domingo, 31 de janeiro de 2016

Phil Anselmo: Por que Black Power pode e White Power não pode?







Por Aloysio França


Por que podemos enaltecer o Black Power e não o White Power?

Ao contrário do que muitos afirmaram durante os polêmicos debates sobre o gesto controverso de Philip Anselmo no Dimebash de 2016, gritar Black Power não é nem de longe a mesma coisa que White Power. Existe uma diferença muito grande e vamos descobrir o motivo.

Comecemos trazendo dois pontos da história dos Estados Unidos. Serei o mais breve possível.

1- Guerra Civil Americana:

Após a Segunda Revolução Industrial na Europa, entre 1850 e 1860, houve um candidato à presidência dos EUA chamado Abraham Lincoln que almejava o desenvolvimento industrial em todo o território americano. Isso incomodou alguns estados que viviam da economia agrícola, e por consequência, da escravidão como recurso fundamental dessa economia. Esses estados se uniram em um movimento separatista contra a industrialização e contra o fim da escravidão negra. Essa turminha era chamada de Confederação, ou Estados Confederados, e era composta por Alabama, Carolina do Sul, Flórida, Geórgia, Louisiana, Mississipi e depois Texas. Quando Lincoln finalmente se tornou presidente, foi declarada a guerra da Confederação contra o resto dos EUA. É a famosa Guerra da Secessão, ou Guerra Civil Americana. A Confederação perdeu e a escravidão negra finalmente foi ilegalizada e abolida no país.

2 – O Movimento Black Power:

Após o fim da escravidão nos EUA os negros não foram simplesmente se misturando com resto da população. Os americanos, principalmente os que pertenciam àqueles estados do sul, a antiga Confederação, não toleravam a presença de negros. O negros, embora livres, eram maltratados, marginalizados, humilhados em público e completamente segregados. Eles não podiam usar os mesmos banheiros que os brancos, não podiam frequentar os mesmos lugares como escolas, transportes públicos e estabelecimentos em geral. O negro era visto como um bicho pelos brancos. Organizações racistas foram criadas nessa época com o objetivo de pregar a supremacia branca, como a Ku Klux Klan por exemplo.

O movimento Black Power apareceu no final da década de 1960 com o objetivo de promover movimentos culturais negros. Isso foi uma forma de auto-afirmação do negro. Uma forma de se valorizar e mostrar que são tão humanos quanto qualquer branco, porque estavam cansados de serem inferiorizados pelos racistas. Foi um movimento importante na busca pela igualdade, e pelos direitos civis dos negros. Mas o objetivo AINDA não foi atingido.

Até hoje os negros são marginalizados e discriminados nos EUA, sobretudo no Sul, onde ainda vive o sentimento separatista da Confederação, e os negros são maltratados, agredidos e mortos. A expressão Black Power ainda precisa existir. Ainda se faz necessário algo que levante a cabeça dos negros perante as dificuldades geradas pelo racismo no dia a dia.

Todas as comunidades que são marginalizadas pela sociedade buscam criar movimentos que exponham o seu orgulho e a sua humanidade. Isso acontece também com grupos indígenas, imigrantes latinos, LGBTs, mulheres… É uma luta justa – e por que não dizer DIGNA – por direitos iguais.

E quanto ao White Power?

White Power é o nome dado a grupos simpatizantes do neonazismo e da supremacia branca. Existem no mundo inteiro com certas variações ideológicas. No caso do sul dos EUA existe o grupo White Power cujos membros são admiradores dos Skinheads alemães e eventualmente exercem atividades de agressão física a negros e imigrantes. Estes grupos estão diminuindo aos poucos e suas atividades estão menos constantes, mas o espírito White Power ainda vive em muitas pessoas que sonham em criar um mundo “purificado” pela raça branca supostamente superior.

Agora vamos juntar Philip Anselmo, a Confederação, o Black Power e o White Power em um único contexto.

Philip Anselmo é um ídolo do Heavy Metal e uma figura fortemente admirada por uma comunidade que, mais do que qualquer outra, tem muito orgulho do gênero musical que ouve. Está imortalizado graças aos feitios do Pantera nos anos 90.

Quando uma figura icônica como Philip Anselmo grita publicamente White Power enquanto faz a saudação nazista, dá uma força renovada para os grupos declaradamente racistas e seus simpatizantes. Fazendo isso Phil revigora o racismo que foi combatido às custas de tanto suor e sangue e se torna um símbolo para o movimento White Power. Um símbolo vivo e que não tem medo de enfrentar críticas. Torna-se um verdadeiro líder.

Ao mesmo tempo, joga anos e anos de luta pela igualdade negra no ralo!

Não podemos ignorar também o fato de que Philip Anselmo é reconhecido internacionalmente e graças a este último evento a força racista vai se ouriçar no mundo inteiro, inclusive aqui no Brasil.

Já vimos muitos indícios de racismo no Pantera. O amor declarado à bandeira dos Estados Confederados e o próprio espírito separatista exacerbado como pudemos ver em seu quarto álbum, The Great Southern Trendkill (Os grandes Matadores do Sul), além de outras declarações abertas feitas há muito tempo que foram deixadas pra lá. Phil em uma entrevista antiga disse que tinha muito orgulho da cor de sua pele. Não me parece coincidência que todos os integrantes do Pantera tenham nascido nos estados que pertenciam à Confederação. Me esforço para não generalizar, mas os casos de agressões e assassinatos sob a ideologia da bandeira separatista não são raros naquela região.

Ninguém poderia estar mais desapontado do que eu, que sempre fui um grande admirador da banda. O único pôster que tive na parede do meu quarto na minha juventude foi o de Dimebag. Naquela época eu não tinha o mínimo de educação necessária para compreender os problemas que a banda carregava.

Então vamos refazer a pergunta. Por que podemos enaltecer o Black Power e não o White Power?

O Black Power é um movimento que busca uma igualdade ainda não conquistada pelos negros. Atua levantando a auto-estima de quem sempre esteve por baixo.

O White Power é um movimento que busca aniquilar qualquer raça que não seja a branca. Prega o pensamento de que brancos são superiores e que devem prevalecer.

Ainda preciso responder a pergunta?

Quero esclarecer também que o combate ao racismo é um dever de todos. É uma luta protagonizada por negros, que deve ser apoiada por brancos. O fato de eu ser branco não me impede de adotar uma postura de apoio aos negros, para que um dia tenhamos uma sociedade mais justa. Além da empatia pelo próximo que deve ser exercitada, devemos pensar que todos temos a ganhar nesta luta. Entre os negros excluídos e marginalizados existem inúmeros líderes em potencial, intelectuais em potencial, mentes brilhantes em potencial, que poderiam estar produzindo para o desenvolvimento do todo, mas não estão porque existem dificuldades incomparáveis em sua trajetória de ascensão.

Portanto quando alguém como Philip Anselmo e seus seguidores tentam propagar ideias racistas devem ser duramente criticados. Nem de brincadeira esta atitude seria aceitavel. É preciso mostrar que existe resistência e que este tipo de postura não será mais tolerada!

