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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

"Impeachment fracassou. Lava Jato nela!", por Alex Solnik




Alimentadas pela Lava Jato, as três maiores revistas semanais do país mostraram neste final de semana mudança de estratégia das forças conservadoras na campanha para derrubar a presidente da República.

Convencidas de que o impeachment não deu certo porque nem Cunha terá votos suficientes e nem a decisão caberá mais à Câmara elas agora vão fazer de tudo para arrastá-la até à Lava Jato, custe o que custar.

A impressão de ataque em bloco é corroborada por três assuntos diferentes, distribuídos cada um em cada revista e que são três tentativas de aproximar a presidente de malfeitos dos quais ela, na realidade, está distante vários anos-luz.

A Veja, que dá capa a David Bowie por ser mais comercial neste momento tenta jogar no caldeirão do Moro o marqueteiro das duas campanhas de Dilma, João Santana a partir de uma carta manuscrita por sua mulher e sócia com os números de duas contas bancárias endereçada a um operador denunciado na Lava Jato.

Embora seja um indício, mas não mais do que isso, o fato ganha, na reportagem, a força de uma prova que liga imediatamente Santana à Lava Jato, e, indiretamente, à presidente, sob a vaga suspeita de que o dinheiro que iria para essas contas poderia ter sido distribuído a terceiros. Tudo no condicional, tudo vago, indicando o início de investigação e não conclusão, momento em que deveria ser objeto de publicação e não agora. Mas, vai que cola.

A Isto É também demonstra grande esforço em aproximar a presidente da Lava Jato por meio de vazamentos do grampo telefônico do ex-presidente da OAS onde o fato mais grave é o presente de três vinhos caros ao então governador da Bahia, hoje ministro-chefe da Casa Civil.

Embora esse indício que não prova coisa nenhuma diga respeito ao seu período de governador ele é jogado no ventilador e no liquidificador com o objetivo de dizer a Dilma “afasta seu ministro mais forte”, quando ela não tem nada que ver com isso, não há nem processo correndo contra Jaques Wagner e sim apenas vazamentos de conversas reticentes que não caracterizam crimes. Processo contra ministro tem que correr no STF. E, por ora, não há nem indício de processo. No entanto, a capa informa, com visível exagero, que “depoimentos arrastam o chefe da Casa Civil para o centro da Lava Jato”. Mas... vai que cola!

O maior esforço de contorcionismo é o da revista Época. A capa grita com letras garrafais que o ex-marido da presidente está na mira da Lava Jato! Logo ele, um advogado de esquerda que trabalha num velho escritório que atende cidadãos sem recursos a quem a revista tenta envolver numa trama rocambolesca que não resiste a um leitor principiante das histórias de Agatha Christie.

Apesar de muito empenho, a reportagem não consegue mostrar que vantagem ele teria levado por ter se reunido com o dono de uma empresa enrolada na Lava Jato, a quem teria dito “ok, vou ver”, mas se ocupa em contar que houve 200 mil reais na parada depositados na conta de “um casal amigo de Dilma e de Carlos Araújo” por meio de um amigo que arranjou o encontro e que garante que o dinheiro não foi para Araújo. Francamente, tentar jogar no colo de um ex-guerrilheiro e advogado reconhecidamente probo e pobre uma bolada de 200 mil reais e afirmar que ele está na mira da Lava Jato é o absurdo dos absurdos. Mas, vai que cola.

Se essa é toda a munição disponível a estratégia de arrastar a presidente para a Lava Jato deverá ter o mesmo destino da do impeachment. A lata de lixo da história. Não vai colar.



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