domingo, 6 de dezembro de 2015

O impeachment de Cunha: a oportunidade para passar ao ataque contra os golpistas






Cunha cumpriu parte decisiva de sua função. Foi eleito, já no ano passado, presidente da Câmara dos Deputados para colocar em pauta o impeachment de Dilma Rousseff e aprova-lo.

Cunha sempre defendeu o golpe, sempre foi, desde a campanha eleitoral milionária que fez, o homem-chave do golpe e da oposição golpista. As histórias de que a aceitação do pedido de impeachment do PMDB seria emocional não tem qualquer seriedade e visam encobrir o que está em pauta desde antes da eleição, ou seja, o golpe

Cunha não tem autoridade para conduzir o processo, ainda mais sob o argumento absurdamente cínico de que ele próprio não tem interesse político no caso, que o está fazendo por um problema técnico, para "cumprir a lei". Está sendo acusado de corrupção, ou seja, com o principal cavalo de batalha dos próprios golpistas, com evidências infinitamente mais sólidas dos que as que levaram muita gente à cadeia para buscar um motivo para derrubar o atual governo.

O presidente da Câmara lançou o impeachment, neste momento, porque sua própria situação se complicou demais, mas isso não quer dizer que seja uma iniciativa isolada ou guiada pelas emoções, muito pelo contrário.

O fato de que Cunha está para cair tornou urgente colocar em votação o pedido entregue por Miguel Reale Jr. e Hélio Bicudo em meados de setembro. Mas a trama do impeachment já é antiga, já vinha sendo planejada e trabalhada há meses pela direita, por Cunha e pelo PSDB, até mesmo antes do início do segundo mandato de Dilma Rousseff. Estão aí para provar a campanha coordenada do cartel dos grandes monopólios da imprensa capitalista, os atos fascistóides da direita, a Operação Lava Jato etc.

É um engodo a história contada pela imprensa burguesa (e repetida a gosto pelas diferentes tendências esquerda pequeno-burguesa) segundo a qual Cunha estaria fazendo uma retaliação contra o PT pelo fato de que seus integrantes votaram contra ele na Comissão de Ética da Câmara. A votação é apenas um pretexto para justificar o lançamento de uma iniciativa há muito tempo preparada.

As denúncias contra Cunha atrapalharam momentaneamente os planos da direita golpista, que esperava navegar em águas tranquilas no Congresso no segundo semestre rumo ao impeachment. A luta parlamentar contra o golpe, eixo da política do PT e do governo, como não podia deixar de ser, só produziu resultados limitados. Conseguiu apenas um fôlego curto diante da ofensiva golpista.

A abertura do impeachment, no entanto, contra o que se poderia pensar à primeira vista é a oportunidade ideal para passar ao ataque contra a direita golpista. É preciso partir para a ofensiva e desmascarar de vez o golpe coordenado por uma figura desmoralizada como Cunha. É preciso denunciar vigorosamente os golpistas, mostrar ao povo quem são de fato, o que realmente querem e onde vão levar o país se conseguirem tomar o poder.

É preciso levar a luta para o terreno das massas, do povo trabalhador, da maioria do País que não tem como ganhar da direita por meio do voto no Congresso Nacional, mas que pode impedir o golpe nas ruas, mobilizada e organizada para resistir à ofensiva golpista.


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