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Jamais diga uma mentira que você não possa provar, por Paulo César PCO




Quer reclamar do PT? Não é o PT que governa o Brasil, e sim Dilma Rousseff junto com vários outros políticos de vários outros partidos que compõem o Congresso Nacional. Dilma é uma mera afiliada ao partido do PT, ou seja, se ela fizer merda o PT nada tem a ver com a merda. Ela é presidente do Brasil, já o presidente do PT chama-se Rui Falcão. E Lula, só para lembrar, ex presidente do Brasil, politico também afiliado ao PT, e assim como Dilma ele nada tem a ver com o partido além de ser afiliado à ele, bem como nada tem a ver com o que Dilma faz ou deixa de fazer. O mesmo é válido para a outra parte… Se algum afiliado ao PT fizer merda, Dilma e Lula não tem nada a ver com isso, reclame do tal afiliado. Se toda vez que algum petista fizer cagada e ela ou Lula tiverem de ser responsabilizados ou alguém dizer que eles “sabiam”, pela lógica pode-se dizer também que Jair Bolsonaro sabia que o partido ao qual ele é afiliado (PP) é o que mais recebeu dinheiro roubado da petrobras. Esta tentativa de tentar associar uma coisa à outra e jogar tudo no mesmo balaio já não cola mais, em verdade, só funciona com pessoas de pensamento raso.

Quer reclamar da educação? Educação pública de nível médio e fundamental é de competência dos estados e municípios. O governo federal cria e administra as universidades federais e escolas técnicas, porém, a chamada “educação de base” é de competência exclusiva dos governos estaduais e das prefeituras. É bom frisar também que existem as universidades públicas estaduais, por sua vez de competência dos governos estaduais. Portanto, se tiver que cobrar alguém pelas condições da educação de nível médio e fundamental, cobre da sua prefeitura e do governo estadual. Aproveite também para cobrar mais empenho do seu filho.

Quer reclamar da saúde? Ela é de competência do governo federal, estados e municípios… Entretanto, como o SUS tem como sua principal característica a descentralização, quem controla a maior parte dos hospitais e serviços de saúde pública são os governadores e prefeitos que controlam 96% dos hospitais brasileiros, 70% controlados pelos municípios e 26% pelos governos estaduais, apenas 4% são controlados pelo governo federal… Logo, a competência diante da administração dos serviços de saúde recai sobre os municípios, os principais atores da administração da saúde no Brasil, e depois sobre os governos estaduais. Já a responsabilidade pelas UPA’s é compartilhada de forma tripartite (união, estado e município) O governo federal constrói e reforma, mas a boa ou má qualidade do funcionamento é de responsabilidade do município. O federal dá incentivos e repassa as verbas; “Após a habilitação e/ou qualificação da UPA 24h, caberá ao FNS/SE/MS repassar o incentivo financeiro de custeio mensal aos respectivos fundos de saúde estadual ou municipal” Artigo 30, item 7 (VII).

Quer reclamar da falta de segurança? A segurança pública é de competência dos governos estaduais que contam com as polícias civil e militar. A civil cuida da parte de investigação e a militar faz o patrulhamento e baixa o sarrafo. E as prefeituras controlam a guarda municipal. Ao governo federal cabe o controle das fronteiras, a defesa aeroespacial, marítima e o controle das polícias federal e rodoviária, enfim, o governo federal é responsável pela segurança nacional. Portanto, se tiver que cobrar alguém pela falta de segurança, reclame com o governo estadual. Já o STF é independente, e por sua vez segue basicamente a seguinte linha de raciocínio; ricos ou politicos que trabalham pelos ricos são inocentes até que se prove o contrário, pobres e politicos que trabalham pelos pobres são culpados até que se prove o contrário. E antes que eu me esqueça, quase que totalidade da Policia Federal segue o mesmo raciocínio, tanto é, que o dono da meia tonelada de cocaina encontrada no helicóptero dos Perrela até hoje não foi encontrado, o que é uma ironia num país onde tantos ladrões de galinha apodrecem na cadeia.

Quer reclamar dos impostos? IPTU e ISS são de responsabilidade municipal, o IPVA e o ICMS de responsabilidade estadual, já o IPI é de responsabilidade federal (isenta quem ganha menos de 1.800,00). Só lembrando que o ICMS é o que mais pesa no bolso do brasileiro, e São Paulo lidera o ranking. Na maioria dos países ricos, a carga tributária é devidamente proporcional, ou seja, mais alta pra quem tem maior poder aquisitivo (taxação sobre grandes fortunas) e menor para as pessoas de baixa renda. Acha que daria certo no Brasil? Não sei… O que sei é que em SP Fernando Haddad quis aumentar o imposto dos mais ricos e o PSDB e a FIESP entraram na justiça e o barraram. Quem paga muitos impostos no Brasil são os pobres. Precisamos de uma drástica reforma tributária, uma vez que o rico não paga praticamente nada e ainda sonega. O pobre paga IPVA do carrinho mas o rico não pode pagar imposto do iate, do helicóptero e jatinho… Piada né? Mas piada maior foi a imprensa ter conseguido convencer as pessoas de baixa renda que Haddad queria aumentar os impostos delas, não dos milionários. Brasil além de ser o segundo país onde mais se sonega impostos é o único onde o rico tem o pobre para defendê-lo com unhas e dentes. Esta do Haddad foi só um exemplo para que entenda que qualquer passo da Dilma no sentido de taxar os milionários resultaria em um golpe de estado como deram em João Goulart. Ora! Basta ver o chilique que a população está dando em relação à ela querer voltar com a CPMF (imposto que não dá margem para o rico sonegar). E só pra finalizar, a sonegação no Brasil dá um prejuízo aos cofres públicos sete vezes maior do que a corrupção politica, e ainda podemos encontrar quem exija serviços de qualidade como os dos países escandinavos.

Quer reclamar do transporte? O transporte é de competência do município de acordo com a Constituição, vejamos: “Compete aos municípios, organizar e prestar diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial” Artigo 30, item 5 (V) Já o governo estadual é responsável pelo transporte que envolve o deslocamento entre municípios, construindo vias e terminais, além de auxiliar na fiscalização do sistema de transporte no município. A competência do governo federal é a de investimento nas obras de grande porte com as quais o município não consegue arcar sozinho, obras tais como a construção de metrôs e VLTs, por exemplo. Além disso o governo federal também é responsável pelos serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre portos brasileiros e fronteiras nacionais ou que transponham os limites de estado ou território além de serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros.

Quer reclamar da corrupção? Assim como Lula, Dilma não traz em seu curriculo nenhuma denúncia de corrupção, mas caso tenha como provar o contrário, não perca sua chance de ficar milionário, a oposição pagaria milhões por uma prova contra eles, até o roubo de uma goiaba na horta do vizinho está valendo. Até lá qualquer coisa que diga não passa de achismo, bobagem baseada em páginas de facebook cujo os administradores devem ganhar muito bem dos prefeitos e governadores de oposição ao PT, ou você acha normal uma página passar 24 horas por dia distorcendo informações tanto contra o PT quanto contra Dilma e Lula? E digo mais; são páginas que a gente jamais vê denunciando as sujeiras dos politicos de oposição. Pela lógica, uma página que se propõe a denunciar as roubalheiras, estaria no pé de todos os politicos, indiferente de partido. Se você ainda não observou este detalhe nestas páginas, só lamento; É sinal de que elas conseguiram te fazer de idiota, conseguiram te convencer que politico “A” é bonzinho e politico “B” é malvadão, e que vivemos num país onde Dilma é responsável por tudo de ruim que nos ocorre. E enquanto você investe o seu tempo repassando correntes de whatsapp contra ela e o PT, os politicos que estas páginas tentam te convencer que são “bonzinhos” estão lá no congresso votando toda semana contra seus interesses. Por falar em corrupção, você tem acompanhado o “Portal da Transparência” para saber quanto o governo federal tem enviado para sua cidade ou estaria ocupado demais tirando fotos em frente o espelho?

