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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A prisão do senador Delcídio Amaral e do banqueiro, por Jasson de Oliveira Andrade




As prisões do senador Delcídio Amaral (PT) e do banqueiro André Esteves pegaram de surpresa o mundo político. No Brasil, nunca havia sido preso um senador. Muito menos um banqueiro!

O atual petista Delcídio Amaral tem uma carreira política como oportunista, fisiologista mesmo. Quando o presidente era Fernando Henrique Cardoso, ele se filiou ao PSDB. Com a ascensão do PT no Poder, deixou de ser tucano e se tornou petista. No PT, elegeu-se senador pelo Mato Grosso do Sul. Os jornalistas Daniel Carvalho, Isabela Bonfim e Ricardo Brito fizeram uma reportagem no Estadão (27/11/2015), na qual constataram: “Considerado “o mais tucano (sic) dos petistas”, Delcídio já foi filiado ao PSDB e OCUPOU UMA DIRETORIA DA PETROBRÁS DURANTE O GOVERNO DE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO (destaque meu)”.

Luís Nassif, no artigo “Quando parecia uma pausa, novas bombas na política” (26/11), escreveu: “Quando se pensava que haveria uma trégua política da Lava Jato, surge o inesperado: as denúncias que levaram à cadeia o senador Delcídio Amaral e o banqueiro André Esteves. (...) A prisão não decorreu diretamente da Lava Jato. Delcídio tentou convencer Nestor Cerveró [ que se encontra preso ] a desistir da delação premiada. Prometeu interceder para libertar Cerveró e providenciar sua fuga para a Espanha. O filho de Cerveró, Bernardo, acertou com a Procuradoria Geral da República entregar Delcídio [ daí a gravação da conversa ] em troca de aliviar a prisão do pai. (...) O grampo resultou em um inquérito novo, da Polícia Federal de Brasília, sem a intervenção do juiz Sérgio Moro. (...) Há um conjunto amplo de desdobramentos nesse episódio. (...) O primeiro é o fato de Delcídio ser o líder do governo no Senado, e PARLAMENTAR COM AMPLO TRÂNSITO EM TODOS OS PARTIDOS [ destaque meu ]. O segundo é que a degravação dos grampos joga um foco de luz em um personagem misterioso [ E QUE A MÍDIA NÃO DIVULGOU E NEM VAI NOTICIAR! ]: Gregorio Preciado, o espanhol casado com uma prima do Senador José Serra e seu parceiro histórico [ foram sócios em investimentos particulares ]. Segundo as conversas entre Delcídio, Bernardo e seu advogado, Preciado era sócio e o verdadeiro operador por trás de Fernando Baiano, o lobista do PMDB na Petrobras. (...) Delcídio conta que, assim que o nome de Preciado foi mencionado, dias atrás, SERRA PASSOU A RODEÁ-LO VISANDO BUSCAR INFORMAÇÕES (destaque meu). Velho operador da Petrobras, em um dos trechos Delcídio revela que quem abriu a Petrobras para Preciado foi Paulo Roberto Costa, atendendo a ordens “de cima”. NA ÉPOCA, O GOVERNO AINDA ERA DE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO E SERRA MINISTRO INFLUENTE (destaque meu)”. 

Já a prisão do banqueiro é pouco ou quase nada noticiada pela mídia. Segundo Nassif, ele, Esteves, “será bastante poupado [ pela mídia ], se não por gratidão, ao menos por receio (sic)”. Além de poupar André Esteves, curiosamente a mídia o classifica como “amigo de Lula” e ligado ao PT. O blogueiro Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania, transcreve reportagem de O Globo (11/10/2013), na qual o jornal revela que o banqueiro bancou ( sem trocadilho ) o casamento de Aécio com a ex-modelo Letícia Webber. Depois da transcrição, Eduardo Guimarães comenta: “Causa engulhos a tentativa [ da mídia ] de vincular Esteves ao PT e a Lula. Quer dizer que o banqueiro doa dinheiro para a campanha de Aécio, declara voto em Aécio, paga a lua-de-mel de Aécio, mas é “amigo intimo” de Lula?” Estelita Hass Carazzai, na Folha em 27/11, faz essa revelação: “O PMDB foi o principal beneficiado (sic) pelas doações das empresas do banco BTC Pactual, de André Esteves, nas últimas eleições. Durante o pleito de 2014 o partido recebeu R$ 17,2 milhões, distribuídos entre os comitês e candidatos de nove estados”. Essa revelação da jornalista desmente a mídia e dá razão ao Eduardo Guimarães: o banqueiro é mais ligado ao PMDB, partido presidido por Michel Termer, vice-presidente da Republica! Como vimos, a atitude ilícita de Delcídio foi pessoal ( para se defender ) e não política, mas poderá trazer problemas para o governo. A CONFERIR. 

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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