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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Proclamação da República, Por Jasson de Oliveira Andrade




O escritor Laurentino Gomes, autor dos livros 1808, 1822 e 1889, todos bem vendidos, escreveu tais obras não como historiador e sim, como revelou, usando a linguagem e a técnica jornalistas. Por este motivo, a leitura de seus livros é atraente, agradável. Na verdade são grandes reportagens!

Laurentino, em entrevista ao Estadão (20/11/2014), afirmou: “1889 é o meu livro mais maduro e bem acabado. É onde aprendi a ser escritor”. 
Neste livro, na Introdução, ele faz algumas observações interessantes sobre a Proclamação da República: “O Quinze de Novembro é uma data sem prestígio no calendário cívico brasileiro. Ao contrário do Sete de Setembro, Dia da Independência, comemorado em todo o país, o feriado da Proclamação da República é uma festa tímida, geralmente ignorada pela maioria das pessoas. Sua popularidade nem de longe se compara à de algumas celebrações regionais, como o Dois de Julho na Bahia, o Treze de Março no Piauí, o Vinte de Setembro no Rio Grande do Sul ou o Nove de Julho em São Paulo”. (...) Personagens republicanos como Benjamin Constant, Quintino Bocaiúva, Rui Barbosa, Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto são nomes onipresentes em praças e ruas das cidades brasileiras, mas pergunte a qualquer estudante do ensino médio quem foram esses homens e a resposta certamente demorará a vir. Nas escolas ensina-se mais sobre o português Pedro Álvares Cabral, descobridor das terras de Santa Cruz, como o Brasil ainda era conhecido em 1500, ou Tiradentes, o herói da Inconfidência Mineira de 1789, do que os criadores da República, episódio bem mais recente, ocorrido há pouco mais de um século. A história republicana é menos conhecida, menos estudada e ainda menos celebrada do que os heróis e eventos do Brasil monárquico e imperial, que cobrem um período relativamente mais curto, de apenas 67 anos. (...) A julgar pela memória cívica nacional, o Brasil tem uma República mal-amada”.
O autor constata: “A república brasileira nasceu descolada (sic) das ruas”. Adiante Laurentino faz outra constatação: “A proclamação da República foi resultado mais do esgotamento da Monarquia do que do vigor dos ideais e da campanha republicanos. (...) Durante 67 anos, o Império brasileiro funcionou como um gigante de pés de barro. (...) Todo esse precário arcabouço político começou a ruir em 1888, com a assinatura da Lei Área, que abolia a escravidão no país”. O fim da escravidão foi também o fim da Monarquia e o início da República!

Laurentino Gomes faz essa surpreendente revelação: “Ao contrário do que reza a história oficial, em nenhum momento o marechal [ Deodoro da Fonseca ] proclamou a República ao longo daquele dia 15 de novembro e só o fez tarde da noite, diante da pressão de seus companheiros de arma e também da inabilidade política do imperador (sic), que, em uma desastrada e inútil tentativa de resistência, indicou para a chefia do ministério justamente o maior de todos os adversários políticos (sic) de Deodoro, o senador liberal gaúcho Gaspar Silveira Martins.” Um erro político! 

Curiosidade, o nome completo de D. Pedro II: Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Habsburgo e Bragança! 
Creio que nem D. Pedro II sabia seu nome completo! Já o nome do pai dele, D. Pedro I, é: D. Pedro de Alcântara Francisco Antonio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon. Ele morreu de tuberculose muito jovem, apenas 35 anos (1822, págs. 111 e 323).

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Publicado na GAZETA GUAÇUANA em 10/11/2015

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