Quer reclamar do preço do combustível? O preço dele é influenciado pelo imposto estadual, ou seja, varia em todo país. Quem decide o preço não é Dilma nem Petrobrás, os preços são livres nas bombas, a Petrobras inclusive é legalmente impedida de exercer qualquer influência sobre os postos que, em regra são administrados por terceiros; pessoas jurídicas distintas e autônomas. O mercado da gasolina no Brasil hoje é regulamentado pela ANP e pela Lei Federal 9.478/97… Esta lei flexibilizou o monopólio do setor de petróleo e gás natural até então exercido pela Petrobras ( da qual a Petrobras distribuidora é subsidiária ), tornando aberto o mercado de combustíveis pelo país afora. Desde o começo de 2002 as importações de combustíveis foram liberadas e o preço passou a ser definido pelo próprio mercado, o preço final ao consumidor varia em função de múltiplos fatores tais como; carga tributária ( municipal, estadual, federal ), concorrência com outros postos na mesma região e a estrutura de custos de cada posto ( encargos trabalhistas, frete, volume movimentado, margem de lucro etc ) Se colocar sua cachola para funcionar vai perceber que se o preço da gasolina, por exemplo, fosse responsabilidade da Dilma, ele seria o mesmo em todos os estados e municipios.

Quer reclamar da energia elétrica? A ANEEL ( de responsabilidade do governo federal ) é responsável apenas por analisar e julgar a procedência dos pedidos de reajustes realizados pelas companhias elétricas, o processo se dá por um pedido da concessionária do estado. No caso de Minas Gerais, por exemplo, a pedido da CEMIG… A CEMIG tem liberdade para reajustar o valor com um aumento até menor do que autorizado pela ANEEL, se não o faz é porque não quer. Vale lembrar ainda que MG possui a tarifa de energia mais cara do país. Dilma há poucos anos atrás chegou a tomar uma iniciativa que poderia reduzir drasticamente o valor das contas de luz das empresas e pessoas físicas, mas na época, Geraldo Alckmin, Antonio Anastasia e Beto Richa ( afiliados a partidos de oposição ) sabotaram a iniciativa, optaram por não prorrogar os contratos das suas hidrelétricas nos moldes que Dilma propôs. Do total de geradoras de energia, 60% aderiram ao plano, todas as nove empresas de transmissão aceitaram renovar as concessões que vencem entre 2015 e 2017. Aliás, vários programas federais que teriam impacto positivo à população vêm sendo bloqueados pelos governos de oposição à Dilma, é de praxe eles rejeitarem propostas federais à favor da população para evitar que a logomarca do governo federal figure positivamente em seus estados, e tudo isso com a mais completa conivência tanto da grande imprensa quanto das emissoras de rádios locais. Se os politicos de oposição trabalhassem tanto pelos brasileiros quanto trabalham para derrubar Dilma, talvez o Brasil estaria numa bem melhor, mas…

Quer reclamar da economia? Então não seja ridículo ao ponto de comparar a economia brasileira com a de paises não emergentes, isso seria tão ridículo quando acreditar que o fato de algumas empresas quebrarem e outras baterem recordes de venda deve-se tão somente à medidas tomadas pelo governo federal. Também não seja ingênuo ao ponto de acreditar que economistas não têm competência para distorcer dados tanto a favor quanto contra o governo federal. Procure conhecer a metodologia usada por eles, ou melhor, curse uma faculdade de economia, ou na pior das hipóteses seja humilde ao abordar um tema que desconhece, aliás, seja humilde não só em relação a opinar sobre a economia, mas em relação a opinar sobre tudo! Após entender estes itens básicos acima citados, ai talvez esteja apto à fazer uma oposição honesta sem correr o risco de ser taxado de “otário” como os eleitores de Bolsonaro.


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Eleições 2018: Ataques à Lula são para abafar a Máfia da Merenda que envolve PSDB em São Paulo



Digamos que você tem um amigo que é sócio do seu filho. Esse amigo te empresta o sítio dele para você ir aos finais de semanas. No sítio tem um lago e você gosta de pescar, mas não tem canoa. Já que você sempre usa o sítio, então resolve comprar uma canoa que custa R$ 4 mil e leva para o sítio.

Foi isso que o ex-presidente Lula fez e foi isso que os jornais estão estampando como sendo um grande escândalo. Só que tudo isso é para abafar a Máfia da Merenda escolar que já atingiu 24% das prefeituras de São Paulo, envolvendo líderes do PSDB.

No olho do furação, com os seus líderes envolvidos na Máfia da Merenda, o pré-candidato à presidência da República em 2018, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, decidiu desviar o foco e está fazendo isso com ajuda da mídia que está publicando bobagens sobre uma canoa de R$ 4 mil e deixando escondido a Máfia da Merenda que já desviou milhões da merenda escolar.

As declarações de Alckmin com ataques contra Lula, nada mais é uma prova do esquema abafa corrupção do PSDB. Essa semana o governador de São Paulo disparou: “O Lula é o Partido dos Trabalhadores. O Lula é o retrato do PT, partido envolvido em corrupção, sem compromisso com as questões de natureza ética, sem limites”, disse Alckmin, neste sábado (30).

Vários auxiliares próximos de Alckmin já foram citados na Operação Alba Branca pelo empresário Cássio Chebabi (que na foto aparece sorridente ao lado do governador paulista).

Entre os citados estão, o secretário de Transportes, Duarte Nogueira, ex-presidente do PSDB-SP, e o ex-secretário de Educação, Herman Voorwald. Também foram citados Fernando Padula, ex-chefe de gabinete da Educação, e Luiz Roberto dos Santos, o “moita”, que era chefe de gabinete de Edson Aparecido, chefe da Casa Civil e braço direito de Alckmin – Padula e “moita” foram exonerados.

Com todos os seus tentáculos citados em corrupção, Alckmin ainda tem a cara de pau de falar em corrupção? Mas é claro, não vai aparecer nenhum jornal publicando que esse ou aquele é “amigo de Alckmin”.

O delegado Mário José Gonçalvez declarou o seguinte sobre a Máfia da Merenda: “nos permite concluir que estamos diante de um grande esquema criminoso, que desviou e ainda desvia do prato de comida dos alunos da rede pública alimentos valiosos que são transformados em cifras que acabam banhando a conta bancária de funcionários públicos e de empresários corruptos”.


NOTA DESTE BLOG: E também abafa as delações contra Aécio ( o "chato da propina" ) e os cem milhões do governo Fernando Henrique Cardoso, de acordo com o delator Nestor Cerveró.

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Eleições 2018: Jornalista tuita sobre o "sítio do Lula" em Atibaia durante toda a tarde, e só se retrata de madrugada: "Errei"


Quem falou sobre isso foi o também jornalista Pablo Villaça, no Twitter: "Peço que, por gentileza, leiam os tweets que publiquei por volta das 4 da manhã sobre a estratégia de mentir de dia e corrigir de madrugada."



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Eleições 2018: PF intima peixe para depor: "Lula matou e comeu minha família"




Jornalismo brasileiro virou fanfiction tucana


Lula é um gênio do crime, um Moriarty moderno, o Lex Luthor do ABC.

Depois de ser investigado continuamente por quase 40 anos - uma investigação sempre estampada nas capas de jornais e revistas interessados, como de hábito, em defender os interesses das corporações que os bancam -, este Blofeld do sindicalismo conseguiu, graças ao seu brilhantismo maquiavélico, evitar que qualquer prova acerca de suas décadas e décadas de malfeitos fosse descoberta. Nem o próprio Hercule Poirot conseguiria detê-lo, tamanho seu cuidado na concepção de seus milhares de esquemas.

Mas tudo chega ao fim. E Lula, enriquecido além do possível depois de tanto roubar, finalmente tropeçou ao desistir de comprar um apartamento ( que tolamente havia declarado previamente à Receita ), ao visitar o sítio de amigos ( estupidamente às claras, sem esconder de ninguém ) e, principalmente, ao permitir que sua esposa comprasse um barquinho de pesca de menos de 5 mil reais ( e pateticamente com nota fiscal no próprio nome ).

