terça-feira, 17 de novembro de 2015

Reconhecimento tardio de Luiz Gama pela OAB, por Jasson de Oliveira Andrade



No dia 20 de novembro é comemorado o dia da Consciência Negra, homenageando Zumbi dos Palmares que morreu no dia 20 de novembro de 1695. Justa homenagem. Outro herói negro também foi homenageado, este pela OAB: Luiz Gama, ao receber o título de advogado em 2015.

Ao noticiar a homenagem, Edison Veiga, no Estadão (30/10/2015), sob o título “133 anos depois, Luiz Gama vira advogado”, escreveu: “Negro liberto que se tornou libertador de negros, Luiz Gonzaga Pinto da Gama (1830-1882) ficou conhecido como um rábula que conseguiu alforriar, pela via judicial, mais de 500 escravos. O rábula exercia a advocacia sem ser advogado. (...) Numa reescrita tardia da História, sua designação vai mudar. Na noite da próxima terça-feira [3/11/2015], em cerimônia na Universidade Presbiteriana Mackenzie, Luiz Gama deve receber da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), 133 anos após a sua morte, o título de advogado. “No atual modelo da advocacia brasileira, é a primeira vez que tal homenagem é conferida”, afirma o presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coelho”.

Adiante Edison Veiga ouviu um historiador, amigo de muitos anos e ex-colega do SAMDU, na década de 1950, quando trabalhei em São Paulo: “Autor da biografia 'Luiz Gama: O Advogado dos Escravos' [ imagem acima e ao lado ], publicada pela editora Lettera.doc em 2010, o advogado Nelson Câmara acredita que a iniciativa da OAB é correta 'embora serôdia', ou seja, tardia. “Era um sujeito de grande luminosidade”, afirma Câmara. “Como jurista, pesquisei os antigos arrazoados dele, que eram manuscritos e ainda dirigidos ao Tribunal de Apelação, hoje Tribunal de Justiça, pedindo habeas corpus para negros cativos”...

Advogado e escritor com vários livros publicados, Nelson Câmara escreveu outro livro sobre o heróico personagem: “Escravidão Nunca Mais! – um tributo a Luiz Gama”, com destaque ao capítulo “Luiz Gama, o Paladino da Abolição”, publicado pela Editora Lettera.doc em 2009. No prefácio do livro, o senador Paulo Paim (PT-RS), negro, escreveu: “O advogado Nelson Câmara, militante histórico dos direitos trabalhistas e sindicais, desenvolveu uma pesquisa minuciosa sobre o negro e o índio no Brasil para resgatar fatos esquecidos ao longo dos séculos. (...) A obra é um aprendizado, uma viagem pela história do Brasil, que cumpre a função primordial de enaltecer a vida e a luta de um dos maiores juristas do País [agora reconhecido oficialmente pela OAB]: o abolicionista negro Luiz Gama. (...) Fica meu desejo de que cada dia mais e mais pessoas sejam tocadas pelo anseio de buscar soluções para o Brasil. Assim, como diz outro Nelson, o Mandela, “ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar” (...) “Escravidão nunca mais!”. Este é o grito de milhares de brasileiros, sejam eles negros, indígenas, orientais ou brancos, que acreditam que a pessoa não deve ser julgada pela cor de sua pele, pelos seus cabelos, pela sua orientação sexual ou pela crença religiosa”.


Luiz Gama, tardiamente, foi reconhecido como advogado, mas antes tarde do que nunca. No entanto, como herói contra a escravatura já havia sido reconhecido por historiadores. Exemplo foram esses dois livros de Nelson Câmara!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Publicado na GAZETA GUAÇUANA em 17/11/2015
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