terça-feira, 17 de novembro de 2015

Técnico da Síria questiona falta de minuto de silêncio por mortos sírios e dedica classificação a presidente Assad


O técnico da seleção da Síria, Fajr Ibrahim, dedicou a vitória contra Cingapura nesta terça-feira pelas Eliminatórias Asiáticas para Copa do Mundo ao presidente do país, Bashar Al-Assad. No jogo político sírio, Assad é apoiado pelo Irã, mas é combatido pelos Estados Unidos e também pelo Estado Islâmico. A Rússia, contudo, apoia Assad. A seleção síria garantiu a classificação à terceira fase da competição.
Em guerra civil desde 2011, a Síria já teve mais de 250 mil mortos nos quatro anos de conflito. Não por acaso, 11 milhões de pessoas já fugiram do país, entre os quase 18 milhões de habitantes. A situação limite levou o capitão do time sub-17, Mohammed Jaddou, resolveu fugir para a Alemanha e tentar sobreviver.
A vitória por 2 a 1 com um gol de Omar Kharbin, aos 48 minutos do segundo tempo, garantiu a Síria como uma das classificadas do Grupo E, que tem o Japão como líder com 16 pontos. Os sírios estão em segundo, com 15. Ambos estarão na próxima fase. Cingapura, Afeganistão e Cambodja estão fora da disputa por vaga na Copa do Mundo.
“Esta vitória foi um presente para o povo sírio… Para fazê-los felizes”, disse Ibrahim aos repórteres após a partida. “É muito importante. Também pelo nosso presidente, senhor Assad”, continuou o treinador, que ainda resolveu falar sobre o minuto de silêncio observado antes da partida. O jogo teve segurança reforçada após os ataques a Paris, na sexta, 13, que matou 129 pessoas.
Ibrahim afirmou que ele queria um tributo simular aos franceses pelos 250 mil sírios que foram mortos nos quatro anos de conflito, que levou 11 milhões de pessoas a deixarem suas casas. “Nós fizemos 30 segundos para os franceses, mas todas as pessoas sírias mortas e ninguém parou por um segundo, vocês têm que saber disso”, declarou o técnico, que foi interrompido por um dirigente da Federação de Futebol da Cingapura, que disse que não haveria comentários políticos. “Eles me perguntaram, eu respondi”, disse, contrariado, Ibrahim.
A Síria tenta a sua primeira classificação à Copa do Mundo, mas não pode mandar seus jogos em casa. A seleção síria joga em Omã por causa do conflito que acontece no país. Restam dois jogos para os sírios: contra o Cambodja, com mando de campo, e fecha as Eliminatórias contra o Japão, fora de casa, em março.
Nesta segunda fase, classificam-se os campeões de cada um dos oito grupos e os quatro melhores segundos colocados. O técnico considera um feito para o país, dada a situação de conflito e instabilidade. “Foi um jogo difícil, mas nos classificamos para a Copa da Ásia e terceira fase das Eliminatórias”, disse. “Agora nós estamos entre os 12 melhores times da Ásia. Isso é muito bom, considerando a situação na Síria”, continuou.
A boa campanha contrasta com o momento do país, em que alguns jogadores se recusam a defender a seleção por serem contrários à ditadura (?) de Bashar Al-Assad. Um time de rebeldes foi montado e treina no Líbano. Em um caldeirão, os oposicionistas acusam Assad de dar privilégios aos jogadores, de forma a fazer propaganda de uma situação de tranquilidade, ainda que artificial. São diferentes grupos na disputa pelo poder, incluindo as tropas de Bashar Al-Assad, rebeldes oposicionistas ( financiados pelos Estados Unidos ), Estado Islâmico e os revolucionários curdos. ( TRIVELA )
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