Por sorte, os Woodward-Bernsteins que compõem a equipe da Foxlha conseguiram descobrir esta compra ( sorrateiramente feita com emissão de nota fiscal no nome verdadeiro de dona Marisa ) e - ainda mais chocante - comprovaram que o caminhoneiro que entregou o barquinho tinha nada menos do que 25 anos de profissão ( como destacaram na chocante matéria que renderá a eles o Pulitzer por terem derrubado o ex-presidente ).

É um alívio saber que nossa imprensa sabe priorizar o que merece destaque: a revista Veja, que um dia será eternizada em sua própria versão de Spotlight ( título provisório: Boimatlight ), fez uma matéria fabulosa cuja manchete resume, por si só, o imenso apuro jornalístico do veículo: "Publicitária presa disse ter ouvido ‘zum-zum-zum’ sobre tríplex de Lula no Guarujá".

Ah, o "zum-zum-zum", esta prova que consta de todos os Códigos Penais como a mais inquestionável das evidências.

O ZumZumZumGate, como será conhecido pelas gerações futuras, acertadamente ganhou as páginas do jornalismo brasileiro no lugar de helicópteros com 500 kg de cocaína, de certos aviões dos Estados de SP e MG que foram usados para voos particulares de amigos e da esposa de certos governadores, de testemunhos repetidos sobre o mineiro "chato das propinas" e, claro, de contratos sem licitação feitos pela gestão de Alckmin para comprar 200 milhões anuais de merenda escolar.

Nossos barões da mídia sabem que tucanos são pré-anistiados e, portanto, não fazem o leitor perder tempo lendo notícias que não levarão a nada. São gentis assim.

Por outro lado, quando o roteirista dos clássicos modernos O Candidato Perfeito e Até que a Sorte os Separe 3 declara que o governo federal "cerceia críticas", ninguém aponta a aparente contradição: seus filmes tiveram captação de recursos aprovada pela Ancine. E ainda bem que não fazem isso, pois poderiam acabar levando o leitor a acreditar que o governo NÃO está implantando uma ditadura comunista no país. Sim, ela está sendo implantada há 14 anos, mas isto é apenas prova da incompetência de seus líderes.

Como apreciador do bom jornalismo, fico encantado ao perceber como a imprensa brasileira foi de “Lula era o cabeça do esquema na Petrobras” a “mulher de Lula comprou barquinho de pesca”. E fico esperando, ansioso, pelas manchetes que virão a seguir:

"Lula teria matado ao menos 200 minhocas ao longo dos anos; barquinho de pesca foi utilizado para atirar cadáveres na água."

"PF intima peixe para depor: “Lula matou e comeu minha família”; esposa teria ajudado a cozinhar os corpos."

"Esposa de Lula comprou vara de pescar; vendedor com 32 anos de profissão relembra: “Ela ainda pediu desconto”."

E aguardo, ansioso, pelo discurso que será feito pelo repórter da Foxlha ao receber seu segundo Pulitzer por sua matéria investigativa que provará que Lula mentiu ao afirmar ter pescado peixe de 18 kg.

É claro que poderia haver outra explicação para tudo isso, mas hesito em abraçá-la, já que implicaria em aceitar algo revoltante: que o jornalismo brasileiro virou fanfiction tucana.


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sábado, 30 de janeiro de 2016

Eleições 2018: Citados em delação premiada, Aécio e FHC seguem incólumes. Já Lula terá que depor por causa de triplex-fantasma que nem lhe pertence



Aécio e FHC, acusados na delação premiada ( cujos efeitos só valem contra o PT ) seguem incólumes. Já Lula é chamado a depor por promotor paulista por que sua mulher e filhos (?) estiveram num triplex em 2009 da OAS, que segundo a empreiteira não foi adquirido pela família Lula e continua a venda. Ou seja, olhou mas não comprou também é crime e se configura como lavagem de dinheiro. 



Em outra "denúncia", um cara escreve numa carta que nunca foi enviada que Lula autorizou o "lobby" para empresa do setor automobilístico. Isso lá é prova de alguma coisa? Ora, posso nesse exato momento mencionar numa carta que você me roubou 1 bilhão de reais, e aí, constitui-se tal afirmação na expressão da verdade absoluta?



Aí vem o caso de um armazém mixuruca de Atibaia, que não tem em estoque 100 mil reais de mercadorias, que diz que vendeu meio milhão em 45 dias ( haja logística e influência ), sem nota ( facilitando a evasão fiscal e sendo cúmplice ), além de quando emiti-las, achar sem nenhuma certeza que todas as empresas compradoras pertenciam a Odebrecht.



Não sou defensora de corruptos - inclusive não pago propina a guarda, muito menos estaciono meu carro sobre a calçada - mas extrapolou qualquer senso de ridículo essa idiotice que estão tentando montar para prender Lula. Que a PF, o MPF, a PGR, o STF e qualquer cidadão mostre provas concretas, irrefutáveis, não manchetes e textos confusos que transformam intenção de compra em lavagem de dinheiro e barco de 5 mil reais em iate de luxo.


Aceito a oposição, o desafeto por essa ou aquela figura, mas esse "achismo cheio de razões extraído da Folha ou da Veja" é sinal específico de hipocondria.

Gabriela Souto, no FACEBOOK

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Eleições 2018: “Escândalo do Barco” é o episódio mais ridículo da história da imprensa brasileira, useira e vezeira em cair no ridículo



Há uma cena particularmente engraçada no filme Butch Cassidy. No final, Butch e seu companheiro Sundance Kid estão encurralados num canto na Bolívia.

A polícia local pede reforços para o exército nacional. Vão chegando soldados às dezenas, centenas.

O comandante da tropa pergunta num certo momento ao chefe da polícia. “Quantos são?”

A resposta vem seca: “Dois.”

O comandante faz uma careta de espanto. Imaginava um número considerável de bandidos.

“Dois???”

“Dois.”

Lembrei desta cena com o episódio do barco de Lula.

Imagino dois leitores da Folha, que deu o furo como se fosse um novo Watergate, num diálogo assim.

Leitor 1: “Viu essa? Descobriram um barco do Molusco. Pegaram até a nota fiscal. Não tem como negar e dizer que não é dele.”

Leitor 2: “Esse Molusco tinha mesmo que se ferrar. Nove Dedos. Brahma. Deve custar uma fortuna o barco.”

O Leitor 2 mentaliza um iate igual ao de Roman Abramovic, o dono do Chelsea. O nome é Eclypse, e é conhecido como o Iate de 1,5 bilhão de dólares.

Leitor 2: “Quanto custa o barco do Brahma?”

O Leitor 1 mostra quatro dedos.

Leitor 2: “4 milhões de dólares?”

Ele ficou até decepcionado. Que são 4 milhões de dólares diante de 1,5 bilhão?

Leitor 1: “Não. 4 mil reais.”

Leitor 2: “O que??? 4 mil reais???”

Ele estaria menos inconformado se o preço fosse pelo menos em dólar. Numa rápida conta, ele percebeu que poderia comprar uma frota de barcos como os do Brahma.

Leitor 2: “Você tem certeza de que não errou? Não são 4 milhões de dólares? Dá uma conferida no site da Folha.”

O Leitor 1 começa a desconfiar da sua informação. Pensa que deve ter visto errado. O Moro não faria estardalhaço por uma ninharia. Começa a se condenar por passar adiante uma quantia sem sentido. Seu interlocutor vai achar que ele é uma besta, um cara capaz de falar num homem de 8 metros. Pega seu celular e vai checar.

