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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Esse negócio de "delator disse", "delator não disse" tá a maior bagunça esquisita



Em troca de um acordo ele ofereceu - diz a Folha - ao MPF um conjunto de revelações contra José Dirceu, diz a Folha.

Mas na hora de dar o jamegão, ou seja, diante do Moro, o lobista não entregou nada do - segundo a Folha - prometido.

No depoimento ao Moro ele mostrou espanto quando confrontado com as - segundo a Folha - "próprias" declarações:

"Depois que assinei [ o termo do depoimento ] que fui ver [ o que estava escrito ], diz que o Zé Dirceu me orientou a isso [ fugir do País ]. Não foi esse o caso".

Ele recuou, diz a Folha. Ou desmentiu.

Diz a Folha: "Em esboço da delação feito ( segundo a Folha ) pelo próprio Moura com seus advogados durante o estágio de negociação, o lobista cravou ( segundo a Folha, a PF ou o MPF, vai saber ): "Depois da divulgação de reportagens que envolviam o meu nome ao escândalo do mensalão, recebi a 'dica' de José Dirceu para sair do país".

Segue o jornal:

"(...) Após ler trecho do depoimento anterior, o juiz perguntou se a Etesco havia tirado proveito de Duque na estatal.
'Falei isso?', indagou o delator.

Logo depois, emendou, aos risos: 'Assinei isso? Devem ter preenchido um pouquinho mais do que eu falei. Mas se falei, eu concordo'(...)".

Devem ter preenchido um pouquinho a mais antes de entregar pro Moro. Tiquinho só. "Se alguém preencheu a mais, quem foi?", deveria perguntar a Folha ( e a imprensa em geral ), em vez de dizer que o delator "recuou". Se você é confrontado com um cheque cuja assinatura não é sua você não reconhece sua assinatura, né? Mas, pra Folha, dependendo do caso, isso seria "recuar".

Assim, a Folha compara o delator a um personagem de um filme de Matt Damon sobre "um executivo que se torna informante em investigação dos EUA sobre cartel no agronegócio. Só que seus relatos sempre mudavam, atrapalhando a investigação."

Não vi o filme. Deve ser bacana a parte em que o informante se depara com um documento no qual aparecem palavras atribuidas a ele. Que ele não reconhece, só "para atrapalhar a investigação".

"Ele vai ser intimado para explicar as contradições imensas. Se mentiu, o acordo de colaboração dele pode ser anulado", disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos coordenadores da Operação Lava Jato.

Aqui no nosso dia-a-dia, nas conversas de bar, no café da manhã na padaria, os entusiastas da delação premiada geralmente gostam de ressaltar o aspecto de que o delator é obrigado a dizer a verdade sob o risco de seu acordo não valer. Exibem essa colocação como a prova definitiva de que as delações sempre são verdadeiras.

Nesse caso, vamos pensar, o delator teria muito a perder com esse "recuo", não? Releia acima o que disse o procurador Carlos Fernando.

Mas existe a possibilidade de que a verdade seja: ele não disse o que lhe atribuem.

Então, em vez do acusado ter que "explicar as contradições" melhor seria comparar o depoimento do papel com as gravações.

Pois é isso mesmo o que pretendia a defesa do Dirceu: seu advogado pediu acesso a vídeos dos depoimentos prestados por Fernando Moura à força-tarefa da Lava Jato na fase de investigação. Sabe como é. Às vezes a versão "resumida" no papel é resumida demais, e o "ele não tem nada a ver com isso" escutado no vídeo simplesmente pode desaparecer na versão papel, como já aconteceu.


Puxa!

Que coisa mais curiosa. Pensei que isso fosse tão rotineiro nessas investigações como padaria vender pães.



OBS: tava lendo umas noticias sobre isso e parece que a versão que a imprensa resolveu encampar, em unissono, digamos assim, é a de que o delator "mudou" a versão. Uma impressionante passada de pano pro MPF e pra PF, não parece? A versão não veio errada, o cara é que "mudou de idéia"...
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