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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Cerveró "cita" Dilma e FHC: Qual é a diferença?, por Jasson de Oliveira Andrade



O Estadão de 13 de janeiro estampou na primeira página, em letras garrafais: “Cerveró cita Dilma; impeachment volta a preocupar Planalto” Na página A4, o jornal publica uma parte do depoimento que Nestor Cerveró prestou à Procuradoria Geral da Republica. O Estadão assinalou em amarelo esse trecho: “Que FERNANDO COLLOR DE MELLO disse (sic) que havia falado com a presidente da República DILMA ROUSSEFF, a qual teria dito (sic) que estavam à disposição (sic) de FERNANDO COLLOR DE MELLO a presidência e todas as diretorias da BR DISTRIBUIDORA”. Por esta citação pode-se constatar que não houve nenhuma acusação contra Dilma. Nenhuma! Apenas houve “disse/disse”. E que a presidenta colocou à DISPOSIÇÃO de Collor – segundo Cerveró - alguns cargos da Petrobras. Esse tipo de oferecimento de cargos a aliados é normal em todos os governos: federal, estaduais e municipais. Sem exceção. Que eu saiba isto não é crime. O que tem o oferecimento com o impeachment? Além do mais, Cerveró disse, a seguir, “Que FERNANDO COLLOR DE MELLO disse [outro “disse”] que não tinha interesse” nesses cargos, que era indicação do PT. Logicamente que esse trecho não foi assinalado em amarelo pelo jornal! Collor, segundo o mesmo jornal, negou “ter exercido qualquer ingerência sobre a Petrobras ou sua subsidiária”. 

Se nessa delação não se cita o nome de Dilma, contra FHC existe a citação: “governo FHC”. Daniela Lima noticiou: “Segundo documento (sic) apreendido no gabinete do senador Delcídio Amaral (PT-MS), preso por participação no esquema, Cerveró diz que a compra da empresa argentina PeCom pela estatal brasileira em 2002 (sic), envolveu pagamento de R$ 100 milhões em propinas (sic) ao “governo FHC” (Folha, 13/1/2016). Diga-se ainda que Delcídio na época fazia parte do governo tucano.

Vejam a diferença. Dilma não é citada (só o senador Collor). Documento apreendido diz “propinas ao “governo FHC”. O ex-presidente declarou à imprensa que a acusação é vaga, pois, o documento não aponta o nome da pessoa ou pessoas que recebeu essa propina. Tudo bem. Por que, então, o impeachment poderá ser aceito pelo Congresso, se o nome ou governo de Dilma não é citado, mas apenas o “disse/disse”, que não prova nada? No meu entender, um caso (com documento) tem mais valor que o outro, apenas “disse/disse”!

O mais estranho são os vazamentos seletivos dos delatores, divulgados pela imprensa a conta-gotas. Paulo Henrique Amorim os designa de stalinistas. Já advogados, professores, juristas e integrante da comunidade jurídica publicaram na imprensa, em 15/1/2016, uma “Carta Aberta” na qual criticam esse tipo de vazamento: “Nesta última semana, a reportagem de capa de uma das revistas semanais brasileiras não deixa dúvida quanto à gravidade do que aqui se passa. Numa atitude inconstitucional (sic), ignominiosa e tipicamente sensacionalista, fotografias de alguns dos réus (extraídas indevidamente de seus prontuários na Unidade Prisional em que aguardam julgamento) foram estampadas de forma vil (sic) e espetaculosa, com o claro intento de promover-lhes o enxovalhamento (sic) e instigar a execração pública. Trata-se, sem dúvida, de mais uma manifestação da estratégia de uso irresponsável (sic) e inconseqüente da mídia (sic), não para informar, COMO DEVERIA SER (destaque meu), mas para prejudicar o direito de defesa, criando uma imagem desfavorável dos acusados em prejuízo da presunção da inocência e da imparcialidade que haveria de imperar em seus julgamentos”. Sem comentário!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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