4 mil reais.

Leitor 1: “Tou com um problema de conexão. Não tá dando pra checar. O importante, aliás, não é o preço. É o barco em si. Molusco ladrão!”

E assim se despedem os dois leitores da Folha, rumo ao planeta paralelo em que vivem sob o noticiário do jornal.

Penso neles e penso na mídia.

Os jornais já tinham perdido o pudor em relação ao jornalismo tão desequilibrado e parcial que praticam.

Agora perderam também o senso do ridículo.

Em minha carreira de 35 anos, vi muitas coisas cômicas, ou tragicômicas, em jornais e revistas. Estava na Veja, por exemplo, quando saiu o “Boimate”, a combinação de boi com tomate, piada de uma publicação científica americana que a revista levou a sério.

Vi a Folha publicar, depois de uma decisão de Fórmula 1 no horário brasileiro da madrugada, um texto com a vitória de Senna e outro com a vitória de Prost, tudo isso numa só página para o leitor ler como lhe conviesse.

Mas nada, rigorosamente nada, se compara em estupidez à tentativa de transformar um barquinho mixuruca num escândalo nacional.


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Eleições 2018: Lula usa sitio de amigo e FHC usa apartamento de amigo em Paris. E daí?







É estarrecedor o que está acontecendo neste país. Virou manchete na Folha de São Paulo deste sábado que dona Marisa, esposa de Lula, comprou um bote para sua família usar no lago de um sítio em Atibaia que um amigo e sócio de um de seus filhos empresta.


O bote foi comprado por quatro mil reais e a nota fiscal foi emitida em nome da esposa de Lula. Segundo a Folha, essa seria a “prova” de que, na verdade, o imóvel em Atibaia pertenceria a Lula. Afinal, se a família Lula investiu tanto no barco, só o faria se fosse proprietária do imóvel.

É hilariante. Lula tendo investido a fortuna de quatro mil reais no bote acima, está provado que é o verdadeiro dono do sítiozinho.

A mesma lógica, porém, não vale para outro político envolvido há décadas em denúncias de corrupção que nunca são investigadas pela imprensa ou pelos órgãos competentes graças a conchavos.

Lembram-se da velha história do apartamento de FHC em Paris, denunciada por Janio de Freitas quando o tucano deixou a Presidência, em 2003, e foi “descansar” na “Cidadade Luz” durante uma bela temporada?

Por muito tempo espalharam que o apartamento na luxuosa avenue Foch, em Paris, um dos endereços mais caros da cidade, seria de FHC. Formalmente, porém, nunca foi. O imóvel pertence à família de Jovelino Mineiro, parceiro e sócio de FHC em alguns negócios, inclusive em uma fazenda em Buritis, MG.

Aqui, foto do amigo do tucano e da avenida em Paris onde fica o imóvel que FHC usa, assim como Lula usa imóvel de amigo em Atibaia.

Foi Jovelino Mineiro quem, no final do governo FHC, passou o chapéu para arrecadar dinheiro para o tucano entre empresas hoje enroladas na Lava Jato, tais como Odebrecht e Camargo Correia.

Em um jantar, FHC levantou R$ 7 milhões para a montagem do Instituto FHC; “uma noite de gala”, noticiou a revista Época em 2002, sem se escandalizar com o fato de que um presidente e seu melhor amigo rodavam a sacolinha em pleno Palácio da Alvorada, durante o mandato

A revista apagou a matéria de seus arquivos na internet para tentar proteger FHC, mas foi possível recuperá-la em cache. Confira, abaixo.

Note, leitor, que, até prova em contrário, tanto FHC quanto Lula podem usar imóveis cedidos por amigos. Se um engenheiro da Odebrecht assessorou o amigo de Lula na construção do sítio, a mesma Odebrecht doou milhões para o bolso de FHC enquanto este ainda era presidente. E o tucano usa imóvel em Paris de propriedade de alguém com amplo envolvimento com empreiteiros envolvidos na Lava Jato.

Sim, o mesmo FHC que foi recentemente acusado por Nestor Cerveró de ter recebido 100 milhões de propina.

Está muito claro, meus amigos, que é tudo uma enorme armação contra Lula com fins estritamente eleitorais. Querem tirá-lo da eleição de 2018. Apenas isso. Por essa razão ficam inventando factoides.

O que é grave é que estão usando o Ministério Público e a Polícia Federal para ataques políticos. Imagine se essa gente voltar ao poder. Se fora do poder faz isso, quando estiver no poder transformará o Brasil em uma ditadura. Quem pensar diferente será preso ou até executado e ninguém poderá dizer nada.

Se você não lutar contra isso, será cúmplice da ditadura que estão para instalar no Brasil. Depois não reclame.


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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

"A Indústria da Multa não Existe", em: Jeito novo na política



Revolução mesmo seria se a Lei da Ficha Limpa também considerasse as multas de trânsito. Seria que nem aquela história do "o dinheiro não muda o caráter da pessoa, apenas o revela". 

Dá até pra imaginar uma cena, tipo, num típico bairro paulistano, envolvendo paulistanos típicos:

O CET chega após 5 horas depois que a solicitação foi feita e, mesmo assim, com essa boiada toda, ainda pega carro na calçada. Muito a contragosto ( na vida real eles costumam apenas "remover" os veículos; ou seja, sem multar, eles pedem aos proprietários que retirem seus carros do lugar proibido, só isso; quando o fiscal vira as cosas ele colocam no lugar proibido novamente ) ele saca do talão e começa a justiçar os meliantes e marginais. De repente, escuta:
- Moço, moço! Não pode me multar não! Foi só um minutinho...
O fiscal bota a mão no capô do motor e percebe que está frio. Muito frio. Parece até que o carro passou a madrugada fora, no sereno.
- Mmmm. Nada disso. Está na calçada, então eu terei que multar.
- Mas, mas...NÃO PODE! EU SEMPRE DEIXEI AÍ E NUNCA FUI MULTADO!!
- Puxa! Então o senhor sempre deixou o carro na calçada e nunca foi autuado? Por isso que não aprendeu. É multa! Agora é multa!
- Veja, só...por favor...
- Nada disso.
- Olha. O negócio é o seguinte. Eu sou proprietário de um escritório aqui no bairro faz 30 anos. Quase todo mundo me conhece. 
- E daí?
- Então. É que os moradores acabaram me convencendo a me candidatar a vereador. Sabe como é, aquela conversa de "todo mundo te conhece, você é inteligente, tem um escritório aqui no bairro...". Aí me filiei a um partido e estou me candidatando esse ano... minha primeira candidatura. Sangue novo. Juventude e ideías novas, novos jeitos de fazer política, sem os vícios dos políticos tradicionais. Aliás, conto até com seu voto. Olha aqui o "santinho"...
- Hmmm. "Gente honesta no Poder. Serei VOCÊ na Câmara de Vereadores".
- Isso aí. 
- Que é que isso tem a ver com a multa?
- Você não sabe? Agora a Lei Ficha Limpa considera também as multas de trânsito. Se eu levar essa multa por estacionar na calçada travarão minha candidatura. Não poderei concorrer.
- Sei. O "jeito novo" na politica, né? "Gente honesta" no poder...
- Sim. Que não é herdeiro de clã político, nada de panelinha. Tudo novo em folha, pra não cometer os mesmos vícios.
- Entendo... entendo perfeitamente...
- Então, dá pra dar um jeito aí pra mim. Vai que eu ganhe, sempre deve ter um cargo melhor na hierarquia da CET pra um funcionário exemplar como você e...

