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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Ainda o ódio ao Chico Buarque, por Jasson de Oliveira Andrade




Percebo na internet um ódio de alguns jovens contra Chico Buarque porque ele é um petista. Agora detestam suas músicas, que nada têm de partidária, a não ser defensoras da democracia ("Apesar de você" e outras). Descontam seu ódio a um partido nas belas melodias dele. Fiquei muito impressionado. A internet é um avanço tecnológico, mas é perniciosa quando destilam o ódio e não a discordância, a qual, como já escrevi, é democrática. Parece que Chico virou um leproso, que não se deseja contato! O jogador Ronaldo, o Fenômeno, herói da seleção brasileira, é tucano e apoiou Aécio. E daí? Que eu saiba ninguém o ofendeu por seu partidarismo... Aliás, corrupção não é privilégio de nenhum partido. Azeredo, por exemplo, ex-presidente nacional do PSDB, foi condenado a 20 anos de prisão. Desconheço petista que tenha sido condenado a tantos anos de prisão, nem mesmo José Dirceu, condenado a pouco mais de 10 anos!

Não sou apenas eu que estamos preocupados com esse ódio insano. Vanessa Barbara, no artigo “Coxinhas vs. Petralhas” (Estadão 12/10/2015), também contestou essa intolerância: “Outro dia, minha mãe foi levar comida para os moradores de rua, que vivem aqui no bairro. Estava conversando com eles, quando passou um carro bem devagarzinho e o motorista gritou, enfurecido (sic): “Leva pra casa!”. (...) Parece que expressar ódio agora é moda. Qualquer cidadão pacato, homem de família e cumpridor das leis pode virar bicho (sic) quando vê algo de que discorda: tenta atropelar um ciclista só por estar na ciclovia que ele desaprova, diz que tinham que ter matado todo mundo em 1968, invade velórios só para ofender, deseja que a presidente morra de câncer e faz votos que a família da cronista seja esquartejada. (...) Nada contra discordar de quem pensa diferente e dialogar de forma respeitosa, o problema é quando vem o desprezo. Em seguida, o ódio – instantâneo e avassalador, desses que acabam por botar fogo em índio, atirar em haitianos e agredir homossexuais com lâmpadas. (...) As redes sociais (sic) viraram um campo de batalha aberto, com parentes cuspindo uns nos outros e ameaça de morte pipocando às claras. Como se a simples existência da diferença fosse uma ameaça suficiente para decidirmos aniquilá-la. (...) Vejo pessoas comemorando execuções, desdenhando do sofrimento alheio, maltratando, insultando e formando grupos de linchamento. (...) Vamos todos acabar carbonizados, puxando o cabelo uns dos outros”.

No artigo “A intolerância contra Chico Buarque”, escrevi: Que 2016, seja menos intolerante. Pelo visto, neste ano ainda prevalecerá a intolerância (ódio) desses jovens, principalmente na internet. José Roberto de Toledo alerta: “Cuidado com o que você compartilha [ no Facebook ]. Há um Black bloc em cada um pronto a tocar fogo no circo.” Lamentavelmente!

PS: Chico Buarque abre processo contra comentário em rede social – Segundo o colunista Ancelmo Gois, do jornal “O Globo” (16/1/2016), “O cantor e compositor Chico Buarque, a atriz Marieta Severo e suas filhas irão entrar com uma ação por danos morais contra o antiquário e jornalista paulista João Pedrosa. (...) No fim de dezembro, a atriz Sílvia Buarque, filha de Chico, publicou em seu Instagram uma foto sua, quando criança, ao lado do pai e da irmã Helena. No post, o perfil de Pedrosa fez o seguinte comentário: “Família de canalhas!!! Que orgulho de ser ladrão!!!” O agressor mandou uma carta ao Chico pedindo desculpas, afirmando: “Eu realmente me arrependi. Foi um momento de ódio (sic)”. 

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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