicos, que é algo fundamental numa democracia saudável. Vivemos puramente uma caça às bruxas a todos que não compactuam com um pensamento rasteiro e simplista.

Se até pouco tempo atrás, fomos vítimas de ofensas e agressões por demonstrarmos um pensamento político voltado essencialmente para a defesa da inclusão e da igualdade social, agora todos os limites da condição humana foram completamente violados. Se havia alguma trégua em todo essa guerra em respeito a ocasiões especiais, a intolerância dinamitou todas as convenções sociais que até entre bárbaros eram respeitadas.

Primeiro violaram o velório de Eduardo Dutra. Agrediram um homem que não podia mais se defender e desrespeitaram a dor de sua família. Depois atacaram a música, a literatura e o cinema, a arte enfim, representada por baluartes como Chico Buarque e Cacá Diegues. Para encerrar o ciclo da intolerância, foram atentar em frente à maternidade onde nascia a neta de Dilma Roussef.

Não vejo humanidade em pessoas que não respeitam a celebração da vida através do nascimento de um criança livre de qualquer pecado; a opinião alheia; a arte e a morte com o compreensível sofrimento de seus entes. A isso eu só reconheço como a mais nítida e fiel demonstração do mal.









.

Nenhum comentário :

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Golpe