FIM

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A trama de Michel Temer falhou, por Jasson de Oliveira Andrade



No início de dezembro de 2015, o impeachment de Dilma parecia certo. Por este motivo, Michel Temer, vice-presidente, tramava, com adversários, a derrubada da presidenta. A colunista Mônica Bergamo, na Folha, anunciou que o senador José Serra (PSDB-SP) estava cotado a ser ministro do novo governo. A revista Carta Capital, edição de 16/12, trouxe essa matéria de capa: "Eduardo Cunha e Michel Temer O COMPLÔ – Eles se unem na tentativa golpista do impeachment, em proveito de um projeto pessoal de Poder”. Na página 22, André Barrocal, na reportagem “Juntos e Misturados”, revelou “como Eduardo Cunha e Michel Temer se uniram a favor do impeachment de Dilma Rousseff”. No dia 20/12, o Datafolha apontou: “Imagem de Dilma tem leve melhora. Antes pequena melhora do que uma piora, ou, como dizia o advogado Edgard Sartori: Está ruim, mas está bom!

Com a leve melhora da popularidade da presidenta, o impeachment foi diminuindo de intensidade. O próprio PSDB prefere agora a cassação do mandato da presidenta e do vice pelo TSE, o que forçaria a uma nova eleição. É o que pensa Sílvio Torres, deputado tucano por São Paulo, ligado ao Alckmin. Em entrevista ao Estadão, em 1/1/2016, ele declarou: “O impeachment que era uma idéia aprovada internamente, parecia iminente (sic), mas agora ESTÁ DISTANTE E É INCERTO (destaque meu). O governo está sabendo reagir e tem aliados no Senado”. Adiante, Sílvio Torres afirmou: “A posição correta seria a cassação dos dois [Dilma e Temer] pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). (...) O impeachment passou a ser imprevisível. Na medida em que Michel [Temer] passou a ser envolvido (sic) em denúncias, houve retração do apoio de setores importantes do partido e da sociedade”.

Com essa nova situação, a trama, denunciada pela Carta Capital, falhou. Eliane Cantanhêde, no artigo “Volta dos que não foram”, publicado no Estadão em 17/1/2016, comenta: “O vice Michel Temer fez que ia, mas não foi. Ele avançou muito na direção oposta à da presidente Dilma Rousseff, estimulou a banda oposicionista do PMDB, divulgou a carta malcriada que enviou a Dilma e por um bom tempo DEU SINAIS DE APOIO AO IMPEACHMENT (destaque meu). Isso passou (sic). Temer agora passa a sensação de estar recuando. O tom em relação a Dilma mudou. (...) Quando olhou em volta, Temer descobriu que podia virar uma ilha cercada de adversários. No Planalto, montou-se um quartel general para disputar o PMDB com ele. No Senado, o presidente Renan Calheiro e sua tropa aliaram-se ao Planalto contra Temer e Eduardo Cunha na Câmara. No Rio de Janeiro – o único estado governado pelo PMDB no “triângulo das Bermudas” --, o governador Pezão alinhou-se com o prefeito Eduardo Paes a favor de Dilma, contra Temer. (...) Se o impeachment subiu no telhado, o vice pulou de volta ao lado governista. Pelo menos até março”. 

Por enquanto, a trama do vice FRACASSOU: o tiro saiu pela culatra. Pelo menos até março... No momento, quem saiu mal na fotografia foi Michel Temer!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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Esse negócio de "delator disse", "delator não disse" tá a maior bagunça esquisita



Em troca de um acordo ele ofereceu - diz a Folha - ao MPF um conjunto de revelações contra José Dirceu, diz a Folha.

Mas na hora de dar o jamegão, ou seja, diante do Moro, o lobista não entregou nada do - segundo a Folha - prometido.

No depoimento ao Moro ele mostrou espanto quando confrontado com as - segundo a Folha - "próprias" declarações:

"Depois que assinei [ o termo do depoimento ] que fui ver [ o que estava escrito ], diz que o Zé Dirceu me orientou a isso [ fugir do País ]. Não foi esse o caso".

Ele recuou, diz a Folha. Ou desmentiu.

Diz a Folha: "Em esboço da delação feito ( segundo a Folha ) pelo próprio Moura com seus advogados durante o estágio de negociação, o lobista cravou ( segundo a Folha, a PF ou o MPF, vai saber ): "Depois da divulgação de reportagens que envolviam o meu nome ao escândalo do mensalão, recebi a 'dica' de José Dirceu para sair do país".

Segue o jornal:

"(...) Após ler trecho do depoimento anterior, o juiz perguntou se a Etesco havia tirado proveito de Duque na estatal.
'Falei isso?', indagou o delator.

Logo depois, emendou, aos risos: 'Assinei isso? Devem ter preenchido um pouquinho mais do que eu falei. Mas se falei, eu concordo'(...)".

Devem ter preenchido um pouquinho a mais antes de entregar pro Moro. Tiquinho só. "Se alguém preencheu a mais, quem foi?", deveria perguntar a Folha ( e a imprensa em geral ), em vez de dizer que o delator "recuou". Se você é confrontado com um cheque cuja assinatura não é sua você não reconhece sua assinatura, né? Mas, pra Folha, dependendo do caso, isso seria "recuar".

Assim, a Folha compara o delator a um personagem de um filme de Matt Damon sobre "um executivo que se torna informante em investigação dos EUA sobre cartel no agronegócio. Só que seus relatos sempre mudavam, atrapalhando a investigação."

Não vi o filme. Deve ser bacana a parte em que o informante se depara com um documento no qual aparecem palavras atribuidas a ele. Que ele não reconhece, só "para atrapalhar a investigação".

"Ele vai ser intimado para explicar as contradições imensas. Se mentiu, o acordo de colaboração dele pode ser anulado", disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos coordenadores da Operação Lava Jato.

Aqui no nosso dia-a-dia, nas conversas de bar, no café da manhã na padaria, os entusiastas da delação premiada geralmente gostam de ressaltar o aspecto de que o delator é obrigado a dizer a verdade sob o risco de seu acordo não valer. Exibem essa colocação como a prova definitiva de que as delações sempre são verdadeiras.

Nesse caso, vamos pensar, o delator teria muito a perder com esse "recuo", não? Releia acima o que disse o procurador Carlos Fernando.

Mas existe a possibilidade de que a verdade seja: ele não disse o que lhe atribuem.

Então, em vez do acusado ter que "explicar as contradições" melhor seria comparar o depoimento do papel com as gravações.

Pois é isso mesmo o que pretendia a defesa do Dirceu: seu advogado pediu acesso a vídeos dos depoimentos prestados por Fernando Moura à força-tarefa da Lava Jato na fase de investigação. Sabe como é. Às vezes a versão "resumida" no papel é resumida demais, e o "ele não tem nada a ver com isso" escutado no vídeo simplesmente pode desaparecer na versão papel, como já aconteceu.


Puxa!

Que coisa mais curiosa. Pensei que isso fosse tão rotineiro nessas investigações como padaria vender pães.



OBS: tava lendo umas noticias sobre isso e parece que a versão que a imprensa resolveu encampar, em unissono, digamos assim, é a de que o delator "mudou" a versão. Uma impressionante passada de pano pro MPF e pra PF, não parece? A versão não veio errada, o cara é que "mudou de idéia"...
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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

O Ministério Público e as "cenas proibidas" da Operação Lava Jato. Artigo de Mauro Santayanna


A defesa de Marcelo Odebrecht, detido no contexto da Operação Lava-Jato, pediu a reabertura do inquérito – que já entra na fase de julgamento - depois que descobriu que trecho do depoimento em vídeo feito pelo delator “premiado” Paulo Roberto Costa em que ele eximia Odebrecht de participação direta no esquema de propina foi omitido na transcrição feita pelo Ministério Público, e encaminhada ao Juiz Sérgio Moro, ainda antes da prisão do empresário.

