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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Haddad vê risco de Apocalipse Zumbi-Coxinha





Haddad vê risco de desordem política no País
"Eu não dou de barato que forças obscurantistas e aventureiras tomem a cena. Mas esta hipótese está colocada",

SP 247 – No momento em que o Partido dos Trabalhadores se vê no centro da Operação Lava Jato e pode vir a ser cobrado por eventuais danos causados à Petrobras, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que é do PT, falou sobre o risco de desordem política no País, em entrevista concedida à jornalista Mônica Bergamo, publicada na Folha de S. Paulo.

"Estamos neste momento correndo o risco. Eu não dou de barato que forças obscurantistas e aventureiras tomem a cena. Mas esta hipótese está colocada", disse ele. Coincidência ou não, em São Paulo, a primeira pesquisa Datafolha apontou que dois candidatos ligados a programas televisivos "justiceiros", os apresentadores Celso Russomano e José Luiz Datena possuem, juntos, 47% das intenções de voto.

Haddad também afirmou que o PT é um ativo da democracia brasileira. "O PT ajuda a organizar a agenda política do país, as demandas, ajuda a dar racionalidade ao processo político. Vai ser muito ruim para a direita não ter o PT", disse ele, que, no entanto, reconheceu a gravidade da situação. "O PT já demonstrou capacidade de resiliência muito grande. A situação é mais grave do que sempre foi, e na minha opinião nós estamos efetivamente correndo o risco de uma desorganização da política no Brasil."

Segundo ele, o PT criou mecanismos importantes de combate à corrupção, mas faltou governança adequada às empresas estatais. "Nada supera a força do exemplo. Eu estou à frente do executivo da maior cidade do Brasil. A melhor coisa que posso fazer é mostrar que é possível administrar uma cidade desse porte com correção – não só com gestos pessoais mas também com gestos institucionais", disse Haddad.

"Nos governos dos presidentes Lula e Dilma Rousseff, isso foi feito. Os ministérios, e mesmo a administração indireta, sofreram investigação de órgãos que o PT criou ou para os quais deu força e autonomia, como a CGU (Controladoria Geral da União), o Ministério Público, a Polícia Federal. Onde erramos? Não criamos a mesma governança no plano das estatais. E isso vai ter que ser feito."

Haddad defendeu ainda ajustes de rota na política econômica, mesmo com a presença de Joaquim Levy, na Fazenda, e se mostrou otimista, ainda que cauteloso, em relação à sucessão municipal, em 2016. Ele afirmou que seus índices de aprovação irão melhorar, quando puder se comunicar com a população na campanha, mas lembrou um fato histórico. "Fernando Henrique Cardoso já perdeu, Geraldo Alckmin, Serra e Marta já perderam. Até hoje ninguém foi eleito e reeleito", afirmou.
“Forças obscurantistas e aventureiras” podem “tomar a cena”, diz Haddad
De Fernando Haddad, na Folha:

Folha – O senhor está querendo descolar sua imagem do PT?
Fernando Haddad – Sempre disseram que eu tinha uma imagem descolada do PT. Até o Lula dizia que eu tinha que me lançar candidato a prefeito de São Paulo porque era o petista com mais cara de tucano.

O senhor já fez ironias que remetiam à senadora Marta Suplicy, dizendo que é “tão mais fácil” sair do PT, ainda mais para, como ela fez, se mudar para partidos “mais éticos” como o PMDB. No entanto, a legenda integra seu governo.
Eu cortejo todos os partidos que têm, do ponto de vista programático, algum alinhamento com uma visão mais moderna e progressista. Agora, todas as legendas têm quadros problemáticos. O que eles têm que demonstrar é capacidade de reagir quando alguém se desvia.

O PT tem alguma chance de superar o desgaste causado por sucessivos escândalos?
O PT ajuda a organizar a agenda política do país, as demandas, ajuda a dar racionalidade ao processo político. Vai ser muito ruim para a direita não ter o PT.

O senhor vislumbra a possibilidade de o PT, por exemplo, se fundir a outra legenda?
O PT já demonstrou capacidade de resiliência muito grande. A situação é mais grave do que sempre foi, e na minha opinião nós estamos efetivamente correndo o risco de uma desorganização da política no Brasil.

Já não estamos vivendo isso?
Estamos neste momento correndo o risco. Eu não dou de barato que forças obscurantistas e aventureiras tomem a cena. Mas esta hipótese está colocada.

O PT deveria assumir que praticou corrupção?
Nada supera a força do exemplo. Eu estou à frente do executivo da maior cidade do Brasil. A melhor coisa que posso fazer é mostrar que é possível administrar uma cidade desse porte com correção –não só com gestos pessoais mas também com gestos institucionais.

Nos governos dos presidentes Lula e Dilma Rousseff, isso foi feito. Os ministérios, e mesmo a administração indireta, sofreram investigação de órgãos que o PT criou ou para os quais deu força e autonomia, como a CGU (Controladoria Geral da União), o Ministério Público, a Polícia Federal. Onde erramos? Não criamos a mesma governança no plano das estatais. E isso vai ter que ser feito.

O senhor acha que Dilma e Lula nunca souberam de nada?
Eu tenho um grau de confiança absoluto nos dois.

O senhor também compartilha do temor já revelado por petistas de que possa estar em curso uma ação com o objetivo de levar à prisão de Lula?
Eu não saberia te dizer.

Como o senhor vê a condução da política econômica?

Alguns desequilíbrios importantes foram acumulados em 2013 e em 2014, como a questão do câmbio, de preços administrados e de algumas desonerações. Há uma disputa de versões: o governo diz que combatia a crise e defendia emprego e renda. A oposição ataca, dizendo que isso era irresponsabilidade. Mas o fato é que ninguém contesta esses desequilíbrios.

( Via ESQUERDA CAVIAR )

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