sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

A política passou a falar uma língua incompreensível para mim, por Nirlando Beirão



Começo a duvidar do meu entendimento do português do Brasil.

Sinceramente, a leitura dos jornalões e de seus portais têm dado nó nos meus precários circuitos cerebrais.

E as reuniões do Supremo Tribunal? O máximo que alcanço, naqueles raciocínios tão intricados de Suas Senhorias, é quando eles recorrem aos latinismos dos data vênia.

Também não seja só questão de linguagem – a lógica é que me abandonou, impiedosamente.

Um exemplo: o deputado Eduardo Cunha foi eleito presidente da Câmara com o voto da oposição a Dilma para atrapalhar a vida da Dilma – se possível, até mesmo encaminhar o impeachment dela.

Cunha fez exatamente o que se esperava dele. Com muito jogo de cena e sua farisaica capacidade de produzir factoides, seguiu rigorosamente o script.

Agora, pego em flagrante, ameaçado de perder o mandato e ir para a cadeia, Eduardo Cunha ataca Dilma e diz que a ação da PF e dos promotores da Justiça é uma vingança de Dilma e do PT contra um homem de ilibada reputação – ele, Eduardo Cunha.

Curiosamente, a PF e os juízes que acuam o presidente da Câmara são os mesmos que só processaram e trancafiaram na cadeia os políticos do PT e seus aliados. Gente do partido da Dilma. Cunha, o perseguidinho, ele continua solto.

A imprensa engole alegremente a versão de Cunha – mesmo que ela agrida cinicamente a lógica.

Mas qual é o interesse dessa imprensa que fez do impeachment sua toada de uma nota só? Tergiversando mais que bacharel de tribunal, a imprensa apoiava Cunha quando ele lhe servia, agora finge desprezá-lo, depois de ter posto na rua o que lhes interessava: o impeachment.

Ler a imprensa – esse tipo de jornalismo dos interesses e do privilégio – virou um masoquismo selvagem.

Não é só que se esqueceram as regras mais elementares da boa escrita. É má fé mesmo – um jeito de dizer muito para confundir mais ainda.


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