“Se a declaração completa estivesse nos autos, obviamente teria inibido o juiz a determinar a realização de buscas e apreensões e a prisão de uma pessoa que foi inocentada por aquele que é apontado como coordenador das condutas criminosas no âmbito da Petrobras.”- declarou o advogado Nabor Bulhões, que solicitou acesso a todos os outros depoimentos em vídeo que citem seu cliente, para se assegurar que eles não foram alterados e correspondem às transcrições.

Em resposta à solicitação, o Juiz Sérgio Moro disse que “processo anda para frente” e deu a entender que não se pode voltar a etapas já encerradas para mudar essa questão.

E o Ministério Público, por intermédio do Procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, deu a entender que a transcrição não é literal devido ao o termo de declarações ser “fidedigno” porque “sua função é resumir os principais pontos do que foi dito”. 

Ao agir como o fez, o MP promove censura subjetiva ao alterar o teor das declarações, quase como se cortasse cenas “proibidas” de um filme inadequado para certos tipos de público. 

Quem deverá julgar o que é importante ou não no depoimento dos delatores da Operação Lava-Jato, é a sociedade brasileira, no final desse processo interminável que parece pretender se tornar um fator de intervenção permanente no processo político brasileiro.

Principalmente, porque, como correu no caso do “mensalão”, ele se sustenta, básica e exatamente, nisso: mais em delações “premiadas” e em distorcidas interpretações de teorias como a do Domínio do Fato, do que em provas concretas. 

Cada cidadão brasileiro deve ter o direito de ver, como um strip-tease perverso - e ter a possibilidade de interpretar do jeito que lhe apeteça - cada detalhe, cada palavra dita, cada suspiro entre frases, cada insinuação, cada sugestão, cada levantar de sobrancelha, de cada um dos presentes em cada audiência em que se procederam essas “delações”.

Subjetivamente, se for o caso.

Emocionalmente.

Do mesmo jeito que esses mesmos “depoimentos” – e provas ínfimas, cheias de “se”, de ilações e de condicionantes - têm sido produzidas, aceitas, interpretadas e julgadas pelos procuradores e o juiz da Operação Lava-Jato.

A esses senhores não lhes foi facultado o direito de cortar ou alterar um segundo, ou de decidir, per si, o que é ou não relevante na fala de cada “delator”.

Qualquer corte nesses depoimentos poderá ser interpretado como uma tentativa de manipulação e de grave alteração das provas que estão, ou deveriam estar - registradas, protegidas e incólumes - à disposição da justiça e da própria História.

Não é aceitável que, em uma operação como a Lava-Jato, que se sustenta quase que totalmente no disse me disse de bandidos, muitos dos quais já se encontram, na prática, em liberdade, ainda se alterem os depoimentos transcritos em desfavor de citados que podem estar sendo caluniados ou vir a ser condenados devido a essas mesmas delações.

Nesse caso, cada palavra é preciosa, e pode ser fundamental para a defesa dos réus em instâncias superiores às quais eles têm o direito de recorrer, e certamente recorrerão, no futuro.

Está muito equivocado o Ministério Público, quando pretende restringir o que deve ser ou não divulgado ao que “interessa” ou não “interessa” à investigação.

Há muito a Operação Lava-Jato deixou de ser um mero processo judicial.

O que está em jogo, nesse esquema, de flagrante dimensão política, que se imiscuiu, ao ritmo dessas delações, como os antigos inquéritos stalinistas, por todo o país e os mais variados setores da sociedade e da economia brasileiras, é o futuro da Nação e da República.

E mais grave ainda: a curto e médio prazos, o destino direto e indireto de obras, projetos e programas estratégicos para o desenvolvimento nacional, nas áreas de energia, defesa e infra-estrutura.

Para não falar da sobrevivência da engenharia brasileira e de milhares de trabalhadores que estão perdendo postos de trabalho, porque se confunde o combate a uma ação de corrupção que envolveria teoricamente uma comissão de 3%, com a destruição e a inviabilização, paralisia e sucateamento dos outros 97% que foram efetivamente, inequivocamente, aplicados em equipamentos, obras, empregos, investimentos, com o precioso dinheiro do contribuinte. 

E que não se alegue sigilo de justiça.

Porque além de “editar” o que se considera que deve ser omitido, permite-se, paradoxalmente, que se divulgue, seletivamente, por outro lado, o que alguns acham que deva ser levado aos olhos e ouvidos da população, em uma operação em que o Juiz defende publicamente o “uso” da imprensa pelo Judiciário, na conquista do apoio da opinião pública, e que desde o início deveria ter sido chamada de “Queijo Suiço”, para ressaltar o seu caráter de inquérito mais vazado da história do Brasil.

Finalmente, a pergunta que não quer calar é a seguinte: se Paulo Roberto Costa tivesse dito que Marcelo Odebrecht tratava diretamente com ele de propina, ou lhe entregava pessoalmente dinheiro, o trecho teria sido cortado da transcrição de seu depoimento?

Ou acabaria “vazando” e sendo amplamente divulgado pelos jornais, portais e revistas? 


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CANAL FOX (EUA): Retorno de Arquivo X supera audiência da estreia de 1993 e final de 2002



O retorno do seriado Arquivo X rendeu ótimos resultados para o canal FOX nos Estados Unidos neste último domingo, dia 24 de janeiro. De acordo com dados prévios aferidos pela Nielsen, o primeiro dos novos episódios alcançou um público estimado em13,5 milhões de telespectadores. 


O resultado é excelente se comparado à exibição do episódio piloto em 10 de setembro de 1993. Naquele dia, a FOX alcançou um público de 12 milhões de pessoas. O último episódio da 9ª temporada, exibido no dia 19 de maio de 2002 registrou, segundo a Nielsen, 13,25 milhões de telespectadores. Vale ressaltar que os resultados de 1993 e 2002 tinham menos impacto que os de 2015, pois atualmente a concorrência é maior, havendo uma ampla oferta de canais de TV por assinatura e diversos serviços sob demanda que disputam em igualdade a preferência do público. 

No Brasil, o canal FOX exibiu os dois primeiros novos episódios na noite desta segunda-feira, dia 25 de janeiro, e os dados de audiência ainda não foram divulgados. ( VCFAZ.TV )

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Até quem nunca teve carro se ferra junto: estudo aponta que 65% de poluentes vem dos automóveis em SP


Reportagem do jornal “O Estado de São Paulo” revelou um estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), onde é apontado que automóveis são responsáveis por cerca de 65% das emissões de poluentes na cidade de São Paulo. O mesmo estudo aponta que ônibus representam 19% dos poluentes lançados na atmosfera.
Um levantamento feito pelo Blog Ponto de Ônibus aponta que no mês de dezembro de 2015, São Paulo tinha um frota de 7 milhões 590 mil 181 veículos automotores em geral, entre motos, carros, caminhões e ônibus, segundo dado mais recente do Denatran – Departamento Nacional de Trânsito.
A publicação mostra que a cidade tem uma frota de 14 mil 754 ônibus, o que representa 0,3% da frota de veículos na capital paulista.
Mesmo com uma quantidade menor de veículos, o transporte público é responsável por 55,3% das 38,2 milhões de viagens motorizadas na Região Metropolitana de São Paulo, levanto em conta também os deslocamentos com o transporte metroferroviário.
Os dados acima mencionados apontam a urgência em investimentos em mobilidade urbana, além de políticas que tornem a ocupação do solo mais eficiente, com postos de trabalhos próximo de moradias.
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Promotor diz que não sabe porque PF ouviu Lula: "“Ele não consta no rol de investigados e não existe algum ato praticado por ele que tenha sido objeto de investigação”



Promotor diz que não sabe porque PF ouviu Lula. E a imprensa não ouviu o promotor

Do Valor, ontem: ”O procurador da República Frederico Paiva, que atua na força-tarefa da Operação Zelotes, disse nesta segunda-feira não ter entendido os motivos de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter prestado depoimento à Polícia Federal, uma vez que Lula não é investigado pela Zelotes.”

