Monitor5_728x90

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Impeachment de Collor e o pedido contra Dilma, por Jasson de Oliveira Andrade




O atual senador Fernando Collor foi, até agora, o único presidente eleito cassado através de um impeachment. O pedido, assinado pelo jornalista Barbosa Lima Sobrinho ( morto a 16/7/2000, aos 103 anos ) e o advogado Marcello Lavenère, na época presidente da OAB, foi protocolado em 1/9/1992. 

Em entrevista à revista CartaCapital (9/12/2015), Lavenère faz um paralelo do Impeachment de Collor com o atual pedido dessa medida contra a presidenta Dilma, aceita por Cunha. Existe paralelo entre esses dois pedidos? É o que veremos a seguir.

CartaCapital: É possível comparar o cenário atual com aquele de 1992, quando Fernando Collor sofreu o processo de Impeachment?

Marcello Lavenère: De forma alguma. Trata-se de uma situação radicalmente (sic) distinto. Naquela ocasião, tudo começou com uma denúncia do irmão de Collor, que acusou o presidente de receber propina, de ter uma conta pessoal abastecida com recursos ilícitos arregimentados por PC Farias, tesoureiro de sua campanha. Eram denúncias gravíssimas, mas isso não foi suficiente para iniciar o processo de impeachment. Antes, criou-se uma CPI mista, composta de deputados e senadores, que se debruçaram sobre o caso por meses. A investigação comprovou as denúncias de Pedro Collor [irmão] e acrescentou (sic) provas robustas de envolvimento direto do presidente com o esquema de corrupção. O relatório do senador Amir Lando acabou aprovado por aclamação. APENAS DEPOIS DE TODO ESSE PROCESSO, COM GARANTIA DO DIREITO DE DEFESA, O ENTÃO PRESIDENTE DA CÂMARA, DEPUTADO IBSEN PINHEIRO, ACOLHEU O PEDIDO DE IMPEACHMENT QUE EU, PELA OAB, E BARBOSA LIMA SOBRINHO, PELA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE IMPRENSA, APRESENTAMOS (Destaque meu).

CC: E no caso de Dilma Rousseff?

ML: Não há nada. Precisamos deixar claro um ponto: pedalada fiscal não passa de uma irregularidade contábil, diz respeito à forma como as despesas do governo devem ou não ser apresentadas. Não houve dano ao Erário, tampouco apropriação indébita de recursos. Não há crime de responsabilidade, trata-se de uma peça inepta (sic). Qualquer jurista sério, que não esteja movido por interesses político-partidários, reconhece isso. Além disso, as investigações da Operação Lava Jato não indicaram o mais pálido sinal de benefício pessoal ou envolvimento direto da presidenta no escândalo de corrupção da Petrobras. Pior, o processo foi deflagrado por Eduardo Cunha, sobre o qual REALMENTE (destaque meu) pesam graves denúncias. (...) À frente da Câmara dos Deputados, ele passou meses a chantagear o governo e a oposição (sic) com o poder de acolher ou rejeitar pedido de impeachment. Não tem idoneidade moral (sic)”. 

Sobre a honestidade da presidenta Dilma, existe o insuspeito testemunho do Estadão, jornal crítico radical do governo. Como já informei, ele, em editorial, apoiou Aécio contra Dilma. Esse jornal, em editorial de 4/12/2015, sob o título “Uma luz no fim do túnel”, testemunhou: “Desqualificada como chefe de governo, Dilma só pode exibir a seu favor a imagem de administradora pública idônea. Incompetente e desajeitada, mas honesta (sic). Conforme ela própria destacou ao se pronunciar sobre o processo de impeachment, não há suspeita séria (sic) de que se tenha enriquecido na política”. O consagrado escritor Fernando de Morais diz: “Dilma não será processada por ter roubado, desviado, mentido, acobertado ou ameaçado. Será processada porque tomou decisões para manter em dia pagamentos de compromissos sociais [ pedaladas fiscais ], como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida”.

Por tudo relatado, Dilma não corre perigo de ser cassada? Para o Estadão, sim. Mas tem um complicador: Temer, vice-presidente, é considerado um “amigo da onça” de Dilma. Alguns acreditam que o vice, nos bastidores, trama a queda dela, o que abriria vaga para ele ser presidente. Alguns fatos confirmam essas suspeitas. Temer não tem comparecido às reuniões da Presidenta para discutir a estratégia de defesa. Um ministro muito ligado a ele pediu demissão! Li uma notícia: “Temer não articula contra o impeachment (sic), mas diz não ser desleal”. Pergunto eu: Ao não articular contra o impeachment não está sendo desleal? Em minha opinião, Dilma tem que ter mais medo de Temer do que da oposição! A CONFERIR.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

..

Nenhum comentário :

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Golpe