domingo, 22 de novembro de 2015

E a Folha se estrepou por acreditar na Veja, por Paulo Nogueira



É um paradoxo.

A imprensa publica diariamente artigos contra o direito de resposta.

Mas a cada momento ela fornece com seus erros seguidos provas concretas de quanto o direito de resposta é, simplesmente, imprescindível.

O caso mais recente é o da Folha. Você pode adivinhar contra quem o erro foi cometido. Lula. A família de Lula.

É o alvo número 1 da plutocracia cuja voz é a imprensa.

Um repórter experiente da Folha, Rubens Valente, conseguiu acreditar numa reportagem da Veja.

Esta é a surpresa da história: um jornalista veterano usar a Veja como fonte.

Num texto sobre um lobista preso, Valente disse que ele cedeu uma sala em Brasília para que um filho de Lula, Fábio Luís, trabalhasse nela.

Era uma informação da Veja. Valente não apenas a reproduziu agora como disse que o lobista confirmou para a Veja a notícia.

Não era verdade.

O filho de Lula entrou com uma ação. Ao longo desta, o lobista afirmou que jamais tivera relação pessoal ou profissional com Fábio Luís.

Ontem mesmo a família de Lula anunciou que reivindicaria direito de resposta com base na nova lei sancionada por Dilma.

A Folha se antecipou e publicou, em seu site, uma correção – tímida, miserável, escondida como é de praxe no jornal.

É presumível que a família de Lula, mesmo com a admissão da Folha, prossiga com sua reivindicação, até por razões pedagógicas.

Acreditar na Veja desafia a inteligência de qualquer um. Mas quando o alvo é Lula e família os controles de jornais e revistas se afrouxam ao máximo.

Numa reunião do Conselho Editorial das Organizações Globo alguns anos atrás, lembro que alguém citou uma denúncia da Veja.

O chefe do Conselho, João Roberto Marinho, avisou: “É preciso tomar cuidado com a Veja.” Ele já percebera que a Veja deixara de ser uma fonte confiável. Perdera aquilo que, como a virgindade, não volta mais: a credibilidade.

Mas mesmo assim a Folha e Rubens Valente se apoiaram na Veja, para a qual vale a grande máxima de Wellington: quem acredita nela acredita em tudo.

A ausência do direito de resposta é um câncer para a sociedade. Porque leva os cidadãos a ser vítimas de informações falsas que distorcem a realidade.

É uma coisa também que atenta contra a qualidade da imprensa. Quando erros têm consequências – e o direito de resposta é uma delas – as publicações tomam extremo cuidado com a qualidade das notícias que dão.

Checam, rechecam, verificam ainda uma vez.

Mas quando você pode errar livremente as coisas se deterioram. A impunidade jamais produziu bons frutos, e menos ainda para a imprensa.

O desleixo vem em série. O repórter não se preocupa em apurar com profundidade a denúncia que lhe chega, o editor muito menos – e os patrões, desde que o alvo sejam inimigos como Lula, simplesmente fecham os olhos.

Mil artigos contra a lei de resposta não compensam, por exemplo, o erro que Lauro Jardim cometeu em sua estreia no Globo ao afirmar, numa manchete, que um delator disse que deu dinheiro a um filho de Lula. (Sempre Lula, sempre a família de Lula.)

Você só tem uma imprensa séria – e falo de veículos de esquerda, direita, centro ou o que for – se houver leis que punam erros.

E com rapidez.

É uma piada uma das reclamações da imprensa: o prazo para que sejam dadas as correções.

Estamos vendo o que acontece com Eduardo Cunha quando não existe urgência nas ações.

A resposta, quando julgada justa, tem que vir prontamente – até para que repórteres como Rubens Valente não cometam barbaridades como a que ele cometeu.


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