sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Impeachment, ato rancoroso de Cunha, por Jasson de Oliveira Andrade




Há tempo o pedido de impeachment encontra-se nas mãos de Cunha, que, como presidente da Câmara dos Deputados, tem a prerrogativa de aceitá-lo ou não. Se tivesse aceitado naquela época, seu ato seria normal. Agora, depois que três deputados do PT decidiram aceitar a abertura de processo contra ele no Conselho de Ética, ou seja, que sua chantagem falhou, o seu ato é rancoroso. O próprio autor do pedido de impeachment, agora aceito, Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça de FHC ( PSDB ), em desabafo publicado no Estadão ( 3/12/2015 ), reconhece: “Não foi coincidência que Cunha tenha decidido acolher o pedido no momento em que deputados do PT decidiram votar a favor de sua cassação no Conselho [de Ética). FOI UMA CHANTAGEM EXPLÍCITA (destaque meu)”. Em manchete de primeira página, a Folha noticiou: “Cunha retalia PT”. Para Clóvis Rossi (Folha, 3/12) o gesto de Cunha foi “covarde e canalha”.

Eliane Cantanhêde, em artigo no Estadão ( 3/12 ), comentou: “Ao concluir que o governo, a presidente da República, o ex-presidente Lula e o próprio partido estavam fadados a ser reféns de um chantagista (sic) infinitamente, o PT decidiu partir para o tudo ou nada, o vai ou racha. Chantagens nunca têm fim, mas a votação de um impeachment tem um fim – para o bem ou para o mal. (...) Agora, é cada um por si. Eduardo Cunha vai continuar se debatendo, mentindo (sic) e inventando carnes enlatadas para fugir do seu destino praticamente selado, mas ele tem pouco a perder daqui em diante. Dilma Rousseff, ao contrário, está com a cabeça a prêmio e vai ter de lutar com todas as forças para evitar ser cassada pelo Congresso. (...) O desfecho é imprevisível, mas é melhor abrir o processo de impeachment E SE LIVRAR DA CHANTAGEM ( destaque meu )”. 

Já José Roberto de Toledo, em artigo no mesmo jornal e data, escreveu: “A barragem se rompeu e o impasse foi superado. COMO A CHANTAGEM NÃO COLOU ( destaque meu ), Eduardo Cunha aceitou pedido de impedimento de Dilma Rousseff, e o governo terá de mostrar se tem votos para manter a presidente no baile. (...) É uma avalanche ao estilo Samarco, Vale, BHP. Lama para todo lado. (...) Para a oposição, a crise só acaba se Dilma cair. Mas, se o governo conseguir reunir os votos necessários e segurá-la na cadeira, a ameaça do impeachment deixará de assombrar (sic) toda e qualquer decisão presidencial. Será uma forma de retomar a governabilidade perdida”. 

A CNBB ( Conferência Nacional dos Bispos do Brasil ) diz: “Cunha agiu por interesse pessoal”, acrescentando: “Que autoridade moral fundamenta uma decisão capaz de agravar a situação nacional com conseqüências imprevisíveis (sic) para a vida do povo? (...) É preciso caminhar no sentido da união nacional (sic), sem quaisquer partidarismos, a fim de que possamos construir um desenvolvimento justo e sustentável” (Blog IG em 3/12). Brasilianistas dos Estados Unidos: “”Impeachment é vingança de Cunha e fere imagem do País”.

O PT vai entrar com um recurso no Supremo contra o ato de Cunha. Os professores da FGV de Direito, Eloísa Machado, Dimitri Dimoulis e Roberto Dias, em texto no Estadão (3/12), comentam: “Pela Constituição brasileira, o presidente da Câmara dos Deputados [ no caso, Cunha ] exerce um papel relevante na condução do procedimento de impeachment. Eduardo Cunha é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal, que pode evoluir para denúncia aceita, tornando réu. (...) Isso poderá gerar uma mudança no atual cenário de forças para o impeachment, sobretudo quando pairam suspeita que a abertura do impeachment se dá como vingança (sic) a uma possível cassação pela Comissão de Ética”. A CONFERIR...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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