quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Fernando Henrique Cardoso e o PMDB, por Jasson de Oliveira Andrade



Já escrevi artigos focalizando o PMDB e o Poder. O partido sempre está com o governo, seja ele quem for. Logicamente uma ala fica na oposição, a minoria. Antes da eleição de 2014, publiquei um texto, afirmando que se vencesse a presidenta Dilma (PT) ou Aécio (PSDB), o PMDB, sem ainda saber do resultado, já era o vencedor. Os fatos posteriores confirmaram essa minha “previsão”. Esse governismo dos peemedebistas se confirmou com as memórias de Fernando Henrique Cardoso sobre o seu primeiro mandato. É o que veremos a seguir.

O jornalista Pedro Venceslau, na reportagem “FHC via PMDB como ameaça em 1995” (Estadão, 21/10/2015), revelou: “No primeiro biênio de sua passagem pelo Palácio do Planalto, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) VATICINAVA ( destaque meu ) o que ele próprio e seus sucessores petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff viveriam: não se governa o Brasil sem o PMDB na base de apoio legislativo. (...) A avaliação faz parte do primeiro volume de “Diário da Presidência” ( Ed. Cia. Das Letras ), série de quatro livros com os registros do cotidiano do tucano na chefia do Executivo Federal. (...) FHC relata pressões e crises com os peemedebistas enfrentadas atualmente pela presidente Dilma Rousseff”. Realmente é o que ocorre hoje. O PMDB, embora seja governo com Michel Temer, Vice-Presidente, está dividido: Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, é oposição à Dilma e o senador Renan Calheiros, presidente do Senado, aliado do governo. 

O jornalista faz essa revelação: “Em outro momento FHC se mostrou tão INCONFORMADO ( destaque meu ) com o poder de fogo do PMDB que cogitou agir para “explodir” o partido. A ação só não foi deflagrada devido ao temor de que isso poderia criar problemas adicionais no Congresso. (...) Se eu quisesse mesmo, poderíamos até fazer uma grande explosão no partido. Tenho medo de mexer nessas coisas agora, antes das reformas, e criar dificuldades adicionais para estas. Mas não tenho dúvida de que, depois delas, teremos que dar uma mexida no quadro partidário, e o PMDB não poderá continuar do jeito que está sendo, uma ameaça. Uma ameaça na verdade vazia, porque eles já não têm a mesma força que imaginam. E o Sarney fica tirando coelhos da cartola”. 

A semelhança com o governo Dilma é grande. Mudam os nomes e as metas de governo. Ao invés das reformas, atualmente são o ajuste fiscal e a ameaça de impeachment. E quem tira coelhos da cartola é o Eduardo Cunha: está nas mãos dele a decisão sobre o impeachment. Por este motivo, ele é badalado pela oposição e situação. Quem vencerá? A ver.

Outra revelação do jornalista Pedro Venceslau, esta surpreendente, refere-se ao atual Vice-Presidente: “Em outubro de 1995, FHC contou ao seu gravador (sic) que o então deputado Michel Temer, hoje fiador da aliança do PMDB com a presidente Dilma Rousseff, pediu ajuda para emplacar um aliado no segundo escalão do governo, a Portus, fundo de pensão dos portuários. “É sempre assim. Temer é dos mais discretos, mas eles não escapam. Todos têm, naturalmente, seus interesses”. Ontem e hoje, o PMDB é sempre o mesmo!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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