– Não entendi o motivo de o delegado ter ouvido o Lula neste caso”, disse Paiva a jornalistas, durante intervalo das audiências de testemunhas de defesa dos réus da Zelotes. (…)“Ele [ Lula ] não consta no rol de investigados. Em nenhum momento existe algum ato praticado por ele que tenha sido objeto [ de investigação ]”. Questionado sobre o que a PF queria saber de Lula, Paiva respondeu: “Tem que perguntar ao delegado, não para mim”. Paiva disse ainda que “em nenhum momento, a denúncia relata que houve por parte da Presidência da República, seja lá qual for, uma compra direta [ de medidas provisórias ]”.

Se este fosse um país sério – perdão, mas as coisas chegaram a um ponto que é preciso apelar a De Gaulle – isto seria publicado com grande destaque, porque mostra a absurda politização e a busca de espetáculo no que deveria ser uma investigação séria, por um órgão do Governo, como é a PF.

Um ex-Presidente da República é chamado a depor e o promotor do caso diz, com todas as letras, que não tem ideia do que o delegado quis fazer com isso.

Mas, exceto pelo Valor, nenhum outro jornal a publicou, mesmo tendo sido feita a declaração em uma coletiva.

Não vem ao caso.

Não colabora com a máquina de propaganda que a mídia, deliberadamente, se tornou.

Mostra que todas as versões que os jornais estampam em suas manchetes sobre o suposto envolvimento de Lula são derivações do nada e frutos de uma cavilosa associação entre os jornais e a polícia.

Não há nada, mas tem de haver.

O Brasil está transformado num estado policial-midiático.




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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Busca da verdade real e erro grave de Sérgio Moro



Por Walter Maierovitch, no FACEBOOK 


- 1. O juiz Sérgio Moro, - com o devido respeito -, errou duplamente ao indeferir o último requerimento formulado pelo réu Marcelo Odebrecht: fase de alegações finais.

O réu pretendia demonstrar equívoco na transcrição ( para o papel juntado aos autos ) do relato verbal do colaborador de Justiça Paulo Roberto Costa. Da transcrição levada aos autos a parte processual acusadora, Ministério Público Federal, extraiu juízos acerca da responsabilidade criminal do mencionado Marcelo Odebrecht.

Parêntese aos amigos de Facebook que não são bacharéis em Direito: no processo penal, o Ministério Público apresenta uma pretensão punitiva, como representante do Estado que é titular do jus puniendi ( direito de punir ). No outro pólo ( agora é sem acento gráfico ) processual, figura o acusado, titular do direito subjetivo de liberdade. Fechado parêntese.

Com efeito e depois de realizadas as alterações e os consertos, a defesa técnica do acusado Marcelo Odebrecht poderia realizar o cotejo do contado pelo colaborardor Paulo Roberto Costa com o declarado por Alberto Youssef, na fase de alegações finais.

Para o juiz Moro, tratava-se de requerimento protelatório e de o processo ser marcha para frente. Daí, o indeferimento.

- 2. O principal princípio informativo do processo constitucional penal é a busca da verdade real.

Os processualistas italianos, à unanimidade, ensinam não poder o juiz criminal contentar-se com a verdade formal. Isso tudo, - e agora lembro de um autor francês mencionado pelo saudoso professor Frederico Marques -, porque a grande meta da Justiça é não deixar impunes os crimes e não punir inocentes.

A alegação da defesa foi gravíssima: incorreta transcrição, com mudança de sentido e a levar o Ministério Público a concluir incorretamente.

O colaborador Paulo Roberto Costa, segundo gravação, disse o seguinte: - “Eu conheço ele ( Marcelo Odebrecht ), mas nunca tratei de nenhum assunto desses com ele, nem põe o nome dele aí, porque ele, não, ele não participava disso” ( apud: A Teoria da ‘Bosta Seca’ ameaça a Lava Jato - Elio Gaspari, jornal O Globo, edição de 24 de janeiro de 2016 - página 7 ).

No papel juntado aos autos como transcrição e os acusadores frisaram: - “ Paulo Roberto Costa, quando do seu depoimento (. . .) consignou que, a despeito de não ter tratado diretamente o pagamento de vantagens indevidas com Marcelo Odebrecht” ( O Globo, idem-ibidem- o mesmo, no mesmo lugar).

- 3. Etimologicamente, ensinou João Mendes Júnior, processo significa marcha adiante.

Mas, no processo penal, trata-se de marcha avante desde que sem defeito capaz de levar à nulidade.

Uma nulidade absoluta, - como do tipo a comprometer o direito à ampla defesa com falha de transcrição capaz de gerar prejuízo concreto -, causa defeito a fazer retroceder o processo. E retroceder para eliminar o defeito verificado e causador de nulidade absoluta. Se a correção demorar, a nulidade poderá gerar prescrição da pretensão punitiva estatal.

Durante uma vida procurei transmitir isso aos meus alunos de faculdades de Direito e de cursos preparatórios para ingresso nas carreiras jurídicas no Instituto dos Advogados de São Paulo ( fundado pelo Ruy Barbosa ): carreiras jurídicas para futuros juízes, promotores, procuradores, delegados de polícia, defensores públicos, procuradores do Estado, etc.

- 4. Não tenho dúvida que empreiteiras e construtoras, como OAS, Odebrecht, e quejandos, quiseram transformar o Brasil. Mudar de Estado democrático em Estado cleptocrático. Para o jornal Folha de S.Paulo e, depois de declarações de Marcelo Odebrecht contra a delação premiada, comparei ele a Totó Riina, o “capo dei capi” da Máfia.

Também acho que houve ilícito de “lesa nação-brasileira” no Mensalão ( petista e tucano ) na Lava Jato. Mais ainda, um “assalto” ( uso o termo no sentido popular ) aos cofres da Petrobrás. Fora isso, critiquei a “Carta dos Advogados”. Continuo a esperar apurações sobre a apelidada “privataria tucana” e os afirmados escândalos do Metrô de São Paulo e do chamado de “Roubo-Anel”.

Atenção-Atenção: não acho que o “roubo” ( em sentido popular ) de um partido político justifica ou pode ser usado como desculpa por outro partido.

No processo criminal constitucional brasileiro o magistrado, dada a sua imparcialidade, não pode deixar de trazer aos autos processuais as correções necessárias: o juiz tem a função de velar pelos autos.

Claro e “diante do princípio do livre convencimento motivado”, o dito em delação, quer pelo corrupto Paulo Roberto Costa, quer por uma Madre Teresa de Calcutá, pode ser desconsiderado. Só que o juiz tem, na sentença de dizer porque desprezou.

Ainda: as correções são necessárias porque, no processo penal brasileiro, existem vários graus de jurisdição. Em primeiro grau, juízo monocrático e, nos demais, juízos colegiados.

- 5. Aviso aos navegantes. Já estou calejado com ataques, segundo o teor das postagens e neste Fla-Flu que se transformou o Brasil.

Continuo a trilhar caminho independente e ser guiado pela minha consciência. Portanto, vão errar os que me chamarem de Lulista, petista ou tucano. Nutro grande desprezo a FHC, Lula, ao traidor-milionário do Zé Dirceu, ao enganador José Serra, et caeterva ( e comparsas ).

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