domingo, 22 de novembro de 2015

Ex-operadores de drones americanos denunciam método de eliminação de civis e inocentes



Em uma carta dirigida ao governo, quatro ex-militares americanos que operavam "drones" denunciaram que as eliminações de jihadistas com esses aparelhos operados por Washington contribuem para propagar "o ódio" e alimentar o terrorismo.

A eliminação com aviões não tripulados é "um dos motores mais poderosos do terrorismo e a desestabilização no mundo", escreveram os quatro ex-militares em uma carta dirigida ao presidente Barack Obama e a outros funcionários de alto escalão do governo.

A carta foi publicada pelo jornal britânico "The Guardian".

"Não podemos ficar de braços cruzados diante das tragédias, como a dos atentados de Paris", acrescentaram.

"Os civis inocentes que matamos apenas se uniram aos sentimentos de ódio", origem do terrorismo e de grupos como o Estado Islâmico (EI), alegaram, pedindo ao governo que "reconsidere sua abordagem" de combate aos terroristas.

Nesta quinta-feira, o "Guardian" publicou depoimentos com detalhes. Segundo o jornal, os quatro operadores, na faixa dos 30 anos, deixaram a Força Aérea americana depois de pelo menos seis anos de serviço.

Três deles estavam encarregados de operar os sensores e sistemas de fixação de alvos dos "drones" na missão, e o quarto era um técnico encarregado da infraestrutura de comunicação com os aparelhos.

Um deles, Brandon Bryant [ que aparece aqui nesse texto de 2013, em inglês ], relatou ao jornal um ataque contra um grupo de cinco pessoas no Afeganistão, enquanto elas dormiam.

Inicialmente, suspeitava-se de que estivessem transportando explosivos, mas, segundo ele, parece não ter sido o caso. O ataque, completou Bryant, não provocou deflagrações secundárias. "Um assassinato covarde", lamentou.

Ao final de suas respectivas tarefas, receberam um pequeno cartão dentro de envelopes lacrados com o número de eliminações, para as quais eles haviam contribuído.

Bryant "cometeu o erro de abrir o seu", relatou "The Guardian", acrescentando que "o número era de 1.626".

De acordo com a carta, o remorso fez "todos sucumbirem à síndrome de estresse pós-traumático".


LEITURA COMPLEMENTAR

Guerra dos drones de Obama já assassinou mais de 2.400


O Nobel da Paz assassino iniciou os ataques não-tripulados logo após a 1ª posse e, em 5 anos, já matou seis vêzes mais civis que W. Bush. Barack opera no Afeganistão, Paquistão, Iêmen e Somália

A Guerra dos Drones de Obama, iniciada no terceiro dia após sua posse no primeiro mandato, e que já dura cinco anos, assassinou mais de 2.400 pessoas – a imensa maioria, civis ou militantes de baixa patente - no Afeganistão, Paquistão, Iêmen e Somália, em 390 ataques secretos operados pela CIA e Pentágono, registrou o Bureau de Jornalismo Investigativo da Inglaterra, que denunciou que a matança foi seis vezes mais extensa do que sob W. Bush.

Foi no dia 23 de janeiro de 2009 que Obama cometeu seu primeiro crime de guerra conhecido, quando um drone da CIA arrasou uma casa numa área tribal no Paquistão, matando pelo menos nove civis, a maioria de uma única família. Um menino de 14 anos sobreviveu, Fahim Qureshi, com ferimentos horríveis, como o crânio fraturado, o estômago atingido por estilhaços e um olho perdido. Seus pais foram mortos.

Mais tarde, no mesmo dia, outro ataque com drone destroçou mais uma casa no Paquistão, matando entre cinco e dez civis. Já o mais recente crime de guerra de Obama foi cometido no dia 12 de dezembro do ano passado, quando seus drones atacaram a comitiva de uma noiva no Iêmen, destruindo vários veículos e assassinando 15 civis.

Tanto nos primeiros assassinatos, quanto nos mais recentes, o governo Obama asseverou, até ser desmentido pelas fotos e testemunhos do massacre, que “altos alvos” da “Al Qaeda” é que haviam sido abatidos. Quando a repulsa a esses crimes se espalhou no mundo inteiro, com sua conhecida hipocrisia Obama se referiu ao massacres de civis, dizendo: “Para mim, e aqueles na minha cadeia de comando, aquelas mortes nos perseguirão enquanto vivermos”.

E asseverou que “antes de qualquer ataque, deve haver quase-certeza de que nenhum civil será morto ou ferido – o mais alto padrão que possamos estabelecer”. Conforme o Bureau, “mais pessoas foram mortas no Paquistão e no Iêmen nos seis meses seguintes a esse discurso do que nos seis meses prévios. E a taxa de baixas também cresceu”.

Descrições dos drones voando sobre aldeias 24 horas por dia, produzindo um assobio que lembra o das bombas V-2 nazistas que assombraram Londres, pilotados à distância, como num game, por pilotos em instalações da CIA e do Pentágono a milhares de quilômetros de distância, dão conta do terror que um dos instrumentos de assassinato preferidos de Obama causa na população.

Uma coisa é certa. Obama tomou gosto pela coisa, e no caso do Paquistão, multiplicou por seis os ataques que W. Bush desfechara; considerando todos os países-alvo, a multiplicação foi por oito. As execuções extrajudiciais, por meio de drones, se tornaram uma marca registrada do seu governo.

O principal era causar terror na população. Conforme a agência de notícias McClatchy, registro vazado da CIA revelou que sequer os EUA sabem quem estão matando: no período de um ano, só 265 de 482 pessoas documentadas como mortas por drones “eram ‘tidas’ como extremistas afegãos, paquistaneses ou desconhecidos”. Também foi o governo Obama que introduziu os ataques “por assinatura”, nos quais, sem saber quem é que está sendo atacado, supõe-se que sejam “terroristas” que estariam “plantando bombas” numa estrada, quando podem ser simplesmente camponeses catando lenha, como já ocorreu mais de uma vez.

Nem o repúdio mundial à covarde operação com drones contra aldeias indefesas nos extremos do planeta serviu de freio a Obama, que pondera a “vantagem” de poder cometer massacres sem arriscar a vida de seus mercenários. Repetidas vezes, diante da indignação de sua população, até mesmo os governos servis do Paquistão condenaram os ataques com drones e os acusaram de ser uma violação à soberania do país. Especialistas sobre direitos humanos da ONU condenaram, por sua vez, os ataques teleguiados.

Também foi Obama que estendeu a guerra dos drones ao Iêmen, apesar de W. Bush ter chegado a bombardear uma vez o país em 2002, quando matou seis pessoas. Sob Obama, a CIA e o Pentágono lançaram pelo menos 58 ataques com drones contra o país assassinando mais de 281 pessoas.

Ele não matou só com drones: uma semana depois de ser laureado com o Nobel da Paz, no dia 17 de dezembro de 2009, Obama mandou um submarino disparar um míssil de cruzeiro contra um suposto “campo de militantes em Al Majala”, e massacrou 41 civis, incluindo pelo menos 21 crianças e 12 mulheres, de uma das tribos mais pobres do Iêmen.

EXECUÇÃO SUMÁRIA

Assim como W. Bush elaborou uma “jurisprudência” para “legalizar” sua tortura, Obama, através do Departamento de Justiça, se autoconcedeu o “direito” de executar sem julgamento quem quer que seja por meio de drones. O que, como confirmou a NBC, já foi feito com quatro cidadãos norte-americanos que viviam no exterior.

A principal entidade pelas liberdades democráticas dos EUA, a ACLU, considerou “aterrorizante” a doutrina Obama, segundo a qual “os EUA têm o direito de matar cidadãos dos EUA se eles apresentam uma iminente ameaça, o que não requer que os EUA tenham evidência clara de que um ataque específico contra pessoas e interesses dos EUA terá lugar no futuro imediato”. Fascismo puro.

Assim, sem qualquer julgamento ou acusação devida, e sem direito de defesa, o cidadão norte-americano Anwar al Awlaki foi executado com um míssil disparado por um drone no dia 30 de setembro de 2011. Seu filho Abdulrahman, nascido em Detroit, um garoto de 16 anos que não era ameaça de nada, foi morto por drone duas semanas depois, em outro local do Iêmen.

Enquanto comete massacres com drones para “matar militantes da Al Qaeda”, Obama, com a outra mão – existe aquele célebre ditado que diz que a mão direita da CIA não sabe o que a mão esquerda está fazendo – enche de dinheiro e armas a Al Qaeda que massacra na Síria, através do seus satélites da Arábia Saudita e Qatar. Quando se trata de derrubar um governo progressista, para os facínoras de Washington, a Al Qaeda é bem-vinda.

ANTONIO PIMENTA

.

Nenhum comentário